ELEIÇÕES/CASCAVEL POLÍTICA Quarta-feira, 8/10/2008 - Paraná - GAZETA DO PARANÁ 6 E-mail: politica@gazetadoparana.com.br Telefone: (45) 3218-2534 Cido: "Onde foram parar meus votos" Candidato a vereador tenta recuperar os votos anulados O país não vive sem eleições. A Democracia não vive sem eleições? Os eleitores, especialmente os desprovidos pela sorte, também não vivem sem eleições. Enquanto no mundo inteiro empresas ebancos estão indo à falência por causa da crise norte americana, aqui em Cascavel vivemos um "boom econômico" provocado pela realização das eleições. Garantia de mesa farta e brinquedo para a petizada no dia da Criança. O motivo para este fenômeno econômico, foi o derramamento de reais durante a campanha eleitoral. Milagre econômico A Polícia Federal não viu. A Justiça Eleitoral não foi provocada. A imprensa local não registrou. Mas não se fala em outra coisa. A compra e mais compra de votos. O comércio "votístico" dos últimos dias, pelo que se comenta, rendeu dividendos. E como rendeu. Com o bolso cheio de notas de R$ 100,00, R$ 50,00 ou R$ 20,00 a crise econômica mundial foi espantada, pelo menos por enquanto. O comércio e os camelódromos devem estar agradecendo a injeção inesperada de reais na economia local. Registro Ninguém viu, mas teve gente que ouviu. A PF recebeu centenas de denúncias de compra de votos nesta eleição, mas nada que pudesse ser flagrado no ato. No entanto, uma fita contendo o dialogo da compra de votos deve vir a tona nas próximas horas. Um cabo eleitoral teve o desplante de comprar os votos de uma família inteira. Fez a oferta. Barganhou. Pagou com cheque pré-datado os votos e de lambuja ainda comprometeu-se em pagar contra atrasada no supermercado. Pode? Não pode, mas fizeram e gravaram. Só coração O prefeito Lísias Tomé abriu o coração ontem para a coluna e se disse aliviado. Liberto. "Só de acordar sabendo que ninguém vai me bater ou me achacar, dá um sentimento de libertação", disse. "Eu não vejo a hora de voltar a clinicar", disse o prefeito-médico que está de malas prontas para ir a Curitiba na sexta-feira participar de um simpósio sobre arritmias cardíacas. Tucanando I Não dá para não ouvir o `pio' dos tucanos no Paraná. Foram 1,2 milhões de votos para vereadores. O partido que mais obteve voto no estado. Mas também não dá para deixar de ouvir o "pio" estridente e desafinado dos tucanos de Santa Tereza. Tucanando II Lá pelas bandas de Santa Tereza os tucanos não repetiram a fenomenal votação que o deputado federal Alfredo Kaefer obteve nas urnas (1.421 votos em 2006). Nesta eleição, para vereador, os tucanos fizeram `mixos' 14 votos. Quem deve estar soltando `pios' de satisfação é o ex-tucano Lourival Giansante. Bancada Prefeito com boa aprovação elege vereador? Em Curitiba parece que sim. O tucano Beto Richa lavou a burra de fazer votos e seus candidatos a vereadores também. Os tucanos elegeram 13 vereadores (a maior bancada). Entre eles, Serginho do Posto, o terceiro mais votado no geral com 12.661 votos e Mara Lima com 12.627 votos. Em todo o Paraná, o PSDB elegeu 454 vereadores, contra 139 na eleição anterior. Cristão O Partido Social Cristão rezou mas não teve suas preces atendidas em Cascavel. O prefeito Lísias não foi reconduzido a prefeitura. No entanto, em Céu Azul, os cristãos fizeram barba e cabelo. Elegeram Dr. Telles, com 3.582 votos (51,07%) numa minúscula aliança com o PR. Derrotou num só golpe, o PP, PSDB, PMDB, PDT, PRB, DEM e PSB que estavam com Germano e de quebra ainda elegeu os vereadores Irineu Rigier e Amarildo (terceiro e quarto mais votados respectivamente). Vidraça O vereador Aderbal de Mello fica sem mandato a partir de 1º de janeiro de 2009 mas já avisou. "De vidraça passarei a estilingue". O petista pelo jeito pretende apenas trocar de "Tribuna". Cataratas Especulações que percorrem os corredores do Fórum dão conta que o promotor chefe da 7ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, Carlos Alberto Choinski, depois de tantos anos de Cascavel, teria pedido transferência para Foz do Iguaçu. Perolas Algumas pérolas do Djalma Santos (radialista e ex-porta voz do governo Lísias), ao tentar avaliar motivos para o fracasso da reeleição do prefeito. "Todo o povo tem o governo que merece. No caso aqui, todo o castigo para corno será pouco". Carreata O vereador Mário Seibert, depois de cassado marcou o retorno de forma triunfal. Além de vencer Alcebíades e conquistar a única vaga do PTC, com a segunda maior votação