C M Y K DIAADIA 8 E-mail: diaadia@gazetadoparana.com.br Telefone: (45) 3218-2539 Sexta-feira, 10/10/2008 - Paraná - GAZETA DO PARANÁ FRANCIELLY HIRATA DA REDAÇÃO CASCAVEL Os casos de violência nas escolas, como os relatados pela série de reportagens da Gazeta do Paraná chamam a atenção dasociedade e especialistas, pois a insti tuição começa a desconfigurar, perder o verdadeiro sentido e papel. A AndréiaBeal, pedagoga e psicopedagoga espe cialista em neuropsicopedagogia, explicaque a violência das crianças e adolescen tes na escola é conseqüência de vários fatores, como a dificuldade financeira,a desestrutura familiar, a própria edu cação, a falta de limites. "Tem toda uma gama de motivos que desestrutura os educadores, pais e afeta as condições psicológicas das crianças", relata.Para a especialista, a responsabi lidade da violência dissipada pelos alunos na escola é dos próprios alunos, mas também do sistema de ensino, mas principalmente da família. "Os pais estão jogando a responsabilidade toda para a escola, mas eles devem participar da vida dos filhos, tanto na escola como fora dela. Mas, na escola também falta a disciplina que fale de moral cívica", reforça a psicopedagoga. A violência dentro da escola, tambémé explicada pela profissional como resul tado do que as crianças vivem nas suas casas, pois estão cada vez mais distantes de bons valores, da religiosidade e deafeto, o que resulta em pessoas caren tes. "Hoje com a correria, ninguém mais pára, ninguém conversa e nem olha no olho do outro. As crianças não recebem mais amor, carinho e isto faz falta, entãoprocuram preencher este vazio agre dindo o próximo", assegura. Beal relata ainda que nas casas, o que predomina é o materialismo e a violência, e não há como cobrar atitudes deferentes das crianças e adolescentes que crescerão no meio de valores distorcidos. "O ser humano não está mais sendo criadocom amor. Se em casa as crianças con vivem com a violência, se os pais só sabem resolver pela violência, é claro que ela irá passar isto para frente, é somente isto que aprendeu", assegura a especialista.A pedagoga relembra ainda que as fa mílias têm deixado os filhos muito livres, sem limites e compromissos. "Hoje se fala muito em liberdade, mas temos que saber viver com liberdade e diferencias da libertinagem, pois a liberdade tem que ter limites e a libertinagem não", complementa. Prejuízos As brigas, discussões, provocações, apelidos, intimidações e pressões nas escolas, sejam por parte dos alunos ou dos professores, resultam na vítimaprejuízos psicológicos, às vezes, irre paráveis. A especialista assegura que a criança pode ficar depressiva e sofrer com a violência."Primeiramente afe ta a auto-estima, vai começar a faltar aula e afetar o cognitivo", explica os efeitos da violência na escola.Segundo a psico pedagoga, a pressão forte que as crianças sofrem precocemente com as ameaças, fazem com que se calem paraevitar problemas maiores, mas afeta diretamen te o estado emocional davítima e consequentemente o aprendizado. "Ela vai apresen tar dificuldade de aprendizagem, poiscom medo e preocupada não con segue aprender", completa. Para aespecialista, fal ta para os alunos atualmente respeito ao próximo e saber o que é certo e errado."Eles precisam apren der a compartilhar omesmo espaço e res peitar as diferenças, como diz a frase de Mather Luther King. "Aprendemos a voar como os pássaros, e a nadar com os peixes, p o r é m o q u e a i n d anão aprendemos é vi ver e conviver como irmãos"", ressalta a psicopedagoga. AjudaPara a profissional, a ausência de es pecialistas nas escolas também dificulta a ajuda a estas criançase famílias, pois o cor reto é a procura por ajuda, mas reconhece a restrição financeirada maioria da popula ção, que impossibilitaa ajuda de profissio nal. "O psicopedagogo irá ensinar o caminhopara os pais, as atitu des que devem tomar.Este profissional de veria ter dentro das escolas par ajudar", conclui. As crianças precisam recuperar os valores cristãos e o amor nas famílias, afi rma especialista ESCOLAS Violência é a conseqüência "Violência na escola, é um resultado do que as crianças vivem nas suas casas" GAZETA DO PARANÁ Quem é o psicopedagogo? Os psicopedagogos são profissionais preparados para atender crianças ou adolescentes com problemas de aprendizagem, atuando na sua prevenção, diagnóstico e tratamento clínico ou institucional. A psicopedagogia estudao processo de aprendizagem e suas dificuldades, tendo, portanto, um cará ter preventivo e terapêutico. Preventivamente deve atuar não só no âmbito escolar, mas alcançar a família e a comunidade,esclarecendo sobre as diferentes etapas do desenvolvimento, para que possam compre ender e entender suas características evitando assim cobranças de atitudes ou pensamentos que não são próprios da idade. Terapeuticamente a psicopedagogia deveidentificar, analisar, pla nejar, intervir atravésdas etapas de diagnósti co e tratamento.