Pedro Rodrigues Neto Pato Branco Um dos setores quemais crescem no Brasil é o da construção ci vil. Porém, o volume de obras encontradasem Pato Branco, por exemplo, nem de lon ge reflete os índices de geração de emprego.Para se ter uma ideia, no primeiro semestre de 2009 foram gerados apenas 111 no vos postos de trabalho e a retração do setor em comparação ao semestre anterior foi de 61,06%. Dentro desse contexto, a perguntaque fica no ar é a de como um setor tão for talecido e ativo gera tão poucos empregos. A resposta veio das entidades sindicais ligadas aos trabalhadores da área.De acordo com a Fetraconspar (Fede ração dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário do Estado doParaná), a informalidade no setor de construção civil chega perto dos 50% no Para ná. Segundo o diretor da Fetraconspar esecretário do Sintracon (Sindicato das In dústrias da Construção e do Mobiliário) de Pato Branco, Leandro de Freitas, os índices de informalidade no município são de pelo menos 40%. O Sintracon revela também que com o crescimento das construções de pequeno porte, fruto da expansão habitacional, não fica difícil encontrar os "gatos" (mestres deobras e pedreiros profissionais que conse guem licença de empreiteiro para executar pequenas obras) atuando em loteamentos da cidade. "Esses profissionais estão dentro da legalidade, mas o problema não é esse. Aprática deles é contratar quatro, cinco aju dantes para erguer a obra, sem registro em carteira", explicou Leandro. FiscalizaçãoPara tentar diminuir os índices de infor malidade no setor, o Sintracon realiza visitasperiódicas às obras, fiscaliza e notifica as irregulares. Mesmo assim o trabalho não rende o que deveria. "Temos dois fiscais na Jus tiça do Trabalho o que inviabiliza uma ação rápida", explicou o sindicalista. A pedido da reportagem do Diário doSudoeste foi realizada uma pequena vistoria em obras da cidade e já na primeira o retrato da informalidade. Três homens traba lhavam na obra, nenhum deles tinha registroem carteira. "Prefiro trabalhar assim é mui to melhor. Se eu estivesse registrado estariaganhando R$ 800,00 mas sem a carteira assinada eu recebo até R$ 1.800,00 por mês", ex plicou o carpinteiro Celmar dos Santos, 30.O mestre de obras da construção, Vil son Viacelli, 53, disse que chega a faturar até R$ 3.700,00 por mês em obras como a que trabalha no momento. Ele afirma que nada no local está irregular, nem mesmo a falta de registro. "Eu pago meus encargos por conta", justifica. Porém, a dos contratados da obranão, e segundo Leandro, outras irregularida des foram observadas. "Não vemos aqui os itens básicos de segurança como capacetes e luvas e o alojamento dos funcionários não atende às necessidades básicas". O retrato é o mesmo em diversos bairros da cidade, ondeloteamentos surgem todos os meses. "É muito difícil porque eles estão em todos os luga res, tomaram conta das obras. Além disso,a carga tributária para se registrar um fun cionário desse só fortalece a informalidade", dispara Leandro. Segundo informações das entidades,embora esses profissionais assumam ga nhos maiores do que com carteira assinada, nem todos conseguem esses rendimentos."Não é difícil eles procurarem o sindica to depois requerendo seus direitos. O queesse profissional tem que tomar consciên cia é de que ele não tem direito a férias, 13ºsalário, fundo de garantia e, em caso de aci dente, não está amparado pelo INSS. Se ele se acidentar, quem vai responder é o dono da obra, quem contratou esse trabalhador",concluiu Lendro dizendo ainda aos profis sionais que não tenham medo de procurar o sindicato e fazer denúncias. O telefone é o 3025-5337. A6 26 de agosto de 2009 G eral Prefeitura doa terreno para construção de nova sede do Senac "Se eu estivesse registrado estaria ganhando R$ 800,00, mas sem a carteira assinada eu recebo até R$ 1.800,00 por mês" Celmar dos Santos, 30 anos, carpinteiro Pedro Rodrigues NetoPato Branco Foi assi nado na manhã de ontem o termo de doação do terreno para a construção da novasede do Senac em Pato Bran co. O terreno foi cedido pela prefeitura e as obras deverãocomeçar em 13 meses, segundo foi informado duran te o ato.O repasse da área aconteceu no gabinete do prefei to Roberto Viganó e contoucom a participação de vere adores e lideranças do setordo comércio local e estadu al. O diretor do Senac, Edson Marques, disse que a entrega da nova sede, ainda sem data definida, vem ao encontro das necessidades da entidade que cresceu muito nos últimos anos. "Hoje o Senac cresceumais que sua capacidade física, oferecemos cursos gra tuitos, atendemos pessoas de baixa renda com qualificação profissional, sem esquecer doatendimento aos funcioná rios do comércio", explicou.Por sua vez, o prefei to Roberto Viganó disse que a entrega do terreno comquase 5.000 metros quadrados revela mais uma iniciativa do poder público na qua lificação de mão-de-obra. "Com isso seguimos dandoprioridade aos trabalhado res daqui na hora de buscara vaga no mercado de traba lho. Não podemos evitar que pessoas venham de fora, mas podemos gerar condições de que a nossa mão-de-obraseja cada vez mais competi tiva", concluiu. O Senac cresceu mais do que sua estrutura física. Temos o compromisso de qualificar a mão-de-obra, atendendo inclusive pessoas de baixa renda" Edson Marques, diretor do Senac Informalidade dispara na construção civil Celmar dos Santos aposta na informalidade para melhorar o rendimento Entrega foi oficializada no gabinete do prefeito