Garibaldi e Agripino batem boca `RECESSO BRANCO' POLÍTICA 3 GAZETA DO PARANÁ - Quarta-feira, 8/10/2008 - Paraná E-mail: politica@gazetadoparana.com.br Telefone: (45) 3218-2534 Congresso ainda vazio Mesmo com o fim das eleições corredores da Câmara e Senado permanecem vazios DA FOLHAPRESS BRASÍLIAO Congresso Nacional re tomou seus trabalhos nesta terça-feira depois do "recessobranco" que paralisou as atividades do Legislativo e per mitiu que os parlamentaresparticipassem das campa nhas das eleições municipais. Na prática, porém, poucosdeputados e senadores volta ram a Brasília para o reinício das atividades, num sinal deque o Legislativo deve retomar o ritmo de trabalho so mente após o segundo turno das eleições. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP),disse que todos os 513 depu tados foram avisados que os trabalhos seriam retomados a partir de ontem. O deputadoprometeu recomeçar as vota ções no plenário da Casamesmo diante do esvaziamento dos corredores da Câ mara. "No segundo turno está todo mundo avisado de quevai ter trabalho normal. A co meçar de hoje (terça-feira), nós estamos aqui para isso. Algum candidato que estejano segundo turno, nós poderemos avaliar a situação espe cífica, eu acho que é razoável [a ausência]. Agora, os outrosterão os demais dias tradici onais para fazer campanha", afirmou. O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), também disse esperar que os trabalhos sejam retomados mesmo com a realização de segundo turno em capitais como o Rio de Janeiro e São Paulo. Garibaldi prometeu sereunir com os líderes partidá rios para definir a pauta de votações da Casa. "Vamos ver os temas queteremos condições de construir consenso entre os líderes. O que se vota mais rápi do é o que se tem consenso", afirmou.Apesar da pressa para re tomar os trabalhos, Garibaldi vai se ausentar de Brasília até domingo, em viagem oficial para Portugal. CandidatosNo total, 87 parlamenta res disputaram o primeiro turno das eleições municipais `TEMPO QUENTE' DA FOLHAPRES BRASÍLIA Os senadores GaribaldiAlves (PMDB-RN) e José Agripino Maia (DEM-RN) trocaram farpas ontem no plenário do Senado durante debate sobre a vitória da candida ta Micarla de Souza (PV ) à Prefeitura de Natal (RN). Emlados opostos na disputa mu nicipal, Garibaldi acusou Agripino de tripudiar sobre os derrotados, uma vez que acandidata apoiada pelo pee medebista e pelo presidenteLuiz Inácio Lula da Silva, Fá tima Bezerra (PT ), perdeupara Micarla. "Tripudiar sobre os vencidos não é o melhor caminho para os vencedores, nem faz parte do per fil de Vossa Excelência, quetem caráter moderador", dis se Garibaldi. O presidente do Senado reagiu ao discurso do senador democrata no qual Agripinodisse que a população de Natal fez a opção pela candida ta da oposição, mesmo com a presença do presidente Lulana campanha de Fátima Be zerra.O democrata subiu à tri buna para reagir às críticas deLula, disparadas durante co mício da candidata petista à prefeitura de Natal, no final de setembro. Lula atacou Agripino durante o comício,sem citar o seu nome, dizendo que o cidadão que coorde nava a campanha de Fátima fazia "o jogo sujo da política nacional". No discurso, o presidente ainda afirmou que sua ida aNatal era um "ajuste de con tas". "Fizeram da minha vidaum inferno no primeiro man dato e eu nunca levantei avoz. Esse cidadão que coorde na a campanha da adversária de Fátima fez mais do queoposição a mim. Ele transfor mou em ódio o que a gente fazia, mas eu sabia que esse dia chegaria", disse Lula na ocasião, ao pedir votos para o PT. Irritado com as críticas do presidente, Agripino disseontem que preferiu respon der aos ataques da tribuna doSenado, mesmo o tema sen do regional. "Enquanto