A6 GERAL Correio de Sergipe · Aracaju quarta-feira · 25 de março de 2009 Fabio Brito A greve dos médicos domunicípio de Aracaju conti nua. A decisão foi tomada em assembléia, na manhã de ontem, 24, através de umavotação, que por unanimida de, decidiu sustentar aparalisação. "Foi uma vota ção em tempo recorde. Em um minuto, todos que estão aqui presentes decidiram pelacontinuação da greve. A pre feitura nos informou que o reajuste seria de 0%. Isso é quanto vale um médico para o prefeito de Aracaju, nada",disse José Menezes, presi dente do Sindimed. O Sindimed reivindica o piso salarial equivalente a R$ 7.500,00 por 20 horas de trabalho. A prefeitura paga hoje R$1.700 por 40 horas de trabalho, mais o adicional de R$ 3.000,00 pagos pelo Ministério da Saúde. "O Dieese diz que a prefeitura pode garantir de 8% a 13,7% de aumento. Será que oDieese não tem credibilida de no Brasil? Ou será queesse órgão só não tem credi bilidade aqui em Aracaju? Eu soube que o prefeito Edvaldo Nogueira pediu 45 dias para se ausentar. Parece que vai pra Europa ou Dubai. Essa é primeira vez que eu vejo um comandante de um navio, queestá naufragando, ser o pri meiro a sair dele. Ele tem que ficar e enfrentar a realidade", ressaltou Menezes. O presidente do Sindimedfalou da contratação de profissionais da saúde, pela prefeitura, para atuarem em pos tos de Saúde. "Estamos numa greve dessa, e ele além de não dá melhorias para a nossa categoria, ainda pensa em contratar novos profissionais para atender nos postos de saúde. É essa uma medida de um administrador que se preze? O prefeito tem que saber que não está lidando com criança", reclamou. De acordo com José Menezes, há uma reunião marcada para amanhã, com o secretário municipal de saúde, Marcos Ramos, para que propostas sejam debatidas. "Esperamos ser recebidos pelo Secretário de Saúde, e esperamos tambémque pontos que foram colo cados pelo Sindicato sejamatendidos, se não, realmen te, não valemos nada paraesse gestor de Aracaju, cha mado Edvaldo Nogueira", completou o presidente do Sindimed. SINDIMEDA falta de manutenção, higie ne e climatização inadequada nas viaturas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram denunciadas na segunda-feira, dia 23, em audiência no Ministério Público Estadual (MPE), pelo Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe (SEESE). De acordocom Diana Oliveira, vice-pre sidente do SEESE, a Secretaria Municipal de Saúde(SMS) apresentou, na audiên cia, as melhorias que já foram feitas, mas o problema de refrigeração ainda persiste. "O problema maior ainda é a temperatura no interior das viaturas, que no turno da tarde, por exemplo, chegafacilmente a 45 graus, enquan to a Agência Nacional deVigilância Sanitária recomen da 25", revelou Diana Oliveira. Segundo a coordenadora do Samu, Ivana Mendonça, essadenúncia foi feita inicialmen te em dezembro, e que a audiência de segunda-feiraserviu para mostrar as melho rias do serviço. "A situação de dezembro para cá já mudou muito. Como foi dito na audiência de segunda-feira, estávamos aguardando uma licitação de uma empresa, para fazer a manutenção. O processo foi realizado no final de novembro, e a partir dedezembro, a empresa que venceu a licitação, recebeu as via turas para fazer os serviços necessários. Tínhamos sim, vários problemas, como toda a empresa que possui uma frota grande, e roda 24 horas por dia, tem. E demonstramos que todos eles estão sendo solucionados, inclusive coma compra de três novas via turas", afirmou. Ivana Mendonça falou que a revisão nos veículos será feita preventivamente, e toda vez que a viatura apresentar problemas. "Temos 12 antigasviaturas, que inclusive já soli citamos ao Ministério da Saúde, que as trocasse por causa do seu tempo de