A11 25 de agosto de 2009 E conomia Agência EstadoSão Paulo - A safra de balanços de bancos do primeiro semes tre chamou a atenção pelo brutalaumento das reservas anticalo te, conhecidas tecnicamente comoprovisões. Nas cinco maiores ins tituições do país, o aumento foi dequase 80% em relação a igual período do ano passado. O movimen to, explicado pela disparada da inadimplência, causou um efeitocolateral. O lucro líquido dos cin co grandes - Banco do Brasil, ItaúUnibanco, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Santander Real caiu 13% no mesmo intervalo.Com o melhor cenário econômi co brasileiro, analistas creem que osbalanços voltarão a mostrar a realidade à qual o setor se acostumou nos úl timos anos: ganhos em alta. "Os lucrosdos bancos serão bem mais robus tos no segundo semestre", afirmou o analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu.Segundo ele, no primeiro se mestre, as instituições seguraram a concessão de crédito, ao mesmotempo em que elevaram as provi sões. Em outras palavras, fizeramum colchão polpudo para amor tecer o impacto do calote, mas em compensação, praticamente não emprestaram dinheiro novo, o que diminui o risco de perdas futuras. Com a economia voltando a crescer, conforme indicadores, a tendência é a inadimplência recuar. Isso vai abrir espaço para os bancos reverterem as provisões anterioresem lucro ou diminuírem as reservas para créditos que serão conce didos no futuro, o que, na prática, tem o mesmo efeito no balanço. "Teoricamente, vamos assistir aum salto nos lucros dos bancos", disse o analista de instituições financei ras da Lopes Filho Corretora, João Augusto Salles. "A dúvida é saber seeles vão reverter as provisões já fei tas em lucro". O especialista explicouque essa decisão envolve a área fis cal das instituições, uma vez que as provisões geram créditos tributários. Santacreu acredita que haveráalgum efeito neste segundo semestre porque as reservas já feitas pe los bancos cobrirão a provável alta do crédito nos próximos meses - na média, as instituições esperam um avanço da carteira de empréstimos de 10% a 15% até o fim de 2010. O raciocínio de Santacreu toma porbase as regras do BC (Banco Central) para o estabelecimento de pro visões. Segundo a regulamentação,para cada real emprestado, os ban cos têm de reservar uma parte paracobrir eventuais calotes. Essa parce la varia conforme o perfil do cliente, definido por letras do alfabeto. "A" é o menos arriscado e "H", o mais."Como as provisões foram expressivas, os bancos não terão de reservar tanto dinheiro para os emprés timos que farão daqui para a frente. Com isso, os lucros vão aumentar". Excesso de cautela? Ao divulgarem os balanços do segundo trimestre, todos os bancos destacaram o efeito da crise sobre o desempenho. "A inadimplênciaafetou fortemente nossos resulta dos", afirmou o diretor-executivode Controladoria do Itaú Uniban co, Silvio de Carvalho. Ele explicou que a instituição teve até de usar, noperíodo, parte das reservas que ti nham sido feitas no fim de 2008. O Banco do Brasil, segundo seupresidente, Aldemir Bendine, desti nou todo o dinheiro obtido com aabertura de capital da VisaNet (cer ca de R$ 700 milhões líquidos) paraprovisões. Atitude, aliás, criticada por Salles. "Para quê esse excesso de cautela?", indagou. "Eles de veriam ter revertido os ganhos para os acionistas". Outro analista de mercado, que pediu para não ser identificado, acredita que o fator político pesou na hora de os bancos decidirem o tamanho das provisões do primeirosemestre. "Se não fossem as reser vas tão grandes, eles teriam lucrado mais do que no primeiro semestre de 2008. Como explicar à sociedade ganhos maiores durante uma crise em que eles secaram o crédito tantopara empresas quanto para as pes soas comuns?", questionou. Provisões devem inflar os lucros dos bancos Aldemir Bendine, presidente do BB, destinou r$ 700 mi para provisões