A3 26 de agosto de 2009 P olítica RUTH BOLOGNESE Contato ruthbolognese@terra.com.br Plateia sem ação Ontem, durante a Escolinha de Governo, o governador Roberto Requião falou durante 11 minutos para um microfone com defeito quenão transmitia som nenhum. A plateia, composta por funcionários públicos, deputados e admiradores, permaneceu como sempre: paralisada de medo. Sobre um episódio tão banal como esse, é possível ti rar várias conclusões. A ver: 1) O governador Roberto Requião fala para ele mesmo e não se importa se seus subordinados ouvem ou não; 2) Os subordinados a Roberto Requião passaram os últimos seteanos sem ouvir nada do que o governador fala e, por isso, sequer no taram a ausência do som; 3) A plateia inteira dormia. Nos últimos sete anos; 4) O governador estava sonhando e nem se ligou que a plateia dormia; 5) O lema secreto dos subordinados estaduais na Escolinha é: "melhor ser surdo do que ouvir isso toda terça-feira". 6) Ninguém chamou a atenção para o silêncio porque, por umaquestão de autopreservação, o primeiro escalão do governo do Para ná já aprendeu leitura labial;7) Equipe participativa é isso aí: não é preciso ouvir. Basta par ticipar e; 8) Uma imagem, afinal, vale por mil palavras! O Primeiro SegredoNa tarde de ontem a versão oficial era de que, durante os dez mi nutos em que falou sozinho, o governador Roberto Requião revelou ospormenores do Primeiro Segredo que ele mantém a sete chaves des de a conversa com o presidente Lula em Brasília na semana passada. E que promete revelar só em março do ano que vem, o que provocará uma reviravolta no resultado das eleições. Como a plateia dormia, ninguém ficou sabendo de nada. Os outros SegredosOs outros dois Segredos (segundo a tradição iniciada pelos por tuguesinhos de Fátima, são sempre três no total), serão revelados emsequência, em datas consideradas estratégicas. O Segundo no aniver sário do secretário de Comunicação, Benedito Pires, e o Terceiro no aniversário do secretário dos Transportes, Rogério Tizzot. Mas só daqui a cem anos. Definição perfeita Mas nenhuma definição supera a do colega Luiz Geraldo Mazza,na rádio CBN, sobre a falha do microfone durante o discurso do gover nador: "foi um Direito de Resposta do equipamento. Tudo dominadoBem, então, já temos os candidatos ao governo em 2010 defi nidos, com Osmar Dias, (PDT), Beto Richa (PSDB) e Orlando Pessuti, (PMDB) na cabeça. Já temos os candidatos ao senado, com Roberto Requião, (PMDB), Gleisi Hoffmann (PT), Ricardo Barros (PP), Gustavo Fruet (PSDB) e Abelardo Lupion (DEM), também definidos.E, que mal pergunte, o que todo esse povo todo vai fazer nos pró ximos 13 meses, ou seja, até o dia da eleição? Mesmo assuntoPara ter assunto, os candidatos vão escolher seus próprios ter nos, ou vestidos, depois os vices e suplentes e vão ficar falando maluns dos outros. Alguns, dois ou três, vão fazer também curso de cha pinha (alisamento capilar) por correspondência, e aprender inglês. Dá tempo para tudo e mais um pouco. Agora, manter o interesse do eleitor, aí não vai ser bolinho. Sem palavras Até agora não se ouviu uma palavra da boca do senador Alvaro Dias, PSDB, sobre as candidaturas ao governo que saíram do armário. Não falou nada ainda porque simplesmente não tem o que dizer. Nada do que foi combinado com ele, como esperar resultado de pesquisas e jogar o assunto para o começo do ano que vem, foi cumprido. Nem pelo partido dele, o PSDB, nem pelo irmão, senador Osmar Dias. Gente nossaO prefeito Beto Richa anda dizendo por aí que 14 dos 18 deputa dos do PMDB na Assembleia Legislativa do Paraná estão "fechados" com a candidatura dele ao governo do Estado. Em compensação, quatro dos sete deputados tucanos estão com o governo Requião desde sempre. E no maior descaramento. Motivo forteNão é por nada , não, mas os altos funcionários da Receita Fe deral que pediram demissão por conta da questão Lina Vieira x Dilma Rousseff, devem ter lá seus grandes motivos. Deixar um emprego que se conquista com tanto esforço, e por concurso público, com alto salário, hoje em dia, só por uma questão de vida ou morte. Ou por uma solidariedade realmente messiânica. Pelo interior Londrina, Maringá e São José dos Pinhais deixaram Curitiba pra tráscomo cidades paranaenses com melhores índices de crescimento no Es tado, segundo pesquisa da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro. Aqui em Curitiba, a prefeitura informa que não foi a capital queperdeu posição, mas as três outras que se superaram. É a arte da ca botinagem em sua maior expressão. Daltônicas De pedra sobre pedraNo começo era só uma lembrancinha, mas aos poucos o pedrei ro foi recolhendo e trazendo para Curitiba aquelas pedras claras que se espalham ao pé da Serra do Mar.Hoje, já cobriu toda a parede da frente da casa onde mora. E so nha "apedrejar" o muro inteirinho. Só tem medo de ser preso "por esse povo que protege a natureza". AgênciasCuritiba - O deputado federal André Vargas (PT) co