BISS 4 E-mail: biss@gazetadoparana.com.br Telefone: (45) 3218-2527 Quarta-feira, 8/10/2008 - Paraná - GAZETA DO PARANÁ RE-TROPICALISMO Contraste de cores, crítica e humor humor humor humor humor Adriana Woll mostra em suas obras diversos estilos e técnicas para expressar o resultado de suas reflexões GAZETA DO PARANÁ: me fale sobre a exposição que já foi apresentadaem algumas cidades do Brasil e será aber ta em Cascavel?ADRIANA WOLL: a exposição se chama "Re Tropicalismo", este nome não só pela forma, curva, cores, contrastes, mas também pela forte crítica social e política que aparece nas obras. É tudo meio escondido, o observador tem que ir decifrando o conteúdo. Procuro com isso fazer com que ele reflita sobre simesmo e a sociedade em que vive. As pes soas reclamam demais dos outros, quando na verdade é só a partir delas que há uma mudança, por exemplo, no quadro "Salve a Amazônia não coma Churrasco Hoje". Cada um tem sua parcela de responsabilidade. Você diz que o público tem que decifrar esta mensagem, mas de que forma você passa isso para que ele a decifre?Costumo dizer que os meus quadros começam pelos títulos. Primeiro eu penso no títu lo, daí procuro uma imagem que transmita amensagem desejada. É também a partir do título que o público consegue decifrar a imagem. O que acontece geralmente com as pes soas em minhas exposições, é que os "olhos" precisam se acostumar as curvas. Assim como na arte 3D, depois de descobrir a primeiraimagem, as outras ficam fáceis de serem decifradas. Geralmente pinto um ou dois quadros mais óbvios, com isso o visitante se sen te motivado a descobrir as outras imagens. O tipo de crítica que você faz é universal ou apenas para o público brasileiro? Em "Re-Tropicalismo", faço uma abordagem direta aos problemas brasileiros. No entanto estes não são "privilégios" exclusivos nossos.Corrupção, violência doméstica, sub-empre go, gravidez precoce, etc, existe em todos oslugares. Até mesmo no primeiro mundo. Des ta forma ela se torna universal, todos acabam se identificando de alguma maneira com arealidade que exponho. Na obra "Sem Opção", são duas crianças, ou melhor, uma cri ança e um adolescente. A crítica neste caso é sobre a falta de opção de lazer e atividades esportivas e educativas em alguns bairros periféricos depois do expediente escolar. Naverdade é sobre o descaso político. Este quadro eu geralmente penduro ao lado de "Desinteresse". Que também é um outro proble ma sério. Conheço alguns projetos sociais que não tiveram êxito por falta de público. Então o problema tem dois lados. A falta de opção e o desinteresse. De qualquer formarisso faz com que aumente o número de jo VANELIRTE MORETTO DA REDAÇÃO CASCAVEL Artista observadora, Adriana Woll coleciona suas idéias em viagens pelo mundo e a partir disso visualiza histórias atrás das imagens. Formada em criação e ilustração pela Escola Pan-Americana de Arte de São Paulo e história de arte, na Universidade deSaarbrücken, Alemanha, ela explora diversos estilos e técnicas para expressar o resul tado de suas reflexões. Em sua obra a artista unifica os contrastes, formando um estilo único, de grande identificação visual. Seus trabalhos têm linguagem própria, inconfundível, crítica e resistente, sem perder sua individualidade forte e original. Adriana, que mora há 4 anos em Saarbrücken, no Sudoeste da Alemanha, já participou de exposições coletivas em cidades como Ulm, Zurique, Saarbrücken, Stuttgart, Augsburg, Berlin, Washington, Brasília, São Paulo, Porto Alegre e Itajaí e individuais em Cuiabá, Campos do Jordão, São Luís, Recife e Rio de Janeiro. A partir de amanhã os trabalhos da exposição "Re-Tropicalismo", que desde 2007 tem sido exibidos em cidades brasileiras (Cuiabá, Campos do Jordão, São Luiz do Maranhão, Recife e Porto Alegre),estarão em exposição em Casca vel, no Museu de Arte de Cascavel (MAC). Depois a mostra segue para Itajaí e Rio de Janeiro. "Re-Tropicalismo" traz cerca de 30 obras inspiradas na tropicália que exibem um contraste de cores, curvas, crítica, ironia e humor. Os trabalhos foram produzidos na técnica acrílica sobre papel entre 2006 e 2008. A artista também faz trabalhos em tela e plexiglass. No dia 2 de outubro, um dia antes de embarcar para o Brasil, Adriana conversou com o jornal Gazeta do Paraná sobre a exposição, seu trabalho e a Alemanha. A artista chega a Cascavel nesta quarta-feira.vens e adolescentes