POLÍTICA 3 GAZETA DO PARANÁ - Sexta-feira, 10/10/2008 - Paraná E-mail: politica@gazetadoparana.com.br Telefone: (45) 3218-2534 Para alguns é cedo, para outros necessário OPINIÃO DIVIDIDA RETRANCA DA AGÊNCIA BRASIL BRASÍLIAA preferência do presidente Lula por uma eventual can didatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República, em2010, divide a opinião de polí ticos da base do governo. No próprio PT há divergências quanto à oportunidade de se lançar o nome da ministra dois anos antes das eleições, comodeclarou o ministro da Justi ça, Tarso Genro. O senador Delcídio Amaral(PT-MS) afirmou que a declaração do ministro não lhe sur preendeu. Apesar de tambémser um defensor da candidatura de Dilma Rousseff, o sena dor considera que seria maisprudente esperar o fim das elei ções municipais para só entãocomeçar o debate com os partidos aliados. Essa não é a opi nião, entretanto, de petistascomo o primeiro vice-presi dente do Senado, Tião Viana (AC), a líder do partido, Ideli Salvatti (SC), e do governador de Sergipe, Marcelo Déda.Viana, por exemplo, afirma que "é tempo de o PT começar a especular seus nomes". Ele ressaltou que alia dos como o PSB já fizeram issoao colocar o nome do depu tado Ciro Gomes (CE) comoum virtual candidato à Presi dência da República em 2010.Viana acrescentou que a an tecipação do nome de Dilma Rousseff como uma possível candidata do presidente em nenhum momento o fragiliza perante os aliados.Já a líder do PT no Sena do disse "não ter qualquerdúvida" de que Dilma Rousseff sempre foi o nome prefe rido de Lula para a sucessão presidencial de 2010. Ela não quis comentar, no entanto, se este seria o momento certo para o lançamento de uma candidatura. "Agora, que elasoube aproveitar essas campanhas municipais, ela sou be. Ela é uma menina que aprende rápido", afirmou a senadora. Para Ideli, ao fortalecer o nome de Dilma Rousseff, o PTmarca posição perante os partidos da base aliada, especi almente o PMDB, que a seuver "foi afoito" ao fechar questão sobre o nome do deputa do Michel Temer (SP) para aPresidência da Câmara e tam bém ao falar em candidatura própria para a Presidência da República em 2010. "Cronograma"O governador de Sergi pe, Marcelo Déda, com quem Lula tem laços antigosde amizade, foi na mesma li nha do colega Tião Viana. Para ele, "na política não hámomento nem existe um cronograma para se lançar can didaturas". Destacou que José Serra (PSDB) "é candidato àPresidência da República desde 2006, quando se elegeu governador de São Paulo. "Ago ra, uma candidatura não sefaz pela vontade de seus apoiadores. É preciso, no momento adequado, fazer as avaliações", ressal vou Déda.Quan to a possíveis conseqüênciasna relação de Lula com os par tidos da base, especialmente com o PMDB, Marcelo Déda é de opinião que a divulgaçãode uma preferência do presidente não afetará a aliança es tabelecida. "É preciso separaras coisas. Uma coisa é a ma nutenção da governabilidade e do apoio institucional aopresidente. Se tivermos juntos, ótimo", destacou o gover nador quanto a uma eventual aliança entre as duas maiores legendas, o PMDB e o PT. Momento erradoO líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), pon dera que este não é o melhor momento para se falar sobre sucessão presidencial. "Tem que deixar para mais adiante,isso precisa acontecer naturalmente", acrescentou. On tem, o peemedebista afirmou que "o PMDB, como o maior partido do Brasil, tem sempree vai sonhar com a candida tura própria à Presidência da República". Com mais prudência, elepreferiu não entrar no mé rito das declarações do ministro da Justiça. "Não posso questionar, o Tarso tem o partido dele e eu sou doPMDB". Disse, no entanto, que na quarta feira, no jantardos peem e d e bistascomo presidente Lula, no Pa lácio da Alvorada, DilmaRousseff e Tarso Genro esta vam presentes e o assunto foi discutido. Só em 2009 O líder do PR na Câmara, Luciano Castro (RR), é outroque não quer saber de suces são neste momento. Para ele, o tema não cabe agora e só deveria ser tratado em 2009."Acho que é prematuro estan do ainda no segundo turno daeleição municipal e uma derrota de Marta Suplicy (candi data petista a prefeitura de São Paulo) pode significar umagrande perda para o PT", ava lia o parlamentar.Castro ressaltou que a su cessão presidencial sequer foi conversada com os partidos da base aliada."Pelo que eu sei, o ministro das Relações Institucio nais é o José Múcio e não o Tarso Genro", afirmou. Paraele a preferência pela candi datura de Dilma Rousseff émais do ministro Tarso Genro e do PT do que uma vonta de de Lula. Começar cedoA deputada Luciana Gen ro (P-SOL-RS), filha de Tarso Genro, ponderou que se opresidente Lula pretende fazer de Dilma Rousseff sua su cessora terá que "começar a campanha cedo". A seu ver, a