A8 GERAL Correio de Sergipe · Aracaju terça-feira · 31 de março de 2009 Rodoviários participam de audiência no MPT REAJUSTE SALARIAL Anderson Araújo Depois de três dias de greve, os representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Aracaju (Sinttra) e do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Município de Aracaju (Setransp) participam na manhã desta terça-feira, 31,às 9h, de audiência de concilia ção no Ministério Público do Trabalho (MPT). A finalidade é chegar a um acordo quanto ao reajuste salarial reivindicado pelos motoristas e cobradores, bem como, o valor do tíquete alimentação. Os motoristas e cobradores dos coletivos da capital e Grande Aracaju reivindicamum reajuste salarial de no míni mo 10% e tíquete-alimentação no valor de R$ 230,00. Osempresários, no entanto, ofe recem um aumento salarial de 6,5% e tíquete-alimentação de R$ 210,00. O presidente do Setransp, José Carlos Amâncio,disse que na audiência de con ciliação desta terça-feira, serão mantidas as mesmas propostas.Caso os rodoviários não aceitem, a Justiça é quem vai deci dir os rumos do impasse. Por sua vez, o presidente do Sinttra, João Batista Santos, salientou que no encontro vaitentar negociar com os empre sários um reajuste que chegue até 8% pelo menos. Ele, noentanto, reconhece que a mis são será difícil em virtude da conjuntura econômica. "Quando um presidente da República, o Lula, diz que o momento não é para os trabalhadores pedirem aumento, mas garantir oemprego. A gente como representante de categorias fica pra ticamente sem saber o que fazer", lamentou. João Batista lembrou que apósos empresários terem ofereci do 6,5% de aumento e R$ 205,00 no tíquete-alimentação, o Sinttra não aceitou as propostas que foram levadas para a categoria,que também rejeitou o percentual, em assembleia que acon teceu no último dia 19 de março. Depois da audiência, houve uma reunião com os empresários que chegaram a aumentar o tíquete-alimentação para R$210,00, mas o aumento continuou em 6,5%. O Sinttra foi oficializado para levar a contra proposta à categoria. Servidores dos Correios ameaçam entrar em greve INSATISFEITOS Fabio BritoMais um setor de serviço públi co ameaça entrar em greve. Desta vez são os funcionários da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT). Assembleias serão realizadas em todo o país no dia de hoje para decidir se a paralisação irá realmenteacontecer. A mobilização nacio nal ocorrerá porque a ECT estácorrendo sério risco de ser privatizada, como explica o secre tário geral do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa de Correios e Telégrafos de Sergipe (Sintect/SE), Orlando Sérgio Santos. " Segundo Orlando Sérgio, a empresa está com um grupointerministerial, instalado den tro dela, com o objetivo de fazer um plano de reestruturação. "Fica difícil de entender, paraque uma empresa lucrativa pre cisará de reestruturação? Isso só acontece quando a empresaestá dando prejuízo, não quando ela está dando lucro. Os gran des problemas da privatização do Correios são: o trabalhadorperder o emprego e o país per der recursos", acrescentou o secretário geral do Sintect. Ele ainda revelou que o lucro da ECT, só este ano, foi de R$ 11bilhões, e que nada foi investi do, até agora, em melhorias paraa empresa. "Não houve renova ção de frota e nem de coisanenhuma. O gasto com a empre sa foi de 10 milhões, mas nãosabemos onde todo esse dinhei ro foi empregado", afirmou. A assembleia, aqui no Estado, será hoje a partir de 18h30, na sede do Sintect, localizada na rua Acre, no bairro Siqueira Campos. Ainda de acordo como secretário geral, se a empre sa for privatizada, não só os 112funcionários sairão prejudica dos, como também toda a sociedade. Orlando Sérgio alertou paraum problema maior que a pri vatização da ECT pode trazer. "O tráfico irá aumentar. Quando se privatiza uma empresa deste tipo, qualquer pessoa poderá fazer trabalho de postagem,ficando muito mais fácil os tra ficantes fazer os transportes dassuas cargas. Se a ECT, centrali zada do jeito que é, a PolíciaFederal já não consegue fiscali zar a contento, de modo que nãoseja feita o tráfico ilícito de entor pecentes, imagine com váriasempresas particulares", comple tou o sindicalista. Sindicatos protestam contra crise e desemprego >> Diversos trabalhadores com apoio de movimentos sociais realizam manifestação seguida de