"Circo dos Objetos" foge do tradicional picadeiro e apresenta grande brincadeira BISS 3 SEXTA-FEIRA, 10/10/2008 l biss@gazetadoparana.com.br l (45) 3218-2527 biss PRÊMIO C M Y K Le Clézio ganha o Nobel de Literatura Escolha do francês não escondeu um viés anti-segregacionista da Academia Sueca. Autor recebeu a notícia em Paris SEM-TETO Comédia mostra coelhinha da Playboy DA FOLHAPRESS - SÃO PAULO Outra estréia da semana fica por conta da comédia "A Casa das Coelhinhas'", que chega aos cinemas hoje. Estrelado por Anna Faris, conhecida pelo filme "Todo Mundo em Pânico 4", o longa conta a história de uma mulher que é expulsa da mansão da "Playboy" por ser considerada velha demais para ser coelhinha da revista. Em crise e semfamília, Shelley vai morar em uma repúbli ca decadente em uma universidade. Como não é aluna, ela precisa se tornardiretora para viver lá. Novamente, o fantas ma de não ter um teto passa a assombrá-la.A direção é de Fred Wolf e o roteiro, de Karen McCullah Lutz e Kirsten Smith, de "Le galmente Loira". Hugh Hefner, idealizadore editor da "Playboy", faz uma rápida apari ção no filme. DE NIRO E ALPACINO Atores fazem jogo do gato e rato LEANDRO CÉSAR SILVA DA FOLHAPRESS - SÃO PAULO Em cartaz a partir de hoje nos cinemas, "As Duas Faces da Lei", dirigido por JonAvnet, é daqueles filmes em que o espec tador é levado para um desfecho e, na hora H, surpresa! Não é nada daquilo quevocê estava esperan do. A trama gira em torno dos detetives David Fisk (Al Pacino)e Thomas Cowan (Ro bert de Niro). Parceiros há 30 anos, eles são chamados para investigar a morte de um cafetão e, junto ao corpo, encontram um poema que justifica o crime. A partir daí, uma série de assassinatos acontece, e eles têm a certeza de que se trata de um "serial killer".Também fazem parte do elenco os atores Carla Gugino e John Leguizamo, conhe cido do público pelo filme "Moulin Rouge". DIVULGAÇÃO Mesmo com um roteiro recheado de cenas de ação e suspense, aliado a uma história cheia de reviravoltas, o filme não foi bem nos Estados Unidos. Desde o lançamento, em 12 de setembro, até agora, arrecadoupouco mais da metade do orçamento ori ginal, que foi de US$ 60 milhões. Uma pena, já que "As Duas Faces da Lei" é um filme que prende a atenção do espectador e vale cada centavo pago no ingresso. UBIRATAN BRASIL DA AE - SÃO PAULO O tom político voltou a nortear o Prêmio Nobel de Literatura desteano, anunciado quarta-feira na Suécia ­ se não veio com a pesada car ga que marcou a eleição do turco Orhan Pamuk em 2006, a escolha dofrancês Jean-Marie Gustave Le Clé zio, de 68 anos, não escondeu umviés anti-segregacionista da Acade mia Sueca, que justificou a decisão por ser Le Clézio um "escritor da ruptura, da aventura poética e do êxtase sensual, explorador de umhumanismo que está além da soci edade dominante". Ele estava em Paris, quando foicomunicado da vitória. O telefonema, aliás, dos membros da Academia Sueca foi atendido por sua mu lher, pois Le Clézio estava lendo e escrevendo. De fato, os personagens de Le Clézio, o primeiro autor nascido na França a ganhar Nobel desde 1985quando venceu Claude Simon (o escolhido de 2000, Gao Xingjian, nas ceu na China mas se naturalizoufrancês), vivem em meio a preconceitos e intolerâncias, buscando espaço em mundo em que a globali zação não é usufruída por todos. Tal opção faz jus à sua própriahistória ­ descendente de uma fa mília da Bretanha que emigrou para a Ilha Maurício, no Oceano Índico, no século 19, Le Clézio nasceu em Nice, na França, em abril de 1940, mas viveu em diversos lugares,sempre atrás dos pais. Essa movi mentação incentivou também uma precoce carreira