Chapéu alheio Bem na fotoHá muito um caso policial não tinha um desfecho politi camente rentável no Paraná. A prisão, ocorrida ontem,do mandante da chacina de Guaíra, episódio que projetou nacional e negativamente o extremo-oeste do Para ná, foi classificada pelos comentaristas políticos como extremamente positiva ao secretário de Segurança Públicado Paraná, Luiz Fernando Ferreira Delazari, com generosos respingos políticos sobre o comando da Polícia Militar e chefatura da Polícia Civil. Subtraindo todo o esforçado trabalho de investigação das duas polícias e determinação de prioridade para o caso, emanada do princi pal gabinete da Secretaria de Segurança do Paraná, o mando e a execução das 15 violentas mortes em Guaíra teriam todos os requisitos para arrastar a investigação e prisão durante meses ou até anos. Desde a resolução dofamoso seqüestro de Marechal Cândido Rondon, ocorri do em 1995, quando todos os reféns foram libertados de uma feroz quadrilha que tombou sob os tiros do GrupoÁguia, a Secretaria de Segurança Pública não comemo rava como hoje está comemorando o desfecho de um caso grave e intrincado como o de Guaíra. Se a aprovação do passe livre não foi irresponsável, no mínimo, foi mais uma das tradicionais "caridades políticas", que só acontecem se for com o chapéu alheio... POLÍTICA & CIA. Tão comum como revoltante a "mania" do político e gestorpúblico brasileiro, em sua maioria, em fazer "caridade com cha péu alheio". No Rio Grande do Sul existe um conhecido pássaroque costuma colocar ovos no ninho dos outros: o chupim. Ladi no, ele se aproveita do trabalho de outras aves que constroem seus ninhos e, sem fazer o seu próprio esforço, vai de "carona" no esforço e competência dos outros. Todas as ações do governo, em qualquer esfera, dependo dodinheiro público, cuja fonte exclusiva é o "bolso do contribuin te". Tudo que caro leitor compra e consome está impregnado e carcomido por taxas e impostos queservem para abastecer os cofres públicos, que banca tudo o que os go vernos fazem de certo e de errado ao gerirem a máquina pública e seus serviços ao cidadão.Este breve arrazoado sobre cha péu alheio é para trazer à luz sobre algumas questões. Todo beneficioconcedido pelo poder público, irreversivelmente, se dá com o "chapéu alheio". Como? Ora... Simples entender. Dentre todas as ações adotadas contra crises in ternas e externas, a conta é paga pelo cidadão, não pelo governo. Precisamos de mais recursos para saúde. CPMF, CSS, IOF... Tudo incidindo sobre o contribuinte. Nenhuma notícia oficial ou não dá conta dos governoscortando seus gastos, enxugando a máquina. Bem ao contrá rio, de tempos em tempos (bem curtos, aliás), a notícia é de que novos cargos de confianças são criados com robustos salários, mordomias são garantidas e as "indenizatórias" distribuídas, mesmo aos parlamentares que foram candidatos no pleito do início do mês.Estradas precisam ser recuperadas, conservadas... Então, re ajuste no IPVA e mais concessões para instalações de cancelas epedágio cobrado do contribuinte carro oficial não paga, os po deres andam de graça. E por aí se somam inúmeros "benefícios" concedidos pela máquina pública que é remunerada através da famigerada carga tributária, cada vez mais pesada pelo menos por enquanto .E essas "caridades com chapéu alheio" não são exclusivida des dos governos federal e estadual.Em Cascavel os vereadores aprova ram projeto de lei que estabelece o "passe livre" para estudantes, ou seja, se sancionada pelo prefeito Lisias Tomé, irá garantir gratuidade ao transporte coletivo para alunos da rede pública e privada. Cerca de 10mil "felizardos" que andarão de "graça" nos ônibus do transporte coletivo urbano. A Cettrans, que administra o sistema, diz que esta gratuidade "quebra" o atual (frágil) sistema que para garantir sobrevivência, terá que cobrar mais caro de quem paga. Logo, os vere adores que não usam o transporte coletivo, não sentirão reflexoalgum no orçamento familiar, até porque a partir de 1º de janei ro de 2009, terão um reforçado reajuste salarial (pelo menos os quatro que continuaram na Casa).Se a aprovação do passe livre não foi irresponsável, no míni mo, foi mais uma das tradicionais "caridades políticas", que só acontecem se for com o chapéu alheio... "(se os bancos esconderem esse dinheiro) o Banco Central vai ter que tomar uma atitude, tomar o dinheiro de volta, pegar o compulsório outra vez" LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, presidente da República, sobre a informação de que os grandes bancos estariam mantendo no caixa o dinheiro liberado pelo Banco Central dos depósitos compulsórios. "O tribunal só