eu for líder do meu partido, não vou permitir que me intimidem, nem lá nem aqui. Não tenho nenhum Waldomiro Diniz nas minhas costas, nenhummensaleiro", reagiu o demo crata. Agripino negou que seu objetivo tenha sido tripudiar sobre os aliados de Fátima, como afirmou Garibaldi. "Eunão estou tripudiando de vitória nenhuma. Quem ga nhou as eleições foram oscandidatos. Mas o que foi fei to em Natal foi uma tentativa de me tirar da vida pública, orquestrada pelo presidente Lula", afirmou.O senador ocupou a tri buna do Senado por mais de uma hora, sucessivamente interrompido por discursosde parlamentares da oposi ção em sua homenagem. Derrota Ao contrário da maioria dos Estados do Nordeste, onde partidos da base aliadade Lula elegeram seus candi datos em primeiro turno, noRio Grande do Norte a parti cipação do presidente na campanha de Fátima não foisuficiente para elegê-la pre feita. Micarla venceu a eleiçãoem Natal com 50,84% dos votos válidos, contra 36,83% re cebidos pela candidata do PT. em todo o país. Alguns vão retomar os trabalhos porque saíram derrotados nas urnas no último domingo, mas um pequeno grupo vai manter ascampanhas ativas na tentati va de assumirem prefeituras de capitais brasileiras.No Rio de Janeiro, o depu tado Fernando Gabeira (PV) disputa com Eduardo Paes(PMDB) a prefeitura da capital. Os deputados Chico Alen car (PSOL), Solange Amaral (DEM) e o senador MarceloCrivella (PR), que saíram derrotados na corrida pela pre feitura do Rio, devem retomar as atividades em Brasília. Luiz Carlos Hauly (PSDB), disputa o segundo turno das eleições em Londrina. Em Porto Alegre (RS), a deputada Maria do Rosário(PT) foi para a disputa em segundo turno com o atual pre feito José Fogaça (PMDB), oque promete mantê-la afasta da dos trabalhos legislativos até o dia 26 de outubro. Garibaldi e Agripino batem boca Senadores Agripino Maia e Garibaldi Alves: diferenças de campanha discutidas na tribuna do Senado SENADO Lula aguarda decisão do PT DA AGÊNCIA ESTADO RIO DE JANEIRO Valeu a pena o esforço doPMDB do Rio por uma apro ximação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com ocandidato do partido à pre feitura, Eduardo Paes. Um dia depois de avisar que nãoparticiparia do segundo tur no no Rio de Janeiro, Lula foi menos contundente ontem.Disse que vai esperar a decisão do PT fluminense e co gitou a hipótese de fazer campanha.O Partido dos Trabalha dores do Rio deve formalizar hoje o apoio a Paes, aliado do governador Sérgio Cabral. Opeemedebista disputa a prefeitura com Fernando Gabeira, candidato do PV em ali ança com o PSDB.Cabral conseguiu um encontro de Paes com o presidente, que aconteceu duran te almoço com oficiais na base aérea de Santa Cruz,zona oeste da capital. Fala ram de eleições, mas Lulanão assumiu nenhum com promisso de engajamento no segundo turno carioca.Em reunião com um grupo de ministros na segunda feira, o presidente disse que não faria campanha no Rio. A ausência de Lula seria uma resposta ao fato de Paes, como deputado do PSDB eintegrante da CPI dos Correi os, ter feito duras críticas aopresidente e acusações a mi nistros e dirigentes petistasdurante a investigação do es cândalo do mensalão.Ontem, Lula foi amistoso. Ante a insistência dos jor nalistas sobre sua posição em relação às eleições no Rio, o presidente respondeu: "Acabou esta primeira fase.Agora vem uma segunda eta pa e vou esperar a decisão dopartido para fazer as alianças. Se tiver que fazer cam panha eu vou fazer." O presidente Lula passou o dia no Rio, o que permitiu ao governador ter conversasreservadas com o presiden te. Na segunda-feira, os doisjá tinham conversado por telefone. O governador acredi ta que o almoço amenizou a impressão de