Eleito gastou pelo menos R$ 500 mil VEREADORES/CURITIBA Analista político aponta "caixa 2" e renovação como novidade REQUIÃO JÁ ERA FÁBIO CAMPANA POLÍTICA Quarta-feira, 15/10/2008 - Paraná - GAZETA DO PARANÁ 4 E-mail: politica@gazetadoparana.com.br Telefone: (45) 3218-2534 RODNEY CAETANO DA REDAÇÃO CURITIBA Os gastos de campanha nas eleições municipais de 5de outubro para vereador extrapolaram todas as expecta tivas dos analistas. "Foi uma das campanhas mais caras de Curitiba", revela o professor de Ciência Política e DireitoConstitucional da UniCuriti ba, Carlos Luiz Strapazzon."Ninguém se elegeu com menos de R$ 500 mil reais", ava lia o especialista. Os novatos, sem base eleitoral, tiveram que gastar muito mais. "Em torno de um milhão de reais ou mais", afirma ele.Strapazzon disse que vários candidatos que perde ram as eleições (ele diz saber de fontes seguras) investirammilhares de reais na campa nha à Câmara Municipal."Para ser vereador em Curitiba, sem capital político acu mulado, investe-se muito mais do que o declarado àJustiça Eleitoral", adverte o ci entista político. Para ele, essefato "coloca em xeque" o de bate sobre a transparênciados gastos eleitorais. Strapazzon arrisca dizer que a Câ mara dos Vereadores pode setornar uma plutocracia (regime dos ricos). Somente o di nheiro, salvo exceções, pode viabilizar uma candidatura, alerta. RenovaçãoApesar do poder econômico ser cada vez mais decisivo na viabilização de candi datos a vereador em Curitiba, o eleitor está cada vez mais exigente na escolha de seus representantes no Legislativo municipal. "Há muito tempo não havia uma renovação tãogrande na Câmara de Vereadores" (cerca de 50%), ressalta Strapazzon. "A Câmara mu dou".Muitos vereadores de carreira foram substituídos, ou tros fortaleceram a bancada evangélica, agora mais forte,nas próximas eleições municipais, configura "o amadure cimento democrático" das bases eleitorais nas regiõespopulacionais mais impor tantes da cidade. Strapazzonacredita que a renovação traria uma "nova visão" na Câ mara de Vereadores.Para confirmar esse movimento, o professor univer sitário menciona o bairro do Boqueirão, no Sul da cidade,que "se uniu" e elegeu uma liderança local. "O bairro nunca teve um candidato próprio". Em outros bairros, mui tos outros líderes locais se candidataram frustrando a expectativa de candidatos tradicionais que contavam com a ajuda de seus antigos cabos eleitorais. Isso ocorreu em lugares como a Vila Pintoe o bairro Sabará, diz o professor. Muitos não se elege ram, mas o fato, segundo ele, é digno de registro por seruma boa novidade na políti ca da capital paranaense. A verdade é que a ausência de Beto Richa deixou na mão uma legião enorme de pretendentes a embarcar em sua nau, que pinta como vencedora para todas as disputas nesta área do planeta na próxima década. O jogo político depende de uma definição de Beto Richa. Nem Osmar, nem Alvaro Dias podem fazer planos consistentes sem saber o que Beto fará. E o PT precisa saber o que será de Osmar e Alvaro para pensar sua própria vida. Assim caminha a humanidade. Situação inversa vive o governador Roberto Requião, que tornou-se uma figura de importância mínima para a sua própria sucessão. Tão decadente que é evitado pelos candidatos a prefeito no segundo turno de Londrina e de Ponta Grossa. Para esquecer a derrota e o vexame, a grande assessoria do Duce planejou essa excursão a Dubai e Tóquio com os amigos do peito, a turma que não discorda, que bate palminhas e que está sempre disposta a acariciar seu ego e, se necessário, tudo o mais que o chefe pedir. Voltemos ao Beto Richa. Ele nos Estados Unidos e aqui os ocupantes de cargo em comissão na prefeitura entram em depressão. Haja