B2 ARTICULISTAS Correio de Sergipe · Aracaju terça-feira · 31 de março de 2009 Dificuldades... Pelas mãos de Nardes passa quase tudo o que diz respeito àPetrobras no TCU. Um dos deputados mais próximos do minis tro é José Otavio Germano (PP-RS), ligado ao setor petroquímico. A dupla já deu muita dor de cabeça à estatal. ...e facilidades O TCU, que tem entre seus membros Valmir Campelo, pai dolobista da Fiesp Luiz Henrique Bezerra, é o tribunal responsável por julgar as contas do chamado 'Sistema S', ao qual per tence o Sesi (Serviço Social da Indústria). Coleta 1A Cavo, empresa de recolhi mento de lixo do grupo Camargo Corrêa, não utilizou a usual 'transação eletrônica' para repassar doações a trêspetistas em 2008. Os candida tos a vereador Nabil Bondukie Arselino Tatto, além do pre feito de São Bernardo, Luiz Marinho, receberam suas fatias em cheque. Coleta 2 O principal cliente público da Cavo é a Prefeitura de Curitiba. Em 2008, veio da CamargoCorrêa a maior doação à cam panha vitoriosa do tucano Beto Richa: R$ 300 mil 'por dentro'. Coleta 3 A Cavo também tem 30% das ações da Loga, criada em 2004para atender 13 subprefeitu ras paulistanas. A Camargo doou R$ 3 milhões ao comitê reeleitoral de Gilberto Kassab (DEM). CastelinhoVeteranos lembram do escân dalo do Orçamento, em 1993, para baixar a bola da novaoperação da PF. Foram apreen didas naquele ano caixas de documentos da Odebrecht commenções a mais de 150 congressistas _algumas com per centual de comissão por obrada empreiteira. A CPI instala da sugeriu 'futuras investigações' que nunca se concretizaram. Navegar é preciso Em Londres, onde participam da organização do encontro do G20, diplomatas dizem que uma das opções estudadas pelogoverno britânico para prote ger os líderes convidados de eventuais protestos contra a crise é transportá-los pelo rioTâmisa até Excel, onde ocor rerá a reunião de cúpula. Sem sinal O Conselho Diretor da Anatel adiou ontem, pela sexta vez e por mais 30 dias, a decisão sobre o fim da cobrança do ponto adicional de TV a cabo.A própria agência havia determinado o término da cobran ça em junho do ano passado, mas voltou atrás e começou a protelar sucessivamente o fim da novela. Torcida O vereador Elias Vaz (PSOL), de Goiânia, ligado a perueiros,arregimenta claque para acom panhar o depoimento de Protógenes Queiroz à CPI dos Grampos, amanhã. Vaz é um dos pais da ideia de lançar o delegado a deputado federal em 2010. No partido, há quem prefira que ele dispute a Presidência. Chega mais O anfitrião José RobertoArruda (DEM-DF) fez ques tão de promover ontem um encontro entre Aécio Neves (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM), da linha defrente do serrismo, na resi dência oficial do DF. Instou os dois a se cumprimentarem e posarem para fotos, apesarde terem participado de reu niões distintas. Augusto Nardes, ministro do Tribunal de Contas da União levado ao noticiário da Operação Castelo de Areia por sua relação com Guilherme Cunha Costa, lobista da Camargo Corrêa, já havia aparecido nos grampos de outra operação da Polícia Federal, a Navalha, de 2007. Naquela ocasião, o empreiteiro investigado era Zuleido Veras, dono da Gautama. Num dos telefonemas interceptados, Zuleido comentava com o deputado Paulo Magalhães (DEM-BA) a determinação de outro ministro (e hoje presidente) do TCU, Ubiratan Aguiar, para que a construtora devolvesse R$ 1 milhão à Petrobras por quebra de contrato. 'Nós estamos pedindo vista', informou. 'Quem vai pedir é o Nardes.' De fato, Nardes pediu. Na operação Avis rara Em depoimento reservado à CPI dos Grampos, o araponga Jerônimo Araújo admitiu que teve acesso a escutas da Operação Satiagraha. Dito isso, foi bombardeado com perguntas pelo deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP). _Tinha grampo do Fernando Henrique? _Não_ respondeu o funcionário da Abin. _Tinha grampo do Serra? _Não. Depois de seguidas negativas, Macris sintetizou: _Não grampearam nenhum tucano? Encerrado o depoimento, um colega indagou: _Macris, você por acaso estava querendo descobrir se a Abin tem algum ornitólogo em seus quadros? Queria ver a reação se fosse a Lurian empregada no gabinete de um senador do PT. Do deputado federal DEVANIR RIBEIRO (PT-SP), sobre a presença, no quadro de assessores do senador Heráclito Fortes (DEM-PI), de Luciana Cardoso, filha do ex-presidente FHC. MARCOS NOBRE escreve às terças-feiras nesta coluna. PODE SER QUE a Operação Castelo de Areia seja mesmo apenas uma ação rotineira da Polícia Federal. Mas suas consequências não são nem um pouco rotineiras.Por