contrariedade do presidente em relação ao ex-tucano. Anti-Lula Do outro lado, Gabeira tem rejeitado o rótulo criado pelos adversários de que é o candidato anti-Lula. Diz que não é "anti-ninguém" e queeleições municipais não en volvem questões nacionaiscomo a sucessão presidenci al. Ontem, o candidato do PV recebeu o apoio formal do deputado federal do DEM,Índio da Costa, que pedirá licença da Câmara para trabalhar na campanha de Gabei ra. O DEM anunciou apoio aGabeira, mas não haverá engajamento direto do prefei to Cesar Maia.O próprio PV já tinha dis pensado o envolvimento de Maia, que tem alta rejeiçãoda população e viu sua can didata, Solange Amaral, ficar em sexto lugar no primeiroturno da eleição, com ape nas 3,92% dos votos. Maia disse que a participação do DEM vai se limitar ao apoiomanifestado na noite de se gunda-feira. Cada integrantedo partido decidirá o engaja mento ou não na campanha de Gabeira. SEGUNDO TURNO/RIO Bernardo descarta revisão DA AGÊNCIA ESTADO BRASÍLIAO ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, des cartou ontem uma revisão dos números do Orçamentode 2009 para se adequar à cri se internacional antes de 21 de novembro, prazo que o governo tem para atualizar osparâmetros econômicos usa dos nas projeções de receita.Mas, a Comissão Mista de Orçamento se adiantou e divulgou nova estimativa de arre cadação para 2009 e em vez de menos recursos, decidiu disponibilizar mais dinheiro para gastos. O relatório assinado pelo deputado Jorge Khoury(DEM-BA) prevê R$ 9,2 bi lhões a mais de receitas em 2009, apesar da crise, e essedinheiro poderá ser distribuído pelas emendas dos parla mentares. A mágica para queo Congresso conclua que te remos mais receita em 2009 consiste de dois movimentos:atualizar a base de arrecada ção de 2008, que é maior do que se previa em julho, mascongelar os parâmetros eco nômicos, que prevêem que a economia crescerá 4,5% no próximo ano. A expectativa do mercado é que a economia brasileiradesacelere com o agravamen to da crise mundial e com a falta de crédito no País, mas tanto parlamentares quanto governo preferiram fazer de conta, por enquanto, que areceita não será afetada negativamente. "No fim de novembro teremos condições de di zer se a economia vai crescermais ou menos. É muito pre maturo agora fazer projeções,porque dificilmente acertarí amos", disse Bernardo. Segundo o ministro, não há elementos para duvidar,por enquanto, que a econo mia não vá crescer os 4,5% previstos no Orçamento. Ele voltou a citar números da equipe econômica segundo os quais o PIB cresceria 2,5%em 2009 mesmo que a econo mia estacionasse no final do ano - o chamado "carry-over",ou seja, o efeito do cresci mento acumulado em 2008sobre o próximo ano. Entretanto, economistas não confirmam esse número. Na melhor das hipóteses, se a economia parar no dia 31 de dezembro e continuar nesse nível durante 2009, o cresci mento seria de 1,6%. O ministro atribuiu as previsões pessimistas a umaespécie de "sinistrose", suge rindo que os adversários dogoverno estariam por trás disso. "Parece que há uma indis farçada torcida pela crise. Osmesmos que torceram no iní cio do governo pela inflação e depois pelo apagão agora se agarram à crise." Bernardo admitiu que é"sonho" imaginar que o Brasil não será afetado pela cri se, mas disse que o governovem se preparando para mo mentos de maior turbulênciahá seis anos, quando começou a mudar o perfil da dívi da, reduzindo o porcentual de títulos público atrelados ao câmbio. "Não podemos ficar só ouvindo as Cassandras,como se o mundo fosse aca bar", afirmou. Segundo ele, o governo promoverá os ajustesque achar necessários no Or çamento mais à frente, masdescartou a redução de inves timentos. ORÇAMENTO 2009