A4 27 de agosto de 2009 o Pinião FOtO DO DIA EDItORIAL ARtIGO ARtIGOSemana passada, conversamos sobre algumas questões relacionadas aos limites defendo a idéia de que ninguém nasce e cresce de de terminado jeito e não tenha chances de mudar.Defendemos a tese de que a "síndrome de Gabriela" é apenas uma música do cancioneiro po pular. A partir desse ponto de vista queremos pensar um pouco hoje no fato de como é que nosso comportamento é modulado a partir doslimites que nos são impostos ou que construímos a partir da forma como nossos pais e nossos professores trabalham as questões de "deli mitar nossos terrenos de ação". Pais e educadores preocupados em criare educar pessoas saudáveis precisam estar atentos aos desejos e manifestações de personalida de e caráter das crianças e adolescentes. Mais do que isso, precisam estar dispostos a conhecê-los profundamente para poder interpretar palavras, gestos e emoções.Esse conhecimento é extremamente necessário quando se trata de educar para estabe lecimento de limites porque pode sinalizar para o educador realidades que não são facilmentepercebidas no seu exterior. Muitos pais e educa dores dizem: "pode deixar: eu conheço a peça".Exatamente isso, é um conhecimento tácito, di gamos assim, que somente quem convive com a pessoa, possui. E quem conhece sabe quando se trata de birra, de manha ou de coisa séria.Quem conhece sabe como exercer a autoridade. Quem conhece sabe até que pon to pode esticar a corda. E é exatamente esse o ponto do estabelecimento do limite. A criança e/ou o adolescente tenta esticar a corda cada vez mais, dando a maior elasticidade possível. Cabeao educador, seja pai, mãe ou professor (a) per mitir a elasticidade maior ou menor e é, neste parâmetro, que o educando vai estabelecendo seus limites. Esse conhecimento permite ao educadorestabelecer outra coisa que é fundamental: o autocontrole. Concordo com muitos pais e educadores que consideram ser extremamente difí cil se controlar diante de certas situações e que,muitas vezes, a vontade é de tomar atitudes ex tremas, mas o educador precisa saber que quem educa é ele. Quem deve demonstrar controle da situação é ele. Não o educando. E aqui vaia primeira reprimenda minha aos pais e edu cadores: perdoem-me. Vocês precisam mostrar quem está no comando. Democracia é ótimo. Sim, perfeitamente, mas toda democracia temquem lidera e aplica as normas. Ademais, famí lia e escola como células menores da sociedadetem o dever de saber como modulam o comportamento das crianças que vão agir como cida dãos na vida social. Mas voltando à questão do comando. Toda criança e/ou adolescente, gostemos ou não, procura um ponto de referência. Procura um ponto de apoio, procura uma "modelagem"de caráter, de personalidade. Procura imitar al guém. Por isso, o grande cuidado que se precisa ter para não cair na máxima popular do "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço".Sei que estamos num campo altamen te minado. Sei que estamos falando de pessoas. Sei que estamos diante de personalidades quese constroem diante de mil contextos diferen tes. Sei que cada um vai construir seu conceito de autoridade a partir da vivência que tiver emcasa e na escola. Sei que os pais de hoje tem cer to receio de falar e de exercer autoridade. Mas sei que é preciso enfrentar isso. Concordo quenão é necessário exercer pressão, mandar e des mandar a "bel prazer" ou fazer isso "porque euquero" ou "porque estou mandando", mas é preciso exercer autoridade de pai e é preciso exercer obediência de filho. Os pais precisam apren der a persuadir seus filhos, essa me parece ser aautoridade necessária do momento, a autorida de de ter o poder de convencer os filhos do que é melhor, de como deve ser tal situação, de que comportamento é adequado. Muita conversa,muita reflexão, é a tônica. É a forma. Sem violência física, nem moral. Sem grito, sem escân dalo. Sem xingamento. Concordo plenamente que a autoridade patriarcal que vivemos durante tantos anos sóreproduziu tipos que continuaram a exercer autoridade na vida social para massacrar os ou tros. Não é essa autoridade que precisamos. Não é esse tipo de pessoa que precisamos. Não é para isso que temos de educar.Os pais precisam tomar cuidado, não po dem confundir educar com permitir tudo ounão permitir nada. Assisto a muitas cenas de sagradáveis entre pais e filhos. Ouço conversas que me fazem pensar que muitas "mães e pais"deveriam ter nascido estéreis. Pai e mãe não po dem espancar filhos. Filhos não foram feitospara apanhar. Violência física não resolve pro blemas de comportamento. Se resolvesse, não teríamos tantas crianças e jovens delinqüentes. Por favor, pais pensem nisso.Educar é processo. Leva tempo. Crian ça não nasceu grande. Não tem compreensãodas