B4 ECONOMIA Correio de Sergipe · Aracaju quinta-feira · 26 de março de 2009 >> Moradias serão destinadas a famílias com renda de até 10 salários mínimos Governo investirá R$ 34 bi na construção de 1 milhão de casas COTAÇÕES DÓLAR COMPRA VENDA Paralelo Câmbio livre BC Câmbio livre mercado Turismo Variação do câmbio livre BC: R$ 2,250 R$ 2,450* R$ 2,2427 R$ 2,247 R$ 2,130 (*) cotação do Banco do Brasil (**) cotação do Banco Central (***) cotação média do mercado no dia: 0,13% na semana: -0,58% no mês: -5,67% dif.livre mercado/paralelo: 8,94% COTAÇÕES R$ 2,370 R$ 2,249*** R$ 2,2435** OURO BM&F R$ Variação: % BOLSAS Bovespa (Ibovespa) Variação +0,78% Pontos: 41.799 Volume financeiro: R$ 4,70 bilhões POUPANÇA Aniversário - Rendimento (%) 26/03 = 0,6113 INDICES DE INFLAÇÃO IPCA/IBGE Julho: +0,53% Agosto: +0,28% Setembro: +0,26% Outubro: +0,45% Novembro: +0,36% Janeiro: +0,48% Fevereiro: +0,55% INPC/IBGE Julho: +0,58% Agosto: +0,21% Setembro: +0,15% Outubro: +0,50% Novembro: +0,38% Janeiro : +0,64% Fevereiro: +0,31% IPC/Fipe Agosto: +0,38% Setembro: +0,38% Outubro: +0,50% Novembro: +0,39% Dezembro: +0,16% Janeiro: +0,46 Fevereiro: +0,27% IGP-M/FGV Julho: +1,76% Agosto: -0,32% Setembro: +0,11% Outubro: +0,98% Novembro: +0,38% Dezembro: -0,13% Janeiro: -0,44% Fevereiro: +0,26% IGP-DI/FGV Julho: +1,12% Agosto: - 0,38% Setembro: +0,36% Outubro: +1,09% Novembro: +0,07% Janeiro: +0,01%Fevereiro: -- 0,13% SALÁRIO MÍNIMO Março R$ 465,00 SALÁRIO FAMÍLIA Março Até R$ 500,40: R$ 25,66 Após oscilação em NY, Bovespa fecha em alta de 0,8% MENOS RUIM "Está menos ruim do que se esperava''. A afirmação é de Carlos Lovatelli, da Associação Brasileira de Agribusiness, feita hoje em fórum da entidade sobre os desdobramentos da crise. O crédito, pivô da crise, começa a voltar ao normal de seis meses a um ano, diz ele. SEM CRISE Luiz Lourenço, presidente da Cocamar, tem opiniãosemelhante. "A crise não atingiu as cooperativas e o produ tor está capitalizado''. Mas Lourenço, cuja cooperativa que preside fica no Paraná, admite que a situação é um pouco diversa para produtores endividados. PRESSÃO MENOR Luís Carlos Guedes Pinto, do setor de agronegócio do Banco do Brasil, diz que a pressão de custos na safra 2009/10 pode ser menor, com a queda nos custos dos insumos. Mesmo assim, o crédito disponível deve ficar entre R$ 90 bilhões e R$ 100 bilhões na safra 2009/10. Folhapress Depois de alcançar 2,8% de alta nas primeiras horas de pregão, a Bovespa diminuiu o ritmo e chegou a operar no vermelho. Sempre próxima às oscilações de Wall Street, a Bolsa brasileira acabou por melhorar um pouco no fim do dia, para encerrar com ganhos de 0,78%. O dólar terminou cotado a R$ 2,249, em alta de 0,27%.O impacto do pacote destinado ao setor imobiliário, anunciado ontem pelo governo Lula, foi sentido mais intensamente no começo do pregão, quando as ações das construtoras chegaram a subir mais de 5%. Mas esse reflexo posi tivo acabou por não se sustentar. "Ao longo do dia, os investidores reavaliaram as medidasdo governo. Ainda há muitas dúvidas, como os prazos envol vidos na implementação do pacote. E a empolgação com asações esfriou", afirma José Francisco Gonçalves, economis ta-chefe do Banco Fator. "Além disso, a volatilidade lá fora continua muita elevada, afetando nossa Bolsa", diz. Das ações de empresas do setor imobiliário, os melhores resultados ficaram com os papéis ordinários de MRV, que subiram 1,05%, e Tenda, com 0,55%. As ações de Rossi Residencial e Gafisa, que são muito mais negociadas na Bolsa, terminaram com baixas de 1,94% e 1,59%, respectivamente.No mercado norte-americano, os pregões foram marca dos por intenso sobe-e-desce. Na abertura da Bolsa, dados econômicos favoráveis motivaram as compras de ações e levaram o índice Dow Jones a marcar ganhos de 2,66% na máxima. Mas o mercado virou após o Tesouro dos EUA encontrar baixa demanda no leilão de títulos que realizou pela tarde. A decepção com o nível de procura pelos títulos fez o DowJones recuar 1,42% na mínima. No fim do pregão, os inves tidores voltaram às compras, e a Bolsa de Nova York subiu 1,17%.A baixa aceitação dos títulos do Tesouro incomodou o mer cado, pois levanta dúvidas sobre a capacidade do governode conseguir financiar com sucesso seus pacotes destina dos à reativação da economia. HABITAÇÃO Fundo vai cobrir inadimplência de baixa renda LULA Obras podem não ser concluídas em