E-mail: diaadia@gazetadoparana.com.br Telefone: (45) 3218-2539 DIA A DIA 3 GAZETA DO PARANÁ - Quarta-feira, 8/10/2008 - Paraná Vítimas de bullying perdem interesse pela escola e faltam às aulas para evitar agressões FRANCIELLY HIRATA DA REDAÇÃO CASCAVEL Os casos de indisciplina, descaso, e violência descritos pela Gazeta do Paranádesde a semana passada, revelam um qua dro preocupante da educação. Somente emCascavel diversas escolas são vítimas de alu nos despreocupados com a aprendizagem e sem limites. Mas, as conseqüências não são negativas apenas para as instituições, as próprias crianças que estão inseridas no processo também saem prejudicadas. A Uma pesquisa mundial da Plan, umaorganização não-governamental de de senvolvimento, aponta que 350 milhões de crianças são vítimas de violência escolar a cada ano. O relatório é parte da campanha "Aprender Sem Medo", lançada ontem em diversos países com o objetivo de promoverum esforço global para acabar com a violên cia nas escolas. O Brasil não está imune a estes dados, e nem Cascavel, que apresenta violência constante nas escolas, seja ela física, moral ou psicológica. "Falta respeito para alguns alunos, colocam apelidos que a gente não gosta, xingam todo mundo com palavrões ese a gente falar para a diretora batem na gen te", relata Camila Marques Glen, aluna de 10 anos do Colégio Estadual Cataratas. O seu colega, João Amandio, de 12 anos, conta que geralmente são os alunos maiores da sala, os mais "bagunceiros", ou os que têm amigos grandes, que provocam, brigam, implicam e muitas vezes magoam os outros. "Temos que ficar quietos ainda porque senão eles batem na gente, mas fico muito mal e triste", revela Amandio. SofrimentoAssim como para estas crianças, a vio lência nas escolas traz malefícios para quem sofre, pois conforme relata Neusa Correia Marques, mãe de um educando de 15 anos do Colégio Estadual Cataratas, até mesmo um "sarro" que os colegas fazem do seu filho gera sofrimento. "Ele não reclama por medo de acontecer algo, mas colocaram apelido nele e ele não gosta, jogam papel. Só porque ele é mais acanhado e `quietão' tem que sofrermais?", questiona a mãe que não está satis feita com a situação. Marques garante que acompanha o desenvolvimento do seu filho na escola, mas sabe que muitos pais não fazem o mesmo e isto geraproblemas para a escola e con sequentemente para os outros alunos. "Ele está pensando até em desistir da escola porque os outros criticam e provocam ele. Isto prejudica ele, ele fica triste", ressalta. A mãe fica inconformada com a escola ser um lugar de desrespeito e até "perigo" para as crianças,pois alguns alunos atrapa lham todo o andamento das aulas. "Tem também aqueles que acham que porque são melhores de vida podem fazer tudo, e nós que somos pobres temos que aceitar", completa. Problemas Os maiores problemas da violência na escola, conforme relata a diretora do colégio,Maria Isabel Hotz, são as psicológicas. "E es tamos com muitas brigas, até físicas, com as meninas por namorados. Escrevem coisas dasoutras no banheiro, provocam", conta a dire tora. A escola, segundo a diretora, tenta fazer trabalhos de valorização do ser humano com as crianças, pois acredita que os alunos estãoprecoces. "E ainda tem a desestruturação fa miliar, as crianças podem fazer tudo em casa e acham que podem aqui também. Há uma falta de valores muito grande", completa Hotz. Na opinião da diretora, 90% dos casos de indisciplina na escola são causados peladesestrutura familiar. "E não é a falta de pai so mente não, é preciso pulso firme, caráter. Hoje as crianças estão livres demais", salienta. Os prejuízos para os alunos que sofremqualquer tipo de violência são grandes, con forme relata a responsável pelo colégio, pela violência, em especial a psicológica, ser sofrida pelos alunos mais quietos, calmos e tímidos, acaba gerando a exclusão. "O bom aluno é até excluído, perde o estímulo de estudar", completa. ESCOLAS Crianças sofrem violência Agressões trazem sofrimento às vítimas GAZETA DO PARANÁ VIOLÊNCIA Alguns dados mundiais alarmantes - Meninas sofrem mais com violência sexual;- Meninos são mais atingidos pelo cas tigo corporal; - Vítimas de violência na escola têm maior tendência a cometer suicídio;- Muitas vítimas morrem devido a ferimentos, complicações de gravidez indese jada ou Aids; - Garotas vítimas de bullying têm oito vezes mais chances de serem suicidas. BRASIL Pesquisa mostrou que: - 84% de 12 mil estudantes de seis estados reportaram suas escolas como violentas; - Cerca de 70% desses 12 mil estudantes afirmaram terem sido vítimas de violência escolar; - Um terço dos estudantes afirmou estar envolvido em bullying, seja como agressor ou vítima; - Quando questionadas a respeito de castigo corporal, crianças brasileiras de 7 a 9 anos disseram que a dor nem sempre é só física. Declararam sentir "dor no coração" e "dor de dentro". ESTRATÉGIA MUNDIAL Campanha será baseada em:- Persuadir os governos a tornar ilegal to das as formas de violência contra as crianças na escola; e fazer com que essas leis sejam cumpridas; - Trabalhar com os dirigentes escolares e professores para criar escolas livres de violência e promover métodos alternativos à disciplina de castigos corporais; - Criar uma dinâmica de mudança global, incluindo aumento dos recursos de doadores internacionais e governos para combater a violência nas escolas de países em desenvolvimento. TERMO O que é bulling? Bullying é um termo inglês utilizado para descrever atos de violência física oupsicológica, intencionais e repetidos, pra ticados por um indivíduo ou grupo de O bulllying é usado para descrever uma forma de assédio utilizado