E-mail: diaadia@gazetadoparana.com.br Telefone: (45) 3218-2539 DIA A DIA 5 GAZETA DO PARANÁ - Quarta-feira, 15/10/2008 - Paraná Contrato estabelece que área deve ser usada para o desenvolvimento de pesquisas POLIANA HAUPENTHAL COLABORAÇÃO CASCAVEL A empresa multinacional Syngenta Seeds doou ontem (14), durante a reunião semanalda escola de governo, ao Iapar (Instituto Agro nômico do Paraná) uma área de 123 hectares situada no município de Santa Tereza do Oeste. De acordo com o diretor de Assuntos Corporativos para a América Latina, Valter Brunner (foto), a área foi doada ao institutoporque não vinha sendo ocupada pela Syn genta desde 2006. "A empresa se estruturou para manter suas atividades sem prejudicar seus clientes no Paraná sem área, por isso a decisão de doar o espaço", explica. Brunner destaca que a doação foi feita com termos específicos e deixa claro que o terreno deve ser usado para pesquisas. "O Iapar vai ser o responsável pelas pesquisas em parceria com outras instituições, mas o termo assinado pelas partes enfatiza que as terras devem ser destinadas à pesquisa". O Diretor esclarece que a princípio essa é única área a ser doada pela multinacional."Até o momento apenas essa área vai ser doa da, não existem outros projetos, mas quando a doação foi anunciada hoje [ontem] de manhão Secretario de Agricultura ressaltou o interes se do governo em outras parcerias que podem vir a se concretizar".Odacir Klein, presidente executivo da As sociação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho) considera a doação importante. "O Estado vai usar a área na pesquisa oficial e para fins específicos", disse. "Termina um conflito que havia no passado e que teve efeitos desastrosos. Agora, uma área que eraquestionada, passa a ser usada dentro de nor mas de pesquisa pública", avaliou.O secretário da Agricultura e Abasteci mento, Valter Bianchini, explicou que o novo centro do Iapar passa a funcionar a partir desta quarta-feira (15) e que trabalhará napesquisa de sementes florestais e da agricultu ra sustentável. "As sementes são um símbolo importante dessa semana do Dia Mundial daAlimentação (16 de outubro), porque permi tem a segurança alimentar e a solidariedade", disse. José Augusto Teixeira de Freitas Picheth, diretor-presidente do Iapar, destacou que aárea doada já está preparada para o desen volvimento de pesquisas. Segundo ele, dentro da propriedade há uma área de cerca de 80 hectares preparada para a produção agrícola, além de áreas de reflorestamento, mata nativa e instalações. A área, ocupada três vezes por membros da Via Campesina, foi palco de um conflito em 21 de outubro de 2007 que resultou na morte de Valmir Mota de Oliveira, membro da Via Campesina e Fábio Ferreira de Souza, segurança. Projeto As atividades que serão desenvolvidas no centro incluem pesquisa em diversas áreas, como biodiversidade, recuperação de áreas degradadas e sistemas produtivos de agricultura; além de programas de educação ambiental. A Universidade Oeste do Paraná e a Universidade Estadual do Centro Oeste do Paraná participarão do colegiado que apoiará o trabalho do instituto. "Acreditamos que essa parceira trará benefícios para o produtor rural preocupado com a sustentabilidade da atividade agrícola e consciente da importância da preservação das florestas", comenta Gilson Moleiro, Presidente da Syngenta Seeds. As ações desenvolvidas na estação de Santa Tereza do Oeste terão como foco osagricultores paranaenses, estudantes, pesqui sadores da região e universidades envolvidas. "Esse entendimento com a Syngenta vem beneficiar o povo paranaense, pois abre um caminho de desenvolvimento e cooperação científica que inclui universidades. Enalteço o posicionamento da Syngenta e sua visão, assim como o entendimento de todas as partes", afirma Nivaldo Krüger, Secretário do Desenvolvimento Florestal, que participou ativamente da estruturação do programa. Via CampesinaDe acordo com a nota enviada pela asses soria de imprensa "a Via Campesina espera ser parceira do projeto com o governo estadual. Desde a primeira ocupação da área, em março de 2006, a entidade defende essa proposta.Além disso, a colisão de movimentos do cam po faz o compromisso de seguir na luta para a construção de um projeto soberano para a agricultura camponesa, fundamentado na agroecologia, no respeito aos camponeses, na preservação da biodiversidade e na soberania alimentar como um princípio necessário de sobrevivência da humanidade". PESQUISA Syngenta doa área à Iapar CRONOLOGIA Ocupação da área da Syngenta 14 de março de 2006: Membros da Via Campesina ocupam a fazenda da Multinacional Syngenta, em Santa Teresa do Oeste. O local foi transformado no "Acampamento Terra Livre". A ocupação aconteceu durante o 3º Encontro das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP-3) e da 8ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-8), em Curitiba. Outubro de 2006: Devido a um mandato de reintegração de posse, os membros da Via Campesina são retirados da área, montando acampamento em frente ao local, nas margens da PR-163. Novembro de 2006: O governador do Paraná, Roberto Requião desapropria a área da Syngenta para a implantação de um Centro de Pesquisa e Estudo em Agroecologia. Fevereiro de 2007: A Via Campesina volta a ocupar a área, mas o Tribunal de Justiça do Paraná também concedeuliminar de reintegração de posse à Syngenta e suspendeu os efeitos do decreto de desapro priação do campo experimental, do Governador do Paraná. 20 de abril 2007:Em uma decisão desembargadores do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Paraná sus pendem definitivamente o decreto de desapropriação de Requião. 18 de julho de 2007: Devido à nova reintegração de posse, as 70 famílias da Via Campesina foram obrigadas a desocuparam a área, permanecendo acampadas em frente ao campo de experimentos. 21 de outubro de 2007: A área volta a ser ocupada e um confronto entre milícias e membros da Via Campesina resulta na morte de na morte de Valmir Mota de Oliveira, membro da movimento e Fábio Ferreira de Souza, segurança. Junho de 2008: Devido às inúmeras batalhas judiciais e reintegrações de posses concedidas à Syngenta pela justiça do Paraná, os membros do movimento são obrigados a desocupar a área. Área da Syngenta teve inúmeras batalhas judiciais até ontem quando foi doada a Iapar GAZETA DO PARANÁ