se pronuncia quando provocado em processo regular por alguém que tenha legitimidade para essa provocação formal" CELSO MELLO, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a brecha encontrada pelo Senado para manter empregados parentes de senadores, contrariando a súmula vinculante 13. FRASES Quinta-feira, 16/10/2008 - Paraná - GAZETA DO PARANÁ OPINIÃO 2 E-mail: opiniao@gazetadoparana.com.br Telefone: (45) 3218-2520 Da divina comédia à demoníaca tragédia JOSÉ KUIAVAO mundo parece viver sua mais diverti da e trágica pasmaceira global planetária. A sensação estranha e real que se tem é que o planeta terra virou um pasmatório só. Umlugar no espaço dominado por pequeno grupo de bem-aventurados com sede de dinheiro, especuladores ociosos e gananciosos, enriquecendo sem limites e sem necessitar dispender força de trabalho alguma para procriar dinheiro. Estes poucos bem-aventurados têm poder milagroso de engravidar di nheiro. Eles sabem procriar dinheiro com dinheiro, inoculado pela própria esperteza.Durante longos anos viviam no paraíso ter restre, cheios de dinheiro, poder e felicidade (pouco se importando com a infelicidade de muitos). Até que um dia o paraíso terrestre em que viviam virou inferno, não só deles, mas de todos. Igual ao paraíso terrestre de Adão e Eva, perdido pela própria culpa.A quebradeira de bancos, de organizações financeiras, de seguradoras, o derreti mento dos mercados financeiros, de bolsas de valores e de agências de crédito, geraram a maior crise financeira global de que se tem notícias da nossa história. Literalmente, acrise internou o capitalismo na UTI dos banqueiros. Lá, para sobreviverem, eles vão sor vendo o precioso e salvador sangue de todos,não a gotas pingadas, mas por meio de ca nais enormes por onde passam 700 bilhões de dólares nos EUA e mais de 3 trilhões dedólares na santa Comunidade Européia. As sim, não há enfermo que não se cure. O que é triste nesta história é o dinheiro de todos, o bem coletivo arrecadado pelo Estado, destinado com ufanismo para pagar prejuízos e dívidas particulares. É justo? Élegal? É ético? É humano? Se é ou não é, parece importar pouco. Uns dizem que trata se de socializar prejuízos particulares comdinheiro público. Outros, que se trata da estatização do capitalismo a pedido dos próprios capitalistas. Ou será apenas o paga mento disfarçado dos prejuízos e das dívidas, para mais adiante os banqueiros poderem ficar, sem custos, com esta dinheirama toda?Não seria mais justo um dia socializar os lu cros particulares? Quando os banqueiros einvestidores ganhavam bilhões, alguém pro pôs socializá-los?Para o bem ou para o mal, a crise fez reviver e revalidar um pensamento quase es quecido e abandonado de um dos maiorespensadores da humanidade: Marx. Ele afir mou em um de seus escritos que "o poder político do Estado moderno não é mais doque um comitê executivo para gerir os negócios comuns de toda a burguesia". Que saca da! Dita há mais de 150 anos, a concepção de Estado é válida para a situação de hoje,até com maior precisão. Ainda que considerada uma concepção restrita de Estado, a afir mação é verdadeira e real.Uma das ordens da sociedade neo-libe ral, pós-moderna, é minimalizar o Estado. A sociedade neo-liberal não necessita de umEstado forte, presente e interferindo nas for ças produtivas e regulamentando o mercado.A nova sociedade de mercado é auto-regulada e auto-reguladora da produção e do con sumo. Por conta desta nova ordem, trazida pelos ventos da globalização, o governo de Fernando Henrique Cardoso realizou a maiore a mais predatória privatização do patrimô nio nacional de toda história do Brasil. Aliás, parece que ninguém lembrou nestes dias de escândalos mundiais que aquele governo jáhavia pagado uma dívida de bancos brasilei ros falidos de mais de 50 bilhões de reais. Defato, temos memória curta. Somos portado res crônicos do mal de Alzheimer.Mas, quem são os culpados pela crise financeira mundial? Alguém já apontou os verdadeiros culpados pela crise? Eles, os culpados, não deveriam ser exibidos para o mundo inteiro, ao vivo, reais e condenados a prisão perpétua pelo mal que fizeram ao mun do? Alguém já disse o nome deles e apontou as suas caras na televisão, nos jornais? O que a televisão exibe durante 24 horas por dia e os jornais do mundo inteiro mostram emcores e manchetes são os cenários e os ato res (donos do mundo), auto-proclamados deheróis, encenando e teatralizando o salva mento da humanidade. Na verdade, estãosalvando o capitalismo de uma tragédia pro OPINIÃO JOSÉ KUIAVA é mestre em Educação e professor da Unioeste duzida pelo próprio capitalismo. A CasaBranca, o Congresso