ministra não éconhecida pela população su ficientemente para emplacar em 2010 na Presidência da República. "A caminhada será árdua para fazer da Dilmauma figura popular. Ela nunca disputou eleição e é des conhecida", avalia. PT manda aviso ao PMDB que não abre mão CABEÇA DE CHAPA DA AGÊNCIA ESTADO BRASÍLIAO PT reagiu mal à movi mentação do PMDB para lançar candidato próprio à presidência da República,em 2010, ou no mínimo participar diretamente da escolha do nome que irá disputar a sucessão do presiden te Luiz Inácio Lula da Silva. Doze horas depois dojantar no Palácio da Alvora da, em que a cúpula do PMDB apresentou a Lula osnúmeros que traduzem o cacife político obtido nas ur nas, o PT avisou que nãoabre mão de indicar um pe tista para o Planalto."O presidente Lula con tinua querendo o PMDB na aliança em 2010. Mas não como cabeça de chapa. Aí é demais", protestou a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti(SC). "Agora, sonhar não cus ta nada. Quando a mosca azul pica é o caminho para fazer bobagem", ironizou. "Coadjuvante"O problema é que a ad vertência do PMDB ao PT, de que não aceitará papel de "coadjuvante" na sucessãode Lula provocou uma reação em cadeia na base go vernista. Os outros partidosaliados que também cresce ram na disputa municipal, aproveitaram a "deixa" dos peemedebistas para avisar que não ficarão "a reboque" do PT em 2010. "O PMDB está certo e PSBtambém não quer ser coadjuvante na sucessão presidencial", disse o líder socialista no Senado, Renato Ca sagrande (ES), ao lembrar que seu partido é o único dabase aliada que já apresen tou um nome para a cadeira de Lula. Referiu-se ao deputado Ciro Gomes (PSB-CE) que, embora tenha fracassado noprojeto de eleger sua ex mulher e senadora Patrícia Saboya (PDT-CE) prefeita de Fortaleza, também está no páreo como candidato. Não só pelo "recall" de ter sidoduas vezes candidato à pre sidência, ainda pelo PPS, como também por colher,por tabela, o bom desempe nho do conjunto do PSB na disputa municipal. Popularidade "Se o presidente Lulanão tivesse 70% de popularidade, seria impossível ad ministrar essa base de 14 partidos", avaliou o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.Ele entende que a dispu ta pelas prefeituras é a "pioreleição para o governo" por que, além de o Planalto ter de administrar os aliadosque voltam fortalecidos pelos votos conquistados, ain da tem que lidar com as queixas dos derrotados, que retornam a Brasília cheios de mágoas e dívidas de campanha para pagar. De fato, nem o PTB de Múcio escapa à regra dos"governistas que voltam vitaminados pelas urnas", ávi dos por demonstrar a novaforça ao governo. "Cinco mi lhões de votos decidem uma eleição presidencial e cinco votos no Senado definem uma votação de interessedo governo", afirmou o senador e vice-presidente na cional do PTB, Gim Argelo (DF), ao citar o número devotos nestas eleições e nú mero de senadores (5) que têm mandato até 2014 e, portanto, serão importantes para o próximo governo, seja ele quem for. SUCESSÃO PRESIDENCIAL Lula quer Dilma candidata em 2010 Genro apenas confirmou especulações em torno da ministra DA FOLHAPRESS BRASÍLIAO ministro da Justiça, Tar so Genro, afirmou ontem queo presidente Lula vai defen der junto ao PT a indicação da ministra-chefe da Casa Civil,Dilma Rousseff, para repre sentar a legenda nas eleições presidenciais de 2010. Ele se excluiu da disputa ao dizerque, como membro do gover no, deve "respeitar a escolha do presidente''. E reconheceu que essa escolha é visível: "É a ministra Dilma". "Tenho uma avaliação, por uma série de sinais, queo presidente já fez uma escolha, que vai propor ao parti do. E eu, como membro dogoverno e subordinado poli ticamente ao presidente, devo respeitar a escolha dele. E acho que é uma escolha boa, que tem condições de ser acolhida pelo partido efazer uma grande campa nha'', explicou. Primeiro turno O ministro ainda fez um balanço do primeiro turno das eleições municipais, com o auxílio, em alguns municípios,de tropas federais. "Como mi nistro, recebi um relatório da PF [Polícia Federal] e, salvoalgumas regiões com instabilidade mais grave e mais sé ria, as eleições transcorreram num ambiente excepcional. AJustiça Eleitoral está de parabéns e a PF sempre esteve disponível, inclusive estará instalando um série de inquéri tos para investigar e punirpessoas que tiveram compor tamento ilegal". Sobre o desempenho do PT, seu partido, Tarso afirmouque a legenda "saiu fortalecida nas grandes regiões me tropolitanas e aumentou emaproximadamente 30% o número de prefeitos, o que reforça a continuidade do projeto representado pelo presi dente Lula". Tarso Gernso confirmou o que todos especulavam ABR Lideranças divergem sobre "lançamento precoce" de Dilma Rousseff à sucessão presidencial ABR