Daiana Pasquim Pato Branco - A história da frase "e saioda vida para entrar na história" ganha sentido sempre às 10h de todo dia 24 de agosto. Pelo menos para um seleto grupo de ge tulistas que, faça chuva ou sol, se reúne emtodos os aniversários da morte do presidente Getúlio Vargas, em frente a estátua recolocada na Praça Presidente Vargas, no cen tro de Pato Branco.O roteiro, Victor Hugo Ribeiro, 73, classifica como singelo. Como Boleslau Chispa, o descreveu em sua crônica do Cader no 2 deste domingo, do Diário do Sudoeste:"Um dos participantes da reunião diz algumas palavras sobre Getúlio. O outro lê a Car ta-Testamento e todos colocam flores ao pé do monumento. A cerimônia toda não duramais do que 15 minutos". Devido aos pou cos presentes, neste ano a carta não foi lida. "Todos já conhecemos de cor", justificou. Eles nunca combinam a reunião, e nemprecisam, já que os mesmos havendo tem po disponível vão espontaneamente. A cadaano, mais se acentua a baixa no efetivo. Neste, faltou o médico Paulo Falleiro, que morreu há alguns meses. Para equilibrar, o es forçado Nerci "Gaúcho" Gewehr, 82, foi de muletas, amparado pela sua filha Guilaer, superando o amortecimento nos pés paraprestar a honraria. A eles este ano se soma ram Cláudio Serena, 73, natural de Passo Fundo (RS); e Eurides Barcellos Marcondes, 76, natural de Carazinho (RS). "Sempre diminui o número de pessoas que vem aqui, mas não imaginava que vinhatão pouco", exclamou Victor Hugo, referin do-se inclusive, aos políticos do município. Ele, que mora na rua Iguaçu, conta que vem colhendo flores dos vizinhos pelo caminho até chegar a praça. O ritual é feito há mais de 20 anos. Quando questionado sobre como percebe aatenção dos estudantes de hoje para a histó ria de Getúlio Vargas e como interpretariam um ritual que homenageia o presidente queimplantou leis trabalhistas, o salário-míni mo, mas que também deu um tiro em seu próprio coração, Victor Hugo responde que poucos se importam. "Isso é uma satisfação pessoal nossa. Temos consciência de que ajuventude não se interessa por isso. O ídolo da juventude é Michael Jackson. Por enquanto. Logo vai ser esquecido também. Joga dores de futebol, corredores de baratinha, decorrida e políticos, artistas, cantores, o tempo vai apagando. Isso é uma defesa do orga nismo, compreende? A pessoa tem que fazer uma seleção do que guarda na cabeça". Comoa história é muito recente, Victor Hugo perce be que ainda não é ensinada na escola.A memória do também getulista Cláu dio Serena está marcada por alguns fatos: osalário-mínimo, o voto da mulher e o princi pal, a Petrobras, fundada por Getúlio. Assimcomo o presidente, Serena foi do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro). "Na minha opinião, considero até hoje, o melhor presiden te do Brasil". Assim como Serena, Nerci, o "Gaúcho" enumerou alguns fatos de sua juventude emque encontrou-se com o presidente. "Na minha juventude tive duas ou três oportunida des. Em Santo Angelo, quando eu tinha uns 16 anos, abracei ele". Outro fato que não seesquece é na época em que militava no es porte londrinense e o presidente chegou ao meio-dia e foi recepcionado no coreto, aocentro da praça de Londrina, onde discur sou após o cumprimento enfático: "Ele falou bem devagar: trabalhadores do Brasil e, nasequência, como tem mulher bonita em Lon drina", finalizou. A18 25 de agosto de 2009 g ERalPato Branco - Atos secretos, mensa lão, nepotismo, roubo de dinheiro público,hipocrisia, corrupção não são exclusivida des do Congresso Nacional de agora, mas já existiam na Era Getúlio. O getulista Victor Hugo Ribeiro nãocultiva a defesa de que na época que o líder gaúcho ocupou a presidência não existia corrupção. A diferença está na demo cracia, pois hoje os meios de comunicação são mais livres para denunciar as mazelas."Não dá para fazer uma comparação por que eram épocas completamente distintas. Eu tenho falado sobre esse assunto, sobrecorrupção, por exemplo. Agora a corrup ção é destacada porque a imprensa é ativa.A imprensa é atuante. Os meios de comuni cação são muito mais atualizados. Naquele tempo havia corrupção, havia `roubalheira', mas não havia imprensa ativa como é hoje. Não pense que é só agora que aparece essacorrupção. Sempre houve e talvez até fos se pior". Durante o ato na praça ontem, Victor Hugo fez uma denúncia e uma defesa: aprimeira é que a placa com o nome das autoridades no poder na época foi arranca da da estátua pelos vândalos, perdendo-se os azulejos originais da fazenda do próprio Getúlio, em São Borja (RS); e "na PraçaPresidente Vargas, a estátua de Getúlio de veria ocupar um lugar de destaque. Onde está esse mictório deveria estar o Getúlio", bradou. (DP) Na era Getúlio também havia corrupção Com baixas, getulistas relembram 55 anos de morte Getulistas desde a juventude: Cláudio Serena, Victor Hugo ribeiro e Nerci Gewehr (Gaúcho) Luana Borba