Americano, a Wall Street, as Bolsas de Valores e os Tesouros Nacio nais dos países mais ricos do mundo, são os cenários da tragédia (nada grega).Qual, então, é a origem ontológica da crise? É possível ver a raiz do mal sendo a pró pria sociedade neo-liberal. A sociedade do consumismo. Isso mesmo. Fomos e somos educados, formados, instruídos, treinados,estimulados, seduzidos, motivados, necessi tados a sermos consumidores compulsivos. Todos, desde as nossas criancinhas de um aninho de vida até os centenários vivos. Osmortos também, parte deles, pois são enter rados em caixões de luxo, e em mausoléusde mármore e granito. Os banqueiros, os in vestidores, os credores e seus primos mais próximos os apostadores e aplicadores estão morrendo com o próprio veneno. Oferecem créditos sem limites para comprar tudo. Não é por outra razão que ficam ligando ao meio dia, à noite, aos sábados oferecendo os mais sofisticados cartões de créditos. Gastamos o dinheiro que não temos. Compramos o que não necessitamos.Assim, não há poeta, nem Dante Alighi eri, que transforme a tragédia humana em Divina Comédia. DIRETOR-GERAL Marcos Formighieri EDITOR-CHEFE Paulo Alexandre CASCAVEL Rua Fortunato Bebber, 868 85816-300 Cx.P. 413 PABX/Fax (0xx45) 3218-2500 Classificados: 0800 45-4040 Assinaturas: 0800-6434777 E-mails: diretoria@gazetadoparana.com.br, redacao@gazetadoparana.com.br, editorchefe@gazetadoparana.com.br, pautas@gazetadoparana.com.br, comercial@gazetadoparana.com.br, classificados@gazetadoparana.com.br, assinaturas@gazetadoparana.com.br Curitiba: Rua Capitão Virginio de Oliveira Melo, 108, Mercês 80510-110 PABX/Fax (0xx41) 3338-9191 REPRESENTANTES - Brasília Armazém de Comunicações (0xx61) 3323-9476; São Paulo Formato Publicidade (0xx11) 3813-6971; Belo Horizonte - NS&A - Núcleo de Soluções e Alternativas - MG (0xx31) 3411-7333; Rio de Janeiro Formato Publicidade (0xx21) 3262-6146; Porto Alegre Cevecom Veículos de Comunicação (0xx51) 3233-3332; Florianópolis Revecom (0xx48) 3223-2553. Artigos e cartas para seção de opinião devem ser encaminhados com no mínimo 30 linhas e no máximo 70 linhas, contendo identificação do autor, documento de identidade, telefone e endereço. Chopp I A espuma faz parte do chopp. Esta é a conclusão dos desembargadores federais da 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, que não se negaram a julgar o mérito de questão tão minúscula, mas que esconde nuances conceituais do mundo jurídico normalmente deixadas para discussão depois do expediente forense. Chopp II A questão foi levada à Justiça Federal por uma empresa de bebidas depois de ser multada pelo Inmetro, que entendeu que somente o líquido deve ser cobrado. Para a desembargadora Maria Lúcia Luz Leiria, que afastou a multa, houve um erro de interpretação do fiscal do Inmetro, pois chopp sem colarinho não é chopp, uma vez que "o colarinho integra abebida" e é o mesmo produto na forma de espuma, em função do processo de pressão a que é submetido. Mais votado O deputado estadual e presidente estadual do PMDB, Waldyr Pugliesi, recebeu a visita de um conterrâneo de Arapongas e também o vereador mais votado no Estado, proporcionalmente, é claro. Trata-se do presidente da Câmara Municipal, Sérgio Onofre. Segundo dados repassados pela assessoria dos dois parlamentares, Onofre fez mais de 11% dos votos, ou, em números exatos, 6.602 votos. Audiência A Comissão de Saúde Pública da Assembléia Legislativa, tendo à presidência do sempre disposto e competente deputado estadual Ney Leprevost (PP), deve debater com o Sindicato dos Profissionais da Saúde, o fechamento do hospital infantil de Paranaguá. O parlamentar quer saber das alternativas e possibilidades para o não fechamento da unidade e as conseqüências do fechamento para o sistema de saúde pública da região. A audiência acontece hoje, às 11 horas. Sucessão Oito em cada dez conversas de corredores e gabinetes do TCE dizem respeito à sucessão do atual presidente, conselheiro Nestor Baptista. A eleição só acontece em dezembro próximo, mas mesmo assim a especulação corre solta. Ainda em fase embrionária, duas candidaturas estão se formando. Artagão de Mattos Leão e Hermas Brandão estão na preferência, dividida, dos outros cinco votantes. Contas Por falar em Tribunal de Contas, nesta quinta-feira termina o prazo para que o governo do Estado remeta ao órgão de fiscalização todas as informações e providências determinadas no parecer prévio às contas do governo relativas a 2007, votado há dois meses, que apontou diversas incongruências nas contas do ParanáPrevidência e Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina, além de falta de documentos.