destas eleições, ainda viu e participou de uma carreata domingo com mais de 500 carros. Ou seja, foi do inferno ao Céu em apenas alguns estridentes sinais sonoros do botão `confirma' da urna eletrônica. BOOM ECONÔMICO FERNANDO MALESKI maleski@gazetadoparana.com.br Vapt & vupt Parabéns para o suplente de vereador do PMDB, Divino Godoi que atingiu 1.248 votos. Apesar de não eleito, Divino que não perde o humor e o costume de sempre percorrer os gabinetes dos vereadores garantiu: "Não sou vereador, mas vou continuar vindo na Câmara". NEPOTISMO Prefeitura exonera parentes TRÁFICO Violência assusta população FERNANDO MALESKI DA REDAÇÃO - CASCAVEL O candidato a vereador pelo PMN, Fátimo Aparecido de Sá (Cido da Grid) buscou esclarecer ontem a polêmica em torno de seus votos, que acabaram anulados e não computados por conta de decisão judicial. O motivoteria sido a "intempestividade do recurso". Ou seja, en trou com um recurso após o decurso do prazo de três diasprevisto no artigo 11, parágrafo 2º da Lei Complementar 64/90. Parecendo não sa ber direito o que aconteceu o candidato tratou de refazer declarações, que teriam sidoentendidas como criticas direta a Justiça Eleitoral. "A Jus tiça não tem culpa de nada. O erro foi do advogado que perdeu o prazo. O que estoulutando é para que estes vo tos sejam computados para a legenda do partido e pelo menos conhecidos pelos eleitores que votaram em mim", disse para comentarque um levantamento extra oficial, pela contagem dos boletins de urnas, indicam que recebeu cerca de 2.518votos na eleição. "Estão fa lando que foi 2.518 votos. Eu não tenho certeza disto. Mas acho uma falta de respeito com o eleitor não informar quantos votos se fez. Comofica quem votou no candida to", questiona. Desabafo Cido disse à reportagemque "na política você pode esperar tudo. Eu venho sofren do perseguição política de meus adversários. Mas eu não disse que esta perseguiçãovem da Justiça. Isto está sendo mal interpretado", esclare ceu. O candidato garantiu quevai lutar até o fim para recuperar os votos. "Estamos cor rendo atrás para ver o que aconteceu. Como podemos recorrer desta falha que não é minha e sim do advogado.Um advogado da minha coli gação perde o prazo e tudo isto está acarretando o que está acontecendo. Eu tinhauma pena, que já está resol vida e extinta porque cumpri a pena", confirmou. O telefone do candidatoimpugnado não para de to car. A entrevista teve que ser paralisada várias vezes para esclarecer a eleitores o que estava acontecendo. "Eu devoter recebido uns mil telefone mas. Tem gente querendo até DA REDAÇÃO CURITIBA Presidente da Comissãode Segurança Pública da Assembléia Legislativa, o depu tado Mauro Moraes (PMDB) lamentou episódio violento envolvendo gangues rivais e a Policia Militar no Bairro doCajuru, em Curitiba, no últi mo final de semana. "É uma situação extrema que não cabe apenas à PM resolver", comentou o parlamentar.Para intervir no confron to entre gangues rivais quedisputam o comando do tráfico na região, a PM foi chamada ao local e recebida a ti ros por bandidos. Cerca de 40 policiais e 23 integrantes de gangues dispararam mais de 500 tiros pelas ruas da Vila Trindade. O tiroteio durou 40 minutos. Dois membros deuma das gangues foram mor tos durante o confronto."É preciso uma interven ção e trabalho constante da policia. Não é possível resolvero problema quando ele assume uma proporção inimagi nável, como a que ocorreu emGuaíra", lembrou Mauro, refe rindo-se à chacina na regiãoOeste do Estado, também pro vocada pelo tráfico.Por outro lado, o deputa do Mauro Moraes confirmou ontem que vai encaminhar oficio ao Executivo pedindoaumento salarial para as po licias militar e civil no mesmo percentual que o concedido recentemente pelo governoaos professores (10%). "É preciso reconhecer o trabalho re alizado pelos profissionaisque atuam nas áreas da educação, mas também na de se gurança pública", comentou. O parlamentar afirmouainda que a proposta encaminhada pelo governo ao legislativo para aumentar o con tingente da PM em mais 256 homens, aprovado pela Casa, ainda não é o suficiente paragarantir a segurança no Para ná. De acordo com Moraes, é preciso, no mínimo, mais 4mil oficiais para atender o estado, sendo 3 mil deles o nú mero necessário apenas paraCuritiba e Região Metropoli tana. "Não houve contratações de policiais nos últimos anos, mas apenas a reposição docontingente que se aposen tou", comentou o parlamentar. fazer passeata e