literária: quando o pai, que era médico, foi designadopara a Nigéria, ele escreveu, no barco que os conduzia, suas duas pri meiras obras, "Un Long Voyage" e"Oradi Noir". Detalhe: ele tinha ape nas 7 anos. A estréia profissional aconteceu mais tarde, aos 23 anos, quando publicou "Le Process Verbal". Nessa época, Le Clézio já era formado em literatura e filosofia e se preparava para morar em diversos lugaresdo mundo, onde daria aulas. O estilo aven de ser, de andar, de comer, dedormir, de amar e até de so nhar", disse.Não é de se estranhar, assim, a influência de "Os Sertões", de Euclides da Cunha, especialmente na obra "A Quarentena" (Companhia das Le tras), baseada em uma história verdadeira. "Euclides também narra uma experiência extrema passada na vida real", disse o escritor ao jornal "O Estado de S Paulo", em 1997. Desagrado dos EUAO anúncio do Nobel de literatura para o francês Jean-Marie Gustave Le Clézio não arrefeceu o clima de desagrado en tre o secretário permanente daAcademia Sueca, Horace Eng dahl, e a comunidade literária norte-americana. Na semana passada, Engdahl disse numaentrevista que os Estados Uni dos são um país muito insular e ignorante para competir coma Europa como o centro literá rio mundial.O contra-ataque foi imedi ato ­ David Remnick, diretor da revista "New Yorker", insinuouque, se há ignorantes no mundo literário, eles estão na Aca demia Sueca que, ao longo desua história, não premiou gran des nomes como Proust, Joyce ou Nabokov. Também a U.S.National Book Foundation enviou uma lista com autores de primeira li nha."Fiquei muito surpreso com uma rea ção tão violenta", disse Engdahl, após o anúncio de Le Clézio. "Não pensei ter ditoalgo depreciativo. Creio que minhas decla rações foram generalizadas demais." Indagado se teria opinião sobre comoseria recebido o Nobel para Le Clézio, o se cretário respondeu negativamente. "Nãoestou certo que ainda exista um sentimen to contra os franceses nos Estados Unidos", afirmou Engdahl, lembrando ainda que Le Clézio vive em Albuquerque, no Estadoamericano do Novo México. "Ele é um homem cosmopolita e conhece muitas regi ões do mundo."Foi com tal conhecimento da diversidade, aliás, que Le Clézio se destacou neste ano, afirmou Engdahl, especialista em li teratura francesa e tradutor para o suecode escritores como Maurice Blanchot e Jacques Derrida. "Ele passou por diversas fa ses de desenvolvimento em sua carreira de escritor, incorporando culturas de outras civilizações e não apenas ambientando suas histórias no Ocidente", comentou.Por conta disso, ele acredita que Le Clé zio não deve ser considerado apenas umautor francês, do ponto de vista estrita mente cultural. O escritor não constava nalista dos principais favoritos este ano ­ en cabeçada pelo italiano Claudio Magris ­, como já ocorreu em 2007 com a britânica Doris Lessing e há 4 anos com a austríaca Elfriede Jelinek, uma escolha ainda mais inesperada. Le Clézio é autor de cerca de 50 obras, principalmente romances, mas também ensaios e livros infantis, nos quais revela ogosto pelas viagens, a sensibilidade ecoló gica e o amor pela cultura ameríndia e pelo México.Seu primeiro romance, "Le Procès-Ver bal" (1963), causou sensação: partindo das últimas conseqüências do existencialismo e do nouveau roman, Le Clézio conseguiu"resgatar as palavras do estado degenerado da linguagem cotidiana e a elas devol veu a força para invocar uma realidade existencial". tureiro, portanto, marcou sua obra, como no período em que viveu em meio a índios no México e Panamá, em 1970. "Essa experiência mudou minha vida, minhas idéias sobre a arte, minha maneira FOTOS: DIVULGAÇÃO