Quinta-feira, 26 de março de 2009 www.folhametro.com.br 4 Política meio ambiente Volta de Delúbio ao PT divide lideranças no partido O governador de Sergipe, Marcelo Déda, engrossou ontem o coro dos petistas contrários ao retorno do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, às fileiras petistas. Déda conversou nesta semana com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o assunto. Lula acha que a filiação de Delúbio prejudicaria a campanha da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência em 2010. Partidos sugerem viés político em ação da PF Os senadores José Agripino Maia (DEM-RN) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA), citados por executivos da Camargo Corrêa, admitiram ontem que diretórios regionais de seus partidos receberam dinheiro da empreiteira para as eleições municipais do ano passado. O DEM do Rio Grande do Norte, segundo Agripino, obteve R$ 300 mil, e o PSDB do Pará, outros R$ 200 mil. Ambos ressaltaram, que as doações foram legais. Juliana de Brito SoaresDepois que moradores denunciaram que a vegetação nativa da região do Jardim Fortaleza, Zona Norte, está sendo subs tituída por vegetação exótica, a presidente da Comissão de MeioAmbiente da Câmara, a vereadora Luiza Cordeiro (PC do B), ini ciou uma investigação referenteao desmatamento e descaracte rização de APA (Área de Proteção Ambiental). No local havia um barraco e sinais claros de desmatamentoe substituição da vegetação ori ginal por eucaliptos e pinheirosque, segundo explicou um policial militar ambiental, não ne Comissão investiga desmatamento no Fortaleza APA está em processo de descaracterização Wendy Vatanabe cessitam de licenciamento para cortes, mesmo se estiverem em APA. "Esse tipo de ação é comumpor parte de loteadores, que, para conseguir alguns licenciamen tos, argumentam que a área temvegetação descaracterizada", explicou a vereadora. "Vou encaminhar um ofício à Polícia Civil, so licitando uma investigação paraque possamos encontrar os res ponsáveis", adiantou Luiza.Segundo ela, o desmatamento e substituição da vegetação na tiva podem acarretar, entre outros problemas, o assoreamento dasnascentes e corpos d'água e criação de ilhas de calor. O presiden te dos Movimentos de Moradia e diretor da Facesp (Federação dasAssociações Comerciais do Esta do de São Paulo), Deusdete Joséda Silva, entretanto, lista problemas ainda maiores. "O MP (Mi nistério Público) deu ordem dedespejo a 218 famílias, localiza das no pé da serra por entenderque eles são responsáveis pela degradação da área. Queremos provar que o desmatamento não es tá sendo feito pela comunidade,por isso estamos atrás do verda deiro responsável", disse. "Temosa intenção de propor ao poder pú blico um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) em que a comunidadese comprometa a ajudar na recu peração da área", disse Silva.O diretor de relações da Se cretaria de Meio Ambiente, Marco Antônio Carlos, que acompanhou a vistoria, se comprometeu a fazer uma caracterização da área nospróximos dias e aumentar a fiscalização no local. "A secretaria conta co apenas 18 fiscais para vis toriar todas as APAs, por isso nos pautamos muito em denúncias. De acordo com as possibilidadesorçamentárias vamos tentar encurtar a periodicidade da fiscali zação área. Um vôo panorâmicoequivale a quase um mês de tra balho terrestre", afirmou Carlos. Vistoria da comissão de Meio Ambiente da Câmara no Jardim Fortaleza, Zona Leste, foi acompanhada pela Polícia AmbientalDepois de admitir ser um ab surdo o número de 67 cargos de diretor na Assembleia Legislativade São Paulo e passar o dia atri buindo o problema a um "erro de nomenclatura", o presidente daCasa, Barros Munhoz (PSDB), defendeu a necessidade de uma re forma administrativa. Segundo ele, o tema já está em discussão."Sem dúvida alguma é preci so uma reforma administrativa. Certamente existem coisas queprecisam ser eliminadas, sem fe rir direitos, e coisas que precisam ser criadas", afirmou Munhoz. O presidente chegou a usara tribuna durante a sessão ple nária para comentar a notícia de que na Assembleia existem doisdiretores para cada três deputa dos. São 67 cargos de diretor, no comando de oito departamentos (salário de R$ 12 mil), 24 divisões(salários de R$ 9,5 mil) e 35 uni dades de serviços (salários de R$ 6.280,00).Como no Senado, existe diretor para quase tudo: diretor de fo tocópia, painel e frota. Juntos, seus salários consomem R$ 6,5 milhões anuais. Munhoz afirmou que épreciso mudar o atual organogra ma, alterando as nomenclaturas de diretor para chefes de divisão Presidente da Assembleia defende reforma administrativa e de serviço. Frisou que, enquantonão for feita uma reforma administrativa, não se fala em concurso pa ra novas contratações na Casa.Segundo Munhoz, o primeirosecretário da Mesa Diretora, Car linhos Almeida (PT), responsável pelo setor de recursos humanos na Assembleia defende essa reforma.O atual organograma do Legislativo segue a normatização estabe lecida em duas resoluções (776 e 783), de 1996 e 1997. "São 13 anos, é muito tempo", afirmou ele. Apesar de admitir que existam67 funcionários com título de diretor na Assembleia, Munhoz su geriu que apenas os oito chefes dedepartamento sejam considera dos efetivamente diretores. "Não vejo problema. É uma questão denomenclatura. O que define o cargo não é o nome e sim a atribui ção", alegou o presidente.Ele foi até o plenário para ex plicar aos pares a sua tese. "A meuver, existem oito diretores. Os demais são chamados erroneamente de diretores". Munhoz defen deu, no entanto, a necessidade das 67 unidades (divididas emdepartamentos, divisões e serviços) para manter a estrutura le gislativo em funcionamento. "É uma estrutura necessária."