uso, pois são sete anos que o Samu funciona com elas. Com a nova licitação, e a chegada dos novos veículos, iremos conseguir parar as viaturas antigas e fazer os serviços quedevem ser feitos para recuperá-las", revelou a coordena dora do Samu. Em relação à temperaturainterna dos veículos, a promotora Miriam Tereza esta beleceu um prazo de 30 diaspara que a questão da tempe ratura na parte interna das ambulâncias seja revista. Apóseste período, uma nova reunião será realizada para veri ficar a situação. AMBULÂNCIAS DO SAMU Enfermeira diz que climatização inadequada persiste DEFICIÊNCIA FÍSICA SSP terá que adequar os prédios aos portadores REIVINDICAÇÃO Petroleiros em Sergipe continuam em greve A Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP/SE) terá o prazo de 30 dias para adequar todos os prédios daSSP aos portadores de defi ciência física, construindorampas de acesso e banhei ros adaptados. A decisão foi tomada na manhã de ontem,24, durante audiência realiza da no Ministério PúblicoEstadual (MPE), entre a pro motora especializada dos Direitos dos Idosos e das Pessoas Portadoras de Deficiência, Berenice Andrade de Melo, e o secretário de Estado da Segurança Pública, Kercio Pinto.De acordo com a promoto ra, a audiência foi motivadaapós o MPE receber a denún cia de um advogado portadorde deficiência, que não con seguiu prestar queixa em uma delegacia de Aracaju porque o prédio não possuía rampa de acesso. "Um advogado cadeirante não conseguiu entrar na delegacia para seratendido por conta da ausên cia de acessibilidade e fez a denúncia junto ao Ministério Público. A audiência de hoje tem o objetivo de garantir que os portadores de deficiência tenham o direito de entrar, com autonomia, em qualquer prédio público, conformeversa a Constituição", expli ca Berenice Andrade. Ela informou também que devido à urgência, a SSP irárealizar primeiro a constru ção de rampas e banheiros, para em seguida executar asobras necessárias para o cum primento do Decreto de n°5.296/04, que trata dos itensde acessibilidade. "O secretá rio demonstrou boa vontade para resolver os problemas de acessibilidade. A SSP faráuma vistoria em todos os prédios públicos do órgão, inclu sive nas delegacias e em 30dias nos apresentará o crono grama de reformas", disse.O segundo dia de paralisa ção nacional dos petroleiros foi de reivindicação em Aracaju. Na manhã de ontem, 24, a categoria realizou um ato público em frente a sede da empresa, localizada na Rua Acre, no Bairro Siqueira Campos. Prevista para durar cinco dias, a greve reivindica a estatização total daPetrobras, a redução dos pre ços dos combustíveis e do gásde cozinha, além de uma par ticipação maior nos lucros e resultados da empresa (PLR). "A empresa propõe que a PLR dos trabalhadores seja de 11%do valor repassado aos acio nistas, onde deveria ser 25%", informa Dalton Francisco dos Santos, diretor do Sindicato dos Petroleiros de Sergipe e Alagoas (Sindipetro SE/AL). Os petroleiros questionam o valor excessivo repassado aoconsumidor pelo litro da gaso lina, do gás de cozinha e do gás natural veicular (GNV). Atualmente, a Petrobras vende o barril do petróleo refinadoa US$ 15, em média. "A lucra tividade da Petrobras vem da exploração dos trabalhadores e da sociedade. Se nos EstadosUnidos o preço do combustí vel acompanha a variação de preço do barril de petróleo, porque no Brasil o preço da gasolina continua o mesmo?", questiona Dalton. O sindicalista afirma que ainsatisfação é decorrente tam bém das punições sofridas pelos funcionários dentro da empresa. "Quando acontecemroubos de equipamentos pesa dos de perfuração, o peão é o culpado", disse. Os petroleiros afirmam que o fim da greve acontecerá na próxima sexta-feira, dia 27,podendo ser interrompida