maracujina. Houve até um gaiato que pintou com um adesivo destinado a sensibilizar um único leitor, o prefeito. Diz lá "E eu Beto, fico?". De antemão é possível dizer que não há como atender a todos os pedidos de aliados se não houver mudanças nos cargos de confiança. Afinal, o PDT quer o seu, o PPS também, o PR, o PP e por aí vai. Além disso, o próprio Beto Richa vinha dizendo que pretende oxigenar a equipe. Mudar onde faltou eficiência. Mexer onde a acomodação tomou conta da equipe. Beto Richa não quer repetir fracassos muito freqüentes em mandatos de reeleição. Um exemplo gritante ele tem no vizinho Requião, que organiza excursões para olvidar de si mesmo. TV Justiça O STF julga hoje como primeiro item da pauta da sessão que começa às 13h30 o caso de Eduardo Requião. A sessão será transmitida pela TV Justiça (na TV a cabo). Afetos e desafetos de Eduardo e do nepotismo de Requião estarão grudados na telinha. Aposta Nove de cada dez observadores apostam em vitória do nepotismo. Ou seja, Dudu não terá impecilhos jurídicos, baseado no pressuposto de que a súmula vinculante exclui da lista os agentes políticos que ocupam cargos de primeiro escalão. Inquérito O STJ aceitou pedido do Ministério Público Federal e determinou abertura de inquérito para investi-gar indícios de "pagamentos de valores em dinheiro" tanto para o desembargador federal que tomou decisões favoráveis à reabertura da casa de bingo Monte Carlo Entretenimento, como para o procurador federal que encaminhou os pedidos ao Tribunal Regional Federal da 4º Região. Investigação O pedido foi assinado pelo ministro Massami Uyeda. O MP pediu a apuração de crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e crime contra a administração pública envolvendo o desembargador federal e o procurador da República, além de empresários da área de exploração de jogos eletrônicos em Curitiba. Em segredo O inquérito seguirá em segredo de justiça. Requião comemorou a decisão do STJ como se fosse uma vitória sua contra seus inimigos. Em LondrinaO Ministério Público do Paraná, através do vice procurador eleitoral Francisco Xavier Pinheiro Filho, recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral contra a decisão monocrática do ministro Marcelo Ribeiro, do TSE, que validou a candidatura de Antonio Belinati à prefeitura de Londrina pelo PP. Agora, a candidatura de Belinati será julgada pelo pleno. Esperada Segundo a assessoria de Belinati, a ação já era esperada. Enquanto isso, a campanha continua em Londrina. Ontem, Luiz Carlos Hauly e Belinati se confrontaram em debate no Hospital Universitário de Londrina. Os advogados de Hauly pediram a impugnação da pesquisa Ibope de uma disputa que todos os analistas da cidade garantem que está pau a pau. O dia do Requião A escolinha de ontem serviu para a leitura da decisão do STJ de investigar um desembargador federal. A satisfação do Duce era visível, como sempre acontece quando ele sente o gosto da vendeta. PREFEITOS ELEITOS Romanelli recebe mais oito CURITIBA O deputado Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), líder dogoverno na Assembléia Legis lativa, recebeu nesta semana a visita de mais oito prefeitos eleitos: Celso Silva (PDT), de Bandeirantes; Eduí Gonçalves(PMDB), de Guapirama; Edi mar Aparecido dos Santos(PTB), de Santa Cecília do Pa vão; Efraim Bueno de Moraes (PMDB), de Quatiguá; EliasLima (PR), de Engenheiro Bel trão; Edson Ratti (PDT), deFloraí; Claudemir Valério Gar rafa (PSDB), de Nova SantaBárbara; e Professor Aguinaldo Chichetti (PSB), de Ronca dor."O Eduí, o Edimar, o Efra im e Ratti foram reeleitos emostram que fizeram gover nos com obras e programas essenciais bem ao gosto das populações de suas cidades. JáCelso Silva, Elias Lima, Garrafa