por alguém que está, de alguma forma, em condições de exercer o seu poder sobre alguém ou sobre um grupo mais fraco, e é caracterizado por forçar a vítima ao isolamento social. As vítimas do bullying muitas vezes são intimidadas para oferecer resistência por temer o agressor, devido às ameaças ou concretizações de violência física. é mais acanhado e `quietão' tem que sofrermais?", questiona a mãe que não está satis feita com a situação. Marques garante que acompanha o desenvolvimento do seu filho na escola, mas sabe que muitos pais não fazem o mesmo e isto geraproblemas para a escola e con sequentemente para os outros alunos. "Ele está pensando até em desistir da escola porque os outros criticam e provocam ele. Isto prejudica ele, ele fica triste", ressalta. A mãe fica inconformada com a escola ser um lugar de desrespeito e até "perigo" para as crianças,pois alguns alunos atrapa lham todo o andamento das aulas. "Tem também aqueles que acham que porque são melhores de vida podem fazer tudo, e nós que somos pobres temos que aceitar", completa. Os maiores problemas da violência na escola, conforme relata a diretora do colégio,Maria Isabel Hotz, são as psicológicas. "E es tamos com muitas brigas, até físicas, com as meninas por namorados. Escrevem coisas dasoutras no banheiro, provocam", conta a dire tora. A escola, segundo a diretora, tenta fazer trabalhos de valorização do ser humano com as crianças, pois acredita que os alunos estãoprecoces. "E ainda tem a desestruturação fa miliar, as crianças podem fazer tudo em casa e acham que podem aqui também. Há uma falta de valores muito grande", completa Hotz. Na opinião da diretora, 90% dos casos de indisciplina na escola são causados peladesestrutura familiar. "E não é a falta de pai so mente não, é preciso pulso firme, caráter. Hoje as crianças estão livres demais", salienta. Os prejuízos para os alunos que sofremqualquer tipo de violência são grandes, con forme relata a responsável pelo colégio, pela violência, em especial a psicológica, ser sofrida pelos alunos mais quietos, calmos e tímidos, acaba gerando a exclusão. "O bom aluno é até excluído, perde o estímulo de estudar", A cada dia, aproximadamente 1 milhão de crianças sofrem algum tipo de violência nas escolas em todo o mundo. E nenhum país está imune. Esses são alguns dos resultados de uma pesquisa conduzida pela Plan, uma das maiores e mais antigas organizações não-governamentais de desenvolvimento. O relatório é parte da campanha "Aprender Sem Medo", lançada hoje em diversos paísescom o objetivo de promover um esforço global para aca bar com a violência nas escolas. Além da quantidade alarmante de vítimas, a pesquisa indica que a violência não afeta apenas a personalidade, a saúde física e mental e o futuro potencial da criança, mas traz também danos irreparáveis para a família, a comunidade e a economia nacional. O levantamento retrata a situação mundial em relação a três principais temas vivenciados nas escolas: violência sexual, castigo corporal e bullying. Com o relatório e a campanha "Aprender Sem Medo",a Plan juntamente com parceiros nacionais e internacio nais quer mostrar que toda a violência contra crianças pode e deve ser evitada. Uma escola isenta de violência é o direito de cada criança. "Todos nós temos um papel a desempenhar, quer como indivíduos, governos ou ONGs: temos de garantir que as crianças possam ir à escola sem medo ou ameaça de violência e recebam uma educação de qualidade em um ambiente seguro. `Aprender SemMedo' pode ser uma campanha da Plan, mas é respon sabilidade de todos", afirma o assessor de Educação da Plan Brasil, Charles Martins. Bullying No Brasil, a campanha terá como principal foco o bullying escolar, incluindo o cyber bullying, e suas implicações para a educação. Definido como "o desejo consciente e deliberado de maltratar uma outra pessoa oucolocá-la sob tensão", o termo bullying começou a ser es tudado por pesquisadores brasileiros mais intensamentea partir da década de 1990 devido ao alto índice de crian ças e adolescentes que sofriam maus-tratos praticados por colegas, professores ou funcionários da escola. As vítimas de bullying geralmente perdem o interesse pela escola e passam a faltar às aulas para evitar novas agressões. Essas vítimas apresentam cinco vezes mais probabilidade de sofrer de depressão e, nos casos mais graves, estão sob um risco maior de abuso de drogas e de suicídio. Apesar da ampla divulgação sobre o problema, dos 66 países pesquisados pela Plan, apenas cinco (Coréia, Noruega, Sri Lanka, Reino Unido e EUA) possuem leis que proíbem o bullying nas escolas. A partir do lançamento da campanha, a Plan iniciará uma mobilização de parceiros (outras ONGs, governos,escolas) e da sociedade civil para começar a implemen tação do programa em escolas a partir do próximo anoletivo. No Brasil, a Plan já conta com o apoio da Campa nha Nacional pelo Direito à Educação, uma rede social que articula mais de 200 entidades de todo o Brasil. A Plan é uma organização não-governamental de desenvolvimento centrado na criança e no adolescente. Sem qualquer vinculação política ou religiosa, foi fundada em 1937 e hoje está presente em mais de 60 países. No Brasil atua desde 1997, principalmente nos estados dePernambuco e Maranhão. Cerca de 1,5 milhão de crian ças e adolescentes participam dos programas da Plan em todo o mundo, sendo mais de 75 mil somente no Brasil. Atualmente, a organização desenvolve no país cerca de 50 projetos nas áreas de educação, saúde, promoção de direitos, participação comunitária e segurança alimentar e nutricional. PESQUISA MUNDIAL Estudo aponta gravidade da violência escolar