dois anos Folhapress O governo federal anunciou ontem o programa "Minha Casa, Minha Vida'', cujo objetivo é construir 1 milhão de moradias para famílias com renda até dez salários mínimos (R$ 4.650). O investimento estimado é de R$ 34bilhões, considerando dinheiro do governo para subsídios, do FGTS, fundo garan tidos das prestações. Do dinheiro a ser gasto, R$ 25,5 bilhões serão diretamente da União, R$ 7,5 bilhões do FGTS e R$ 1 bilhão do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Os dados constam de cartilha distribuída aos presentes na cerimônia de lançamento no programa. Para população com renda de até três salários mínimos (R$ 1.395), o subsídiopara o financiamento será integral e have rá isenção do pagamento do seguro. Nessa faixa, está prevista a construção de 400 mil casas, cuja parcela mínima será de R$ 50 por mês e a máxima de 10% da renda (R$ 139). O pagamento poderá ser feito em até dez anos.Para quem recebe entre três e seis salários mínimos, são destinadas 400 mil mora dias, cuja parcela máxima será de 20% darenda familiar. Neste grupo, o investi mento do governo será de R$ 10 bilhões, sendo que o valor máximo do imóvel seráde R$ 130 mil nas regiões metropolita nas de São Paulo, Rio e Distrito Federal; de R$ 100 mil nos municípios com mais de 100 mil habitantes e demais regiões metropolitanas das capitais e de R$ 80 mil nos demais municípios.Pelas regras, na faixa de três a dez salários mínimos, haverá redução do segu ro e acesso a um fundo garantidor pararefinanciamento de parte das presta ções em caso de perda do emprego,ou seja, caso de inadimplência. As pres tações garantidas vão variar de 12 a 36, de acordo com a faixa de renda. As outras 200 mil casas serão parafamílias com faixa entre seis e dez salá rios mínimos. FGTS - Ontem, o Conselho Curador do FGTS aprovou, por unanimidade, R$ 31 bilhões para investimento em habitação popular até 2011. Desse total, R$ 12 bilhões serão destinados a subsídios parciais para aquisição da casa própria atendendo apopulação com renda entre três e seis salários mínimos. Para este ano, foram asse gurados R$ 4 bilhões, sendo que R$ 1,6 bilhão é dinheiro já aprovado. "No final do ano, faremos a revisão dosvalores e veremos quanto será investi do nos anos seguintes. Para habitação,na faixa de renda entre zero e três salários mínimos, o subsídio será dado integralmente pelo Tesouro Nacional'', expli cou o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, logo após a reunião. FolhapressO governo federal vai bancar a inadim plência das famílias com renda de atétrês salários mínimos (R$ 1.395) que tiverem dificuldade para pagar as presta ções da casa própria dentro do novoprograma federal de habitação, lança do ontem pelo presidente Lula. Para as famílias com renda superior a três salários mínimos, até o teto de dez salários, haverá um fundo garantidor deinadimplência. Quem comprovar que per deu o emprego, por exemplo, poderá reduzir o valor da prestação em 95% por um prazo de 12 a 36 meses, de acordo com a renda. Nesse período, será pago apenas 5% da prestação.O fundo não cobre, no entanto, as famí lias com renda de até R$ 1.395. Nesses casos, o governo irá bancar a inadimplência dequem comprovar não ter condições de paga mento, por tempo indeterminado. Quem estiver inadimplente ficará apenas sem a escritura do imóvel até quitar o financiamento. "Nenhum cidadão que tenha problema de pagamento vai ser posto para fora da suacasa. Se comprovar o motivo [da inadim plência], isso vai ser levado em consideração'', disse o vice-presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, que participou do lançamento do programa. Para as famílias nessa faixa de renda, a prestação mínima é de R$ 50, podendochegar a 10% da renda. O valor é reajus tado anualmente pela TR. MEIRELLES BC destaca corte de juros em tempo de crise Folhapress O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, destacou ontem a oportunidade de o Brasil poder baixar a taxa de juros, hoje em 11,25% ao ano. Ele lembrou ainda que a taxa de juros real na perspectiva de longo prazo é a menor da história, alcançando 5,2% em março (taxa 360 dias). "Nunca houve na história doBrasil essa taxa de 5,2% e, no pas sado, em momentos de crise essa taxa aumentava. É a primeira vez em muitas décadas que o Brasiltem oportunidade de na crise bai xar a taxa de juros.'' Segundo Meirelles, as reduções recentes na