brou na segunda-feira um passo à frente do senador Osmar Dias (PDT) em direção a um acordo com o PT. Em visita à Assembleia Legislativa, Vargas disse que a decisão do PSDBde assumir que tem dois pré-candidatos ao governo, o pre feito Beto Richa e o senador Alvaro Dias, pode aproximarOsmar de uma composição com o PT, mas que esse proces so não é automático. Para Vargas, Osmar tem que dar um sinal mais visíveldo seu interesse em ser candidato ao governo numa aliança com o PT. "Política é feita de sinais concretos. Não de sinais dúbios. O que pensa o senador Osmar Dias?", questio nou o petista. Ele acha que o senador pedetista poderia começar seu interesse em ter o apoio do PT no Paraná mostrando que tem a disposição de oferecer seu palanque à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à presidência da República. "Até hoje, ele não deu sinais de apoio à Dilma. Ele precisa fazer um movimento político real. Jogar truco com quem não dá sinal é a pior coisa do mundo", afirmou. A relação do PDT com a administração do prefeitoBeto Richa também merece uma nova posição do senador, disse Vargas. "O PDT vai continuar na base do go verno do Beto Richa na Câmara de Curitiba? O PDT vai continuar ocupando cargos no governo do Beto Richa?", inquiriu o deputado federal do PT. Tão longe, tão pertoApesar das reticências de Osmar em relação ao PT, Vargas acha que o partido está caminhando mais rapidamente para o palanque de Osmar do que para Orlando Pessu ti (PMDB) à sucessão. "Nós temos mais afinidades com oPessuti, mas reconheço que estamos mais próximos do Os mar", afirmou. Não há surpresa nas posições de Vargas sobre o esforçodo PT em atrair o senador pedetista para um acordo eleitoral em 2010. Vargas integra um grupo de petistas que consi dera mais natural a repetição de uma aliança com o PMDB do que uma composição com o PDT.Para Vargas, as relações entre PMDB e PT são mais efe tivas. "O que nós temos de concreto hoje é que nós temos uma aliança no governo. E política se faz no dia a dia, não apenas esperando 2010 chegar", afirmou. Mas ao contrário da direção estadual do PT, Vargas não acredita que é possível conciliar o apoio à candidatura de Osmar ao governo com a aliança com o PMDB. Ainda quetenha prometido apoio à ministra da Casa Civil, o gover nador Roberto Requião já disse ao presidente Lula que não apoia o senador pedetista e que está mantida a candidatura de Pessuti ao governo. "O Pessuti vai ser governador no anoque vem. Não tem justificativa para não ser candidato ao go verno", conformou-se Vargas. André Vargas exige definição de Osmar Dias AgênciasCuritiba - O PSDB de verá ter candidato ao Senado e o deputado Gustavo Fruet é quem está mais cogitado no ninho para a disputa. Fruetconversou ontem com os de putados estaduais e deles sóescutou palavras de estímu lo. Em troca, ele garantiu queestá disposto a encarar a dis puta de uma das vagas. O deputado federal dáa largada com um apoio im portante, o do prefeito BetoRicha. Dessa forma, portanto, já existe uma grande quan tidade de pretendentes para disputar duas vagas. Requião, do PMDB, Gleisi Hoffmann, do PT, Ricardo Barros, do PP, Abelardo Lupion e João Elísio, do DEM, Flávio Arns, sem partido, e Fruet pelo PSDB, são os nomes e partidos. Diante de uma penca decandidatos e após os acontecimentos da política nacio nal que incluem o desgaste do Senado, dos senadores epolíticos que têm perfil se melhante ao de José Sarney, do PMDB, é possível que hoje ninguém, nem mesmo calejados analistas políticosse arrisquem, com convicção, a afirmar os nomes fa voritos para ganhar a eleição.Murilo Hidaldo, da Paraná Pesquisas, um dos pes quisadores mais respeitado do Estado, andou buscando a opinião dos paranaenses e constatou que os candidatosque se julgam eleitos por an tecipação devem abandonara soberba e trabalhar dobra do para evitar surpresas. O eleitor, ao que tudoindica, parece estar dispos to promover uma renovação dos políticos nativos nuncavista no Estado. Para o Sena do, principalmente, cresce a predisposição a eleger quemnunca foi, pois também existe uma crescente desconfian ça de que quem hoje está nopoder estadual ou predomina em nichos como o Sena do da República precisa ser substituído.Assim, se essa tendência se confirmar, vai favorecer candidatos como Gus tavo Fruet, do PSDB, GleisiHoffmann, do PT, e até mes mo Flávio Arns, sem partido, que cresceu na preferência popular desde que se colocoufrontalmente contra a blinda gem do governo federal quesalvou José Sarney de investi gações sobre corrupção. Mas para Hidalgo, isso não quer dizer que Requiãoesteja fora do páreo. O go vernador tem as vantagensde comandar a máquina administrativa do Estado, dis tribuir ônibus escolares e outras benesses ao povo, e de aparecer diariamente na TV oficial. Mas ele próprio deve ter consciência de que a parada não será tão fácil. Gustavo Fruet está cogitado para disputar o Senado Fruet já conta com o apoio do prefeito Beto Richa