Rafael Barzotto Palmas ­ Com a federalização do Unics (Centro Universitário Católico do Sudoeste do Paraná) toda a região sai ganhando. Mas uma parcela da população do Sudoeste está com um sorriso maior ainda estampado na face: os próprios alunos da instituição, que a partir do próximo ano não precisarão mais pagar pelo ensino superior.Não precisar pagar resolve, também, ou tro problema enfrentado pelas universidadesparticulares de todo o país: preencher o número de vagas. O Unics, como outras faculdades particulares do Sudoeste, também en frenta problemas de vagas ociosas. Hoje, o Centro Universitário Católico do Sudoeste do Paraná possui 60% das vagas ocupadas. "Este número de vagas está de acordo com a realidade nacional. O Unics não estáfederalizando porque estava mal das per nas. Nada disso. Nossa instituição é solida.Todos nossos cursos são aprovados e reconhecidos. Só que o Governo Federal tam bém tinha interesse na nossa instituição pela estrutura que nós temos", afirmou a reitora do Unics, Ivania Marini Piton. E ela está correta. De acordo com o MEC (Ministério da Educação), de 1991 a 2007 o número de vagas nas universidadesbrasileiras aumentou 446%. Contudo, ape nas metade dessas vagas foi ocupada. De acordo com o Censo da Educação Superior do Ministério da Educação, a ociosidadeconcentrou-se, quase que em sua totalida de, nas instituições particulares de ensino. No ano de 2007, para se ter uma idéia, em todo o país 1.341.987 vagas ficaram ociosas. O Censo não traz informações específicas sobre os Estados. Mas em toda a região Suldo país 40% das vagas disponíveis em uni versidades estão ociosas.Na tarde de ontem, a equipe de reportagem do Diário do Sudoeste procurou algumas instituições privadas de ensino su perior da região. O objetivo era verificar a porcentagem de vagas ocupadas em cadauma destas instituições e o número de alu nos matriculados inadimplentes. Das dezinstituições procuradas pela equipe de re portagem, apenas quatro -- incluindo oUnics -- responderam ao questionamento sobre número de vagas ociosas. Basea do nestas instituições,dá para se dizer que onúmero de vagas ociosas na região Sudoes te gira em torno de 21% a 40%.A Faculdade Unilagos , em Mangueirinha, respondeu que 76% das vagas disponíveis estão preenchidas. Na Fadep (Facul dade de Pato Branco) são 71% das cadeirasocupadas. E na FAF (Faculdade da Frontei ra) 79% das vagas estão preenchidas.De acordo com a reitora do Unics, a faculdade não iria fechar caso não fosse federalizada. Mas Ivânia consente que o nú mero de vagas ociosas é um problema das instituições particulares. "O Unics não iria fechar se não virasse um instituto federal. Iríamos continuar com nossas atividades normais, com os cursos normais. Só que, por exemplo, este ano nós abrimos dois cursos novos. Provavelmente, reduziríamos o número de cursos que iam abrir, mas oUnics é uma insituição sólida financeira mente", rebateu a reitora. Segundo ela, o sonho da federalizaçãoé muito antigo e a primeira tentativa de tornar o Centro Universitário Católico do Su doeste do Paraná uma universidade públicaaconteceu há 18 anos, 1991. "O Unics bus cou a federalização porque era um anseioda comunidade local. Somos uma instituição comunitária, católica. Não é uma insti tuição privada com fins lucrativos. Somos,pelo contrário, uma instituição sem fins lu crativos. Então, por isso transformá-la em federal: para que as pessoas não precisem mais pagar", acrescentou. AjudaOutro problema enfrentado pelas fa culdades particulares está a inadimplência dos alunos. Só na Faculdade Unilados, por exemplo, a inadimplência atinge 40% dos alunos matriculados. A Faculdade de Pato Branco informou que a inadimplência na instituição gira em torno de 16,4%.Já a Faculdade da Fronteira não divulgou a porcentagem exata de alunos inadimplentes. No entanto, a diretora da FAF, Lu cila Teresinha Mai, informou que "não sãomuitos" os alunos inadimplentes e que a faculdade está sempre utilizando de estratégias para tentar negociar e renegociar as dí vidas antes da efetivação das rematrículas. O Unics também não divulgou números. Mas a reitora afirmou que a inadimplência na instituição é "normal como o das outras instituições". Para ajudar as instituições de ensino, oMEC e o BNDES (Banco Nacional de De senvolvimento Econômico e Social) criaramum programa de concessão de financiamento a instituição que apresentem bom desem penho acadêmico. O banco deve destinar R$ 1 Bilhão para essa linha de crédito. A20 25 de agosto de 2009 g ERal UNIVERSIDADES Vagas ociosas nas particulares da região giram em torno de 21 a 40% O unics passará a fazer parte da rede de institutos federais do Paraná