envolvidos na crimina lidade. O engajamento tem que ser político e também pessoal. Você disse que conhece alguns projetos sociais que não tiveram êxito por falta de público, poderia citar um? Escola de Voluntários era uma projeto do professor universitário Claudio Bezerra daSilva com aulas práticas na área de secreta riado na periferia de São Paulo, não custava nada, e as pessoas desistiam no meio do curso. Eles começavam com mil alunos e terminavam o curso com menos de 250. E o que levava as pessoas a desistirem do curso?Segundo o professor Claudio, além de engajamento pessoal a questão cultural tam bém influenciava muito.Que problemas sociais existem na Alema nha e que também existem no Brasil?Gravidez precoce, por exemplo, que já é con siderada um pandemia. Comprometimento com a ecologia, apesar da Alemanha ser um dos países mais engajados nesta área, nem toda a população age de forma ecológica. Adiferença é que aqui a lei é mais dura em re lação ao infrator, daí o cidadão é ecológico para não levar multa e ir para a cadeia. Só vai até o limite da lei. Depois reclama que no Natal não cai mais neve. Outro problema quetem se agravado é a violência entre os ado lescentes. Também existe corrupção, mas nem se compara ao que acontece no Brasil. A violência doméstica também existe, mas a polícia e a Justiça são eficazes neste caso. Além disso se a mulher optar por se separardo marido, mesmo que ela e ele estejam de sempregados, o governo vai providenciar moradia, e um salário "desemprego" capaz de sustentar a ela e seus filhos sem que estes passem por qualquer privação. Porque você foi para a Alemanha? O meu marido é alemão. Nos conhecemos em São Paulo, ele era meu vizinho de apartamento. Estamos há 12 anos juntos. Fazem 4 anos e 9 meses que estou na Alemanha. Os primeiros sete meses moramos em Berlim, agora estamos em Saarbrucken. Desde que idade você trabalha com arte e como foi o início?Desde pequena sempre me identifi quei com arte, a minha avó materna Ludovina Massuco Rodriguez era uma excelente desenhista. Acho que ela foi a minha primeira professora.Na década de 90 resolvi fazer a Pan Americana de Arte em São Paulo. Me formei em criação e ilustração.Porque Cascavel foi a cidade do Para ná escolhida para receber a mostra? Tenho apresentado esta exposiçãoem várias cidade importantes, por que não Cascavel? Acho que a arte tem de ir ao encontro das pessoas. Ficar somente no eixo Rio-São Paulonão condiz com a proposta de mudar mentalidades. Gostaria de mos trar "Re-Tropicalismo" em todos os estados brasileiros, acho uma mostra muito instigante. Tenho convites até 2009 e espero que surjam mais alguns para 2010 e 2011. Como sua arte era aceita quando você morava no Brasil e como é aceita na Alemanha? Bem eu só voltei a pintar (capa de CD não conta), quando vim morar na Alemanha, foi quando eu desenvolvi este estilo novo. Oque eu posso dizer é que o brasileiro se iden tifica mais rápido com o meu trabalho, ele associa cores e critica a tropicalismo quase que automaticamente. O alemão associatambém aos anos 70, mas os títulos requerem um certo conhecimento prévio da nos sa realidade e historia.E como os brasileiros são recebidos na Alemanha. Sente saudade do Brasil, quer vol tar a morar aqui?Gosto muito do Brasil, tenho muita sauda de, mas não sei se voltarei a morar aí. Temque melhorar muito politicamente, judici almente, socialmente, economicamente. Sabe aquela musica "Último pau-de-arara". "Quem sai da terra natal. Em outro canto não pára". O mais difícil foi sair daí, e acho difícil passar o resto da vida na Alemanha, o mundo é muito grande, e minha maior raiz já foi cortada. Entenda "raiz" no sentido dedeixar a minha família, amigos, historia, vivência. Continuo sendo brasileira de passa porte e coração. Você conhece Cascavel? Passei rapidamente por aí em julho quando voltei das cataratas com meu esposo. Achei a cidade muito bonita e moderna. Ficamos apenas uma hora, mas tivemos uma boa impressão. Adriana estará em Cascavel para abertura da exposição FOTOS: DIVULGAÇÃO Obra "Sem Opção" SERVIÇO Exposição "Re-Tropicalismo" Local: Museu de Arte de Cascavel (MAC), rua Mato Grosso, 2.909 Data: abertura 9 de outubro Horário: às 20 horas. Visitação até 14 de novembro de segunda a sexta-feira das 8h30 às 17h30 Informações: (0xx45) 3321-2121 (Silvia/MAC) ou www.adrianawoll.cjb.net e-mail: drwoll@hotmail.com ou drwoll@arcor.de