taxa básica de juros só foram possíveis porque o BCestava atento e porque "a expec tativa de inflação convergiu parao centro da meta, o que permi tiu ao Banco Central fazer o corte da Selic sem criar volatilidade nas outras taxas do mercado''. Na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária)do BC, em março, a Selic foi redu zida pela segunda vez seguida, para 11,25% ao ano. Câmbio - Durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Meirelles reafirmou que o Banco Central já injetou no mercado de câmbio US$ 59 bilhões desde a piora da crise econômica, em setembro do ano passado. As intervençõesforam feitas para segurar a disparada da moeda norte americana. De acordo com Meirelles, o BC vendeu US$ 14,5 bilhões dasreservas internacionais no mer cado de dólar à vista. Também foram emprestados US$ 20,3 bilhões em leilões de dólares delinhas externas e linhas de finan ciamento de exportações. DIEESE Desemprego é recorde, mas taxa é a menor desde 98 Folhapress O desemprego em seis dasprincipais regiões metropoli tanas do país --Belo Horizonte, Distrito Federal, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo-- ficou em 13,9% em fevereiro, contra 13,1%em janeiro, segundo pesqui sa da Fundação Seade e doDieese (Departamento Inter sindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulgada ontem.Apesar de esperado, o cres cimento foi o mais intenso para o período de toda a série, iniciada em 1998. Em relação à taxa de desemprego, porém, trata-se da mais baixa para ummês de fevereiro. No ano pas sado, no mesmo período, a taxa era de 14,5%.No mês passado, o contingen te de desempregados nas seis regiões foi estimado em 2,756 milhões de pessoas, 136 mil a mais do que no mês anterior.Em fevereiro, o nível de ocu pação diminuiu 1,3%, pelo segundo mês seguido, o quetambém era esperado de janei ro para fevereiro, segundo oDieese/Seade. O total de ocupados nas seis regiões investiga das foi estimado em 17,107 milhões de pessoas, e a PEA (População Economicamente Ativa), em 19,863 milhões. O crescimento da taxa de desemprego ocorreu em quase todas as regiões, com exceção de Salvador, onde ficou estável em 19,4%. No Distrito Federala taxa passou de 15,7% em janei ro para 16,3% em fevereiro; em Belo Horizonte foi de 8,8% para 9,4%; em Porto Alegre, de 10% para 10,4%; em Recife, de 18,3% para 19,1%; e em São Paulo, de 12,5% para 13,5%. VAI VÉM Folhapress O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ontem que ogoverno federal poderá não con cluir em dois anos a construção de 1 milhão de casas popularesanunciadas no programa habitacional. Segundo Lula, inicial mente, o governo imaginou que poderia incluir a entrega de todas as casas até o final de 2010, mas disse que a meta não depende somente do Executivo, como também de prefeitos e governadores."Imaginávamos que fosse pos sível cumprir em dois anos. Se a gente tivesse tudo arrumado, poderíamos fazer em dois anos.Mas temos consciência, quan do lançamos o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento], em 2006, descobrimos que todo mundo era especialista emnecessidade, mas desprepara dos para apresentar projetos."Lula se comprometeu a apli car integralmente os recursosprevistos para o programa -prá tica que, segundo o presidente, não foi comum em governospassados. "Não vamos ter problemas de gastar, queremos gas tar esse dinheiro, o quanto antes melhor."O presidente lançou o progra ma no Palácio do Itamaraty, sededo Ministério das Relações Exte riores, uma vez que o Planaltopassa por reformas. Bem-humo rado, Lula disse que lançava,pela primeira vez, um progra ma na sede da aristocracia brasileira."Não é a primeira nem a últi ma vez que lanço um programanum palácio. Nesse, é a primei ra vez, na sede da aristocracia da diplomacia brasileira." Financiamento - As famílias com renda de três a dez saláriosmínimos que quiserem partici par do programa habitacionaldeverão procurar as construto ras ou a Caixa para fazer aadesão. O financiamento pode rá ser de até 100% do imóvel,com juros reduzidos e com pres tações por até 30 anos. Para se candidatar, a pessoa nãopode possuir nenhum financia mento ativo dentro do SFH (Sistema Financeiro da Habitação) e não pode ter recebido, a partir de 1º de maio de 2005, desconto pelo FGTS (Fundo de Garantiado Tempo de Serviço) em qual quer financiamento. Além disso, ela não pode possuir nenhum imóvel residencial.