e Professor Aguinaldo sur gem como lideranças fortes e terão todo o apoio do meu mandato e da liderança do governo na Assembléia", disse Romanelli. ApoiosNo Norte Pioneiro, o prefeito Eduí Gonçalves foi reelei to por 66% dos eleitores de Guapirama com 1.945 votos a melhor perfomance na re gião. Já o prefeito de Quatiguá, Efraim Bueno de Moraes, foi reeleito com 3.009 votos. "Quatiguá é 100% Romanelli.Não nem para falar em ampli ar a parceria porque ela está indo mais do que bem. Eu sótenho que agradecer ao depu tado Romanelli pelas obras, pelos projetos e pelo apoio a minha reeleição", disse Efraim Moraes.No Norte, o prefeito Edi mar Santos numa coligação que inclui o PMDB como vice e ainda o PR, PSDB, PRP e PPS foi reeleito com 1.520 votos.Em Nova Santa Bárbara, o popular Garrafa foi eleito prefeito com 1.265 votos - 54%. Cel so Silva, candidato do PDT, administrador de empresas e empresário, foi eleito prefeito de Bandeirantes com 10.306votos em 24.640 votos. O viceprefeito eleito de Bandeiran tes, Doutor Luiz, é do PMDB. Ainda no Norte, no chamado Setentrião, o prefeito de Floraí, Edson Ratti, foi reeleito com 2.031 votos 59%. No Noroeste, na região de Campo Mourão, Elias Lima foi eleito prefeito de Engenheiro Beltrão com 6.301 votos 71% dos votos válidos. Na região Central, o Professor Aguinaldo foi eleito prefeito de Roncador com 3.765 votos 52%. Trabalho Os prefeitos do Norte e Norte Pioneiro afirmaram que a parceria e o atendimento de Romanelli são fundamentaispara o crescimento dos muni cípios. "A arrecadação própria é para folha de pagamento, manter o sistema de saúde,limpeza pública e os chama dos serviços essenciais. E o que os municípios precisam éde gente ousada, criativa, trabalhadora, de gente que pos sa fazer a diferença", disse o prefeito de Santa Cecília do Pavão, Edimar dos Santos. "E o Romanelli tem feito a diferença, tem levado obras e programas que faz o Norte avançar na qualidade de vida de sua população", completou. e alguns, por fim, sublinha o professor da UniCuritiba, sãocandidatos com formação su perior e chegam à Casa deLeis curitibana com experiên cia de vida pública.Um dos fatos "mais inte ressantes" da última eleiçãomunicipal, ressalta Strapa zzon, foi a confirmação da "força da legenda" do PSDB na Capital. "Jamais imaginava que o PSDB fosse fazer tanto voto de legenda", admira-se. Ovoto de legenda ajudou a eleger vários candidatos da alian ça tucana durante as eleições e a Câmara Municipal, comesse resultado, mantém a maioria na base política do prefei to reeleito Beto Richa (PSDB). Lideranças de bairro Carlos Luiz Strapazzon também observou, no último pleito, um movimento "novo"nas bases eleitorais de Curiti ba. As lideranças de bairro, "tradicionalmente cooptadaspor candidatos, partidos e grupos políticos" revela o analista "lançaram-se elas próprias como candidatos a verea dor". A nova lógica dos "cabos eleitorais" de bairros, vilas e comunidades é a seguinte: por que trabalhar para caciquespolíticos quando se pode lan çar uma candidatura própria?O que pode estar ocorren do, presume o professor, éque essas lideranças comuni tárias estão se alinhando com o senso comum do eleitorado que já sabe que, na maioriados casos, os candidatos "oficiais" só aparecem nos bair ros em época de campanha. "É movimento curioso", diz o especialista, "e positivo". Caso essa "tendência" decandidatura própria, autóctone, se confirme nos principais bairros da Capital do Es tado, avalia, a composição daCâmara Municipal de Curitiba tende a mudar. Esse movi mento, para Strapazzon, caso se repita sistematicamente Romanelli recebe a visita de oito prefeitos eleitos DIVULGAÇÃO Composição da Câmara Municipal foi bastante renovada este ano REPRODUÇÃO