manifestação na frente do Fórum para tirar isso a limpo. Querem saberdos votos. Isso não é da minha índole. É claro que gos taria de saber se foram 100 votos ou 2 mil votos. Eu só quero saber os meus votos. Evou lutar para isso e se preci sar ir a Brasília eu vou", disse. Finalizando, o candidato pediu desculpas aos eleitores."Eu não sabia que isso pode ria acontecer. A gente lutou até a última hora. Peço quenossos eleitores tenham cal ma. Isto está nas mãos de Deus e se for para vencer, está tudo certo", concluiu. Decisão A reportagem da Gazeta pesquisou e encontrou nosite do Tribunal Superior Elei toral a decisão para o recurso interposto pelo candidatoCido da Grid. Segundo a de cisão proferida pelo ministrorelator Eros Grau, o candida to havia sido condenado por crime contra a administraçãopública, o que gera inelegibi lidade durante três anos após o cumprimento da sentença. A não apresentação de contas referentes à campanha de 2004 impede a obtenção da quitação eleitoral, requisito de elegibilidade. A suspensão da filiação partidária, sendoesta condição de elegibilida de, impede o deferimento doregistro. Registro de candidatura indeferido, recurso des provido. Passa então a decidir que "o recurso é intempestivo. Foi interposto após o decurso do prazo de três dias previsto no artigo 11, parágrafo 2º da LeiComplementar 64/90 e no artigo 56, parágrafo 3º da reso lução do TSE nº 22.717/08". Juíza contesta declarações Por conta das declarações na imprensa, a juíza eleitoral da 68ª Zona Eleitoral de Cascavel, Fernando Travaglia de Macedo, expediu "notaà imprensa" para esclarecer o caso e retrucar de clarações do candidato Cido da Grid. Esclareceque o registro de candidatura de Fátimo Aparecido de Sá foi negado pelo juízo da 68ª Zona Eleitoral em razão da existência de condenação penal transitada em julgado proferida pela Justiça Federal, pela prática de crime contra a admi nistração pública, o que se constitui em causa de inelegibilidade pelo prazo de três anos após o cumprimento da pena, nos termos do artigo 1º da Lei Complementar nº 64/90. Segundo a nota, o candidato teve ciênciaacerca da decisão proferida pela Justiça Elei toral de Cascavel e contra ela interpôs recurso ao Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, o qual negou provimento ao mesmo. A nota também explica que a fotografia e identificação do candidato constaram nas urnas eletrônicas em razão da existência de recurso por ele interposto perante o TribunalSuperior Eleitoral, que está pendente de julgamento, motivo pelo qual os votos recebidos pelo candidato foram considerados nu los pelo sistema de totalização, já que na data da eleição o candidato não estava registrado. Finalizando, a nota esclarece que caso o TSE dê provimento ao recurso do candidato, os votos por ele recebidos serão devidamente contabilizados. Na hipótese de ser negado provimento ao recurso pelo TSE, os votos a ele atribuídos permanecem nulos. NOTA OFICIAL DA REDAÇÃO COM CGN CASCAVELA Prefeitura resolveu acatar a decisão do Supremo Tribunal Federal, que na súmu la vinculante nº 13, acabou com o chamado nepotismo em todas as esferas do poderpúblico, inclusive em prefeituras e câmaras de vereadores. Ontem, a Prefeitura pu blicou a exoneração de noveparentes nomeados em cargos públicos, que foram exoneradas a partir de 1º de ou tubro pelo decreto nº 8.393.Integram a lista de exonerações, por conta de pa rentesco com integrantes dogoverno, o filho do secretá rio de Cultura, Júlio CésarFernandes, San Tiago Moreira Fernandes; esposa e sobrinha do presidente da Code vel, Moacir Vozniak, MarizaAparecida Hirt Vozniak e Na thalie Caroline Hirtz Kessler;filho e irmã do chefe-de-ga binete, Vilson de Oliveira, Cleverson Hinselmann deOliveira; o cunhado do vereador Alcebíades Pereira, Leo nel Jorge Larri Fioravante; oirmão do vice-prefeito, Van der Piaia, Marcos Piaia, e o cunhado e o pai do prefeito Lísias Tomé, Antônio Pereira Tomé, que não fazem maisparte do quadro de servido res. O procurador jurídico do município, Antônio LinaresFilho, comenta que o Execu tivo acatou a determinação judicial e que agora não hámais parentes de até terceiro grau com cargos na prefei tura. "Não sobrou ninguém que tenha parentesco com prefeito, vice, secretários evereadores. Todas essas pes soas assinaram declaração dizendo que não existe maisnenhum parente trabalhando na prefeitura. Nós exone ramos para obedecer o quedetermina a súmula vinculante nº 13 do Supremo Tri bunal Federal".