passeata Anderson Araújo O rganizada por seis centrais sindicais, entre elas a CUT(Central Única dos Traba lhadores), a CTB (Central dosTrabalhadores e Trabalha doras do Brasil) e a Conlutas, diversos trabalhadores com o apoio de movimentos sociaiscomo o MST e Motu (Trabalhadores Urbanos), realiza ram ontem uma manifestação seguida de passeata, contraa crise econômica e o desem prego. Os manifestantes se concentraram na Praça daBandeira, e em seguida, saí ram em passeata até o centro da cidade, onde protestaram em frente a Câmara Municipal e a Assembleia Legislativa. O presidente da CTB, EdivalGóes, explicou que a manifes tação - realizada em todo o país - teve por finalidadecobrar o fim da crise finan ceira, protestar contra o desemprego e reivindicar aredução dos juros. "Preten demos fazer um diálogo com a sociedade sobre a crise que é ideológica, pois causou um verdadeiro caos no sistema financeiro com órgãos como o Banco Mundial, o FMI, a OMC e o G-8 ficando sem moral nenhuma para ditar regras econômicas a partir de agora". Valorização do trabalhador- "A economia mundial pre cisa de nova organização pela valorização do trabalhador",avaliou Edival Góes. O presidente do Sindicato dos Ban cários, José Souza, disse queo ato teve por objetivo con denar a crise e o patronato que na verdade é o geradorde tudo o que está acontecendo no mundo, porque repassa para o trabalhador o problema em forma de desem prego ou férias coletivas."Nesse momento, o trabalhador não tem vez nem voz, por que tentam discutir soluçõespara crise deixando o traba lhador de fora", lamentou. José Souza frisou ainda, queno momento de festa, o tra balhador é deixado de fora,mas quando a crise se insta la o Estado é chamado pelos empresários para socorrê-los. "E o que é pior: o Estado se curva à pressão e penaliza otrabalhador reduzindo as ver bas do orçamento destinadasà saúde, educação e seguran ça pública", observou Souza, acrescentando que o Estado ao atender a pressão do patronato, não utiliza a mesmapolítica em favor do tra balhador."Veja o caso do seguro desemprego, que aumentou o tempo de pagamento das parcelas dos benefícios para algumas categorias, mas nãopara outras, como por exem plo, aqueles que trabalham nas indústrias têxteis, que nãotiveram aumento nas parce las", denunciou Souza. Após o ato público, na Praça da Bandeira, os manifestantes seguiram em passeata em direção ao centro comercial de Aracaju. Enfermeiros vão parar na próxima quinta-feira Depois dos médicos da redemunicipal de saúde e dos professores municipais paralisa rem suas atividades, agora são os enfermeiros e enfermeiras da rede municipal de saúdeque cruzarão os braços. A cate goria iniciará a greve no dia 2 de abril e reivindica 15% de aumento, além de ampliação de gratificações e melhores condições de trabalho. A presidente do Sindicato dos Enfermeiros de Sergipe, Flavia Brasileiro, criticou o reajuste salarial de 1%, anunciado pelo prefeito Edvaldo Nogueira(PCdoB/SE) na última quinta feira, 26. "Não tem o que comentar sobre o reajuste de 1% e não tem como engolir ajustificativa da Prefeitura, por que se a crise tivesse afetado as finanças municipais, os vereadores não teriam um aumento salarial de 50% e novas secretarias não seriam criadas", declarou.De acordo com Flavia Brasi leiro, o poder público tinha até a última sexta-feira, 27, paraapresentar uma contrapropos ta à categoria. Como a PMAnão se manifestou, o sindica to promoveu uma assembleiana qual ficou decidida, por una nimidade, a greve por tempoindeterminado. "Além do rea juste, estamos reivindicando vários itens que deveriam ser efetivados este ano e a Prefeitura disse que não tem condições por conta da crise econômica, como a quebra do teto salarial para adicional noturno e a gratificação por titulação", afirma.A sindicalista explicou tam bém que a paralisação dos 220enfermeiros da rede municipal de saúde implica na para da dos técnicos e auxiliares de enfermagem, os quais nãopodem trabalhar sem super visão.Seguindo a pauta de manifestações, quinta-feira, 2, a cate goria realiza um ato públicoem frente ao Centro Administrativo Aloísio Campos, loca lizado na Rua Acre, no Bairro Siqueira Campos. PARALISAÇÃO Concentração na Praça da Bandeira e passeata pelo centro da capital Flávia Brasileiro, presidente do Sindicato dos Enfermeiros critica reajuste salarial de 1% Fernando Silva/CS