coisas. Vai demorar. É preciso agir com di plomacia, com convencimento, com conversa.Com reflexões, não com sermões. Não com gri tos. Mostrar que ofende os outros, que magoa os outros, que machuca os outros. Falar, conversar.Usar modelos diferentes de "castigos". Fazer o fi lho/aluno pensar, refletir, analisar as situações de erros que cometeu. Fazer tomar resoluções.Ensinar respeito. Uma criança que sabe respeitar o outro a partir do respeito que tem con sigo mesma, com seus pais, com seus familiares, aprende a ter e seguir normas de comportamento. Uma criança que aprende a dizer bom dia em casa, boa noite em casa, a agradecer em casa, é capaz decriar regras de comportamento e de bom comportamento social. É preciso agir com firmeza, po rém, com ternura, sem deixar de educar. Dirceu Antonio Ruaro, Doutor em Educação pela Universidade Estadual de Campinas, Secretário Municipal de Educação, Cultura, Esportes e Lazer do Município de Vitorino - PR. E-mail dirceu_ruaro@yahoo. com.br Modulando comportamentos!!! Dia 27 de agosto comemora-se o Dia do Psicólogo. O Conselho Regional de Psicologia comemora a data em todo o Estado do Paraná,com o tema "Psicologia para todos". Retrata as sim a atual configuração da categoria que temuma atuação ampla, em várias frentes, em diferentes contextos e áreas. Desde a regulamen tação da profissão Lei 4119, de 27 de agosto de 1962, a Psicologia vem-se fortalecendo como profissão e cada vez mais consolidando uma atuação consistente, atual e de qualidade. Assim, o CRP Conselho Regional de Psicologia do Paraná, na comemoração do Dia do Psicólogo, promove uma reflexão, bem como fornece informações sobre Psicologia.O que é Psicologia? A psicologia é a ciência que estuda os processos mentais (sentimen tos, pensamentos e razão) e o comportamento humano.O psicólogo é o profissional que fez faculdade de Psicologia e atua na área da saúde men tal e na promoção de qualidade de vida, comindivíduos, casais, famílias ou grupos. O Psicó logo trabalha em diferentes contextos: Escolas, Clínicas, Postos de saúde, Centros de AtençãoPsicossocial, Setores da Justiça, Associações Esportivas, Comunidades e Núcleos Rurais, Creches, Hospitais, Ambulatórios, Comércio, In dústrias, Assessorias, Instituições Públicas e/ou Privadas, Abrigos de Crianças e Adolescentes, Delegacias, Trânsito, entre outros. As Áreas da Psicologia:Psicologia Escolar/Educacional - Anali sa e intervém em todas os setores do sistemaeducacional que participam do processo de ensino-aprendizagem (currículo, relação profes sor-aluno, comunidade escolar, entre outros),realizando pesquisas, diagnóstico e intervenção preventiva ou corretiva em grupo e indivi dualmente.Psicologia Organizacional e do Traba lho¬¬ ¬- Atua em atividades relacionadas àação humana nas organizações, acompanha mento e desenvolvimento de pessoal, estudo e planejamento de condições de trabalho, estudao significado do trabalho como meio de sobrevivência, de realização pessoal, de desenvolvimento profissional e de construção de identi dade e realiza intervenção dirigida à saúde do trabalhador.Psicologia de Trânsito - Colabora na ela boração e implantação de ações de engenhariae operação de tráfego; desenvolve ações sócioeducativas; presta assessoria e consultoria a órgãos públicos e privados nas questões relaciona das ao trânsito e transporte; e atua como peritoem exames de habilitação, reabilitação ou rea daptação profissional. Psicologia Jurídica - Atua no âmbito daJustiça, como Perito Judicial, bem como, Cola bora no Planejamento e Execução de Políticas de Cidadania, Direitos Humanos e Prevenção de Violência.Psicologia do Esporte - A atuação do psicólogo do esporte está voltada tanto para o esporte de alto rendimento, quanto para o in centivo e promoção da prática esportiva entre adultos, crianças, adolescentes e pessoas comdeficiência, visando a manutenção da saúde fí sica e mental e o desenvolvimento humano. Entre as aplicações da Psicologia do Esporte,podem-se citar o incentivo para que atletas saudáveis, individualmente ou em equipe, alcancem seu ponto ótimo. Qualidade de vida, rea bilitação e lazer também são campos de atuação da Psicologia do Esporte.Psicologia Clínica - O psicólogo clínico trabalha com meios que poderão promo ver a melhora da qualidade de vida e o alíviodo sofrimento mental da pessoa, grupos, famí lias e casais.Psicologia da Saúde e Hospitalar - Sua atribuição consiste em acolher e trabalhar com pa cientes em sofrimento psíquico decorrente desuas patologias, internações e tratamentos. Promove intervenções direcionadas à relação paciente-família-equipe de saúde e ao individuo em rela ção ao adoecimento, hospitalização e repercussões emocionais que emergem deste processo. Psicologia Ambiental - Trabalha com as inter-relações do ser humano e seu ambiente. OPsicólogo Ambiental atua em situações de conflitos territoriais, desastres ambientais, emergências de acidentes de transporte e de mobi lidade urbana; acompanha reassentamentospopulacionais; e trabalha com os aspectos emocionais envolvidos na conscientização e nas mu danças ambientais, entre outros. Psicopedagogia - Atua na investigaçãoe intervenção nos processos de ensino-apren dizagem. Trabalha para articular o significadodos conteúdos veiculados no processo de ensino, com o sujeito que aprende na sua singularidade e na sua inserção no mundo cultural e so cial concreto.Psicomotricidade - Atua nas áreas de Educação, Reeducação e Terapia Psicomotora, utili zando-se de recursos para o desenvolvimento, prevenção e reabilitação do ser humano. Psicologia Social - Atua fundamentada nacompreensão da dimensão subjetiva dos fenômenos sociais e coletivos, sob diferentes enfo ques teóricos e metodológicos, com o objetivode problematizar e propor ações no âmbito so cial. Neuropsicologia - Atua no diagnóstico,no acompanhamento, no tratamento e na pesquisa da cognição, das emoções, da persona lidade e do comportamento sob o enfoque darelação entre estes aspectos e o funcionamen to cerebral. Ao procurar um psicólogo, informe-sesobre seu método de trabalho. Cada profissio nal tem um método, baseado em sua formação.Discuta com ele se suas necessidades e expectativas podem ser atendidas. Assim você poderá avaliar se é o tipo de tratamento e/ou servi ço que está procurando. E lembre-se: você tem o direito de solicitar a comprovação do registro Profissional do Psicólogo. Maria Cecilia M. L. Fantin, CRP/08-0480 PR, representante Setorial Sudoeste do Conselho Regional de Psicologia ``Psicologia para todos" Juros bancários Não há a menor dúvida de que um dos muitos tormentos com osquais convivem os brasileiros é o alto percentual das taxas de juros cobradas pelos bancos. Isso é muito fácil de comprovar em qualquer com pra efetivada fazendo uso do crediário no comércio, que quase sempretoma como referência os números praticados pelas instituições finan ceiras. É muito comum encontrar gente que se distrai em relação a essetipo de situação e que repentinamente se vê na obrigação de ou renego ciar a dívida ou desfazer o negócio. A taxa de juros paga na ponta pelos tomadores de empréstimos na instituições bancárias brasileiras é em torno de cinco vezes maior que as encontradas em países da Europa, nos Estados Unidos e no Canadá,Essa é uma informação divulgada recentemente pela Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabili dade). Enquanto nos Estados Unidos essa taxa não ultrapassa 1,6% aomês, e em países como a Dinamarca, Coréia do Sul e Polônia ela mui tas vezes se aproxima do zero, no Brasil atinge, em média, hoje, 45% ao ano É forçoso reconhecer que esse percentual não é pequeno. Para quem trabalha - e se trata da grande maioria da população brasileira - e conduz seu orçamento na ponta do lápis, esforçando-se ao máximo para economizar centavos e somá-los em busca de um pouco mais deconforto, os juros bancários são uma "espada de Dâmocles" sobre a cabeça (expressão que significa que, a qualquer momento, algo de mui to ruim pode acontecer com o pobre coitado). Uma vez preso na malha bancária, não é fácil nem rápido se soltar.Ora, isso ocorre porque no Brasil o valor do "spread" - que é a dife rença entre o valor de captação do dinheiro pelos bancos e o valor queeles utilizam para emprestá-lo - é muito, muito elevado. Um dos prin cipais formadores do "spread" é a taxa básica de juros, conhecida comoSelic - hoje em 8,75% ao ano -, que remunera títulos públicos adqui ridos pelas instituições financeiras. A taxa de juros bancária também traz embutidos margem de lucro, taxas de administração para esse tipode operação e o fator risco, que é o mesmo para qualquer tipo de clien te, seja ele bom ou mau pagador.Existem muitas maneiras de reduzir esse peso. Uma delas seria di minuir o compulsório, que aumentaria a oferta de crédito e tornaria menor o "spread" cobrado de pequenos tomadores. Outro caminho quepoderia ser seguido seria reduzir os impostos indiretos que incidem sobre a intermediação. Aprovar de maneira diferenciada o cadastro positivo, pelo qual os bons pagadores pagariam juros menores, também po deria ser outra alternativa. As três juntas seriam fantástico! Estaria o governo dos trabalhadores interessado e empenhado em promover essas medidas? Três gerações na área de invasão da pedreira, à beira da BR -158. A mais velha Maria Inês de Souza,48, de boné - mora há 25 anos no mesmo barraco, criou todos os seus filhos lá e agora espera passar o primeiro natal em mais de duas décadas numa casa de verdade. Pedro Rodrigues Neto