previamente se a Petrobras atender os pontos de pauta apre sentados pelos sindicalistas. Sindimed reivindica piso salarial equivalente a R$ 7.500,00 por 20 horas de trabalho TCE garante que acatará pedidos do Sintese >> Sindicato entrega documento que ajudará na investigação de supostas irregularidades na folha de pagamento Fabio Brito Agreve dos professo res estaduais foi declarada ilegal, mas o Sindicato de Trabalhadores em Educação do Estado deSergipe (Sintese) não irá aceitar tão fácil o descumprimen to da Lei Federal nº 11.738/2008, por parte dogoverno, que visa um aumento do piso salarial dos profes sores para R$ 950,00. O sindicato continua em constante mobilização. Ontempela manhã, o Sintese apre sentou, ao Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE) documento que irá ajudar nainvestigação de supostas irre gularidades existentes nas folhas de pagamento dos professores. O presidente do TCE, Reinaldo Moura, diz queo tribunal vai atender aos pedi dos do sindicato. Reinaldo Moura tranquilizou a categoria dizendo que irá conceder as informações que os professores precisam, mas pediu um pouco de calma. "Algumas delas podem ser prestadas em 24 horas, já outras levarão bem mais tempo. Precisamos de cautela, afinal trata-se da vida de mais de 20 mil servidores", falaMoura, que classifica a denún cia como grave, porém sanável. Opinião pública - "O queentendemos é que o secretá rio de educação está tentando escamotear a verdade da sociedade. O que mais essegoverno tenta fazer é confun dir a população sergipana. Ele diz que pagou o piso, e agoracom esse debate de irregularidade das folhas de pagamento, ele tenta confundir a opi nião pública", declarou Roberto Silva, diretor de comunicação do Sintese. Ele disse que o Estado tem construído todo um discurso de descumprimento dalegislação. "Além de não cum prir a lei do piso salarial, elenão respeita o plano de car reira dos professores, que é uma lei estadual, aprovada em 2001. As irregularidades, nasfolhas de pagamento, desrespeitam completamente a legis lação vigente. A Constituição Federal, a lei do Fundeb, a Lei de Diretrizes e Base da Educação, as resoluções do Tribunal de Contas do Estado, ou seja, é uma total afronta aoEstado democrático de direi to", afirmou. Reunião - Hoje a partir das 15h, será realizada uma audiência no Mistério Público Estadual, onde o Sintese irá entregar documentos, também com o objetivo de auxiliar nasinvestigações. Já na quintafeira haverá uma nova audiên cia, desta vez no Tribunal de Contas do Estado. "Esperamos que o Estado apresente uma proposta concreta para opagamento do piso. Os pro fessores atenderam a decisãoda justiça, de voltar a traba lhar, mas queremos que o governo também a respeite", acrescentou Roberto Silva. Ele falou ainda que a categoria fará vigília na porta do Tribunal de Contas, enquanto a audiência acontece. "Queremos que o governo, de fato, apresente uma proposta. Não dá mais para suportar o que o governo vem fazendo a oito meses. Eles marcam uma audiência para marcar outra audiência. Durante todo esse tempo, o que temos visto étodo um processo de desres peito aos professores", ressaltou.Na sexta-feira os professo res farão panfletagens em diversos pontos da capital. Napróxima semana será realiza da uma nova assembléia para discutir as proposta dogoverno. "Isso caso ele respei te a justiça na quinta-feira e se apresente. Se o governo não aparecer com uma proposta, há a possibilidade do retorno da greve, e isso é inegável", completou Roberto Silva. Lindivaldo Ribeiro/CS Já a coordenadora do Samu, Ivana Mendonça, diz que a situação mudou muito Lindivaldo Ribeiro/CS Berenice: "Audiência foi motivada após denúncia" Médicos farão mais uma rodada de negociações Fernando Silva/CS