causa das supostas doações irregulares a candidaturas e partidos, a inves tigação na empresa Camargo Corrêapoderia dar um empurrão na combali da reforma política. Especialmente noque diz respeito à proposta de financia mento público de campanhas, ponto de honra para o PT desde o episódio do 'mensalão'. A última chance para isso é neste ano. Do contrário, a reforma vai mesmo se resumir à aprovação de uma janela oportunista para o troca-troca partidário. A operação da PF também colocou sob os holofotes o Tribunal de Contas daUnião, de composição francamente des favorável à situação. Até o momento, aoposição tem larga vantagem nas pesquisas eleitorais. Mas quem está à fren te de governos estaduais importantes teme um confronto aberto com o governo. Evita se pronunciar sobre temas candentes da agenda política. Por isso éque o DEM acabou ganhando protagonismo na oposição ao governo. É também por isso que as declarações do pre sidente do Supremo Tribunal Federalparecem sempre vocalizar ideias oposi cionistas, por exemplo. A crise econômica apenas agravou o desespero do governo com a lentidão das obras do Programa de Aceleração do Crescimento. Vista como o principal obstáculo ao avanço do programa, Marina Silva foi substituída há pouco menos deum ano. Nesse momento, o governo des cobriu no TCU uma espécie de gargalo invisível do PAC. A investigação da PF colocou sob suspeita a atuação de alguns ministros do tribunal. E, pelo menos porenquanto, reduziu em muito sua possí vel atuação oposicionista.Não menos importante é a pressão dire ta sobre a própria oposição. Os efeitosdeletérios da crise econômica se agra vam a cada dia. Com a aproximação daseleições, DEM e PSDB teriam o ambiente ideal para partir para o ataque. A inves tigação acuou líderes importantes daoposição. E, de quebra, sepultou a tentativa do presidente da Fiesp de apresentar uma candidatura alternativa à polari zação entre PT e PSDB em São Paulo. A investigação na Camargo Corrêa é o fato político mais importante do ano. Nãoé necessário acreditar em teorias cons piratórias para enxergar as suas muitasdimensões e consequências. Só um con chavo político de amplo espectro podeimpedir que venham à tona. Uma mano bra que costuma vir acompanhada de foguetório sobre assuntos bem menos importantes. Como a condenação de uma dona de loja, por exemplo. MARCOS NOBRE Patrus Ananias O PAC e a Daslu Queremos crescer e distribuir renda,criar oportunidades para que todos pos sam desenvolver seu potencial e viver em um país mais justo e coeso do pontode vista social. Esse é o desejo de projeto nacional defendido pelas forças democrático-populares de nosso país e acre dito que sua consolidação é uma tarefa coletiva e compartilhada pelos que seorientam pela idéia de pátria, o que sig nifica universalização de direitos básicos e elementares da humanidade. Nossas políticas sociais têm cumprido um papel estratégico na direção desseprojeto, estabelecendo condições mate riais necessárias para que famílias e até comunidades inteiras que estiveram nopassado à margem do processo de desenvolvimento, possam agora se reorgani zar e promover melhoras nas condiçõesde vida. Estamos em uma fase de nossas políticas na qual estamos reforçando as ações de inclusão produtiva, gera ção de trabalho e renda e qualificaçãoprofissional e vamos precisar do envolvimento de todas as pessoas e forças polí ticas e sociais comprometidas com o bem nacional para concretizar essa etapa.Tem sido assim na formulação e imple mentação do Plano Setorial de Qualificação (Planseq) da Construção Civil voltado para beneficiários do Bolsa Família, em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da ConstruçãoCivil (CBIC), que trabalha com o objeti vo de capacitar 185 mil beneficiários do Bolsa Família. Firmamos também uma parceria com a Construtora Odebrecht, que reforça aorientação de aliar desenvolvimento eco nômico com inclusão social. Por meio deacordo, a Odebrecht estabelece estratégia de capacitação e contratação de bene ficiários do Programa Bolsa Família em obras onde a empresa tenha ganhado licitações públicas.A proposta de ação prevê a mobiliza ção dos beneficiários, com base no Cadastro Único, sua qualificação, para além das necessidades da construtora,e a inserção de boa parte dos beneficiá rios capacitados na construção do Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira. Além disso, o acordo prevê, por parte da empresa, a adoção de medidas para coibir a exploração sexual de crianças e adolescentes nos canteiros de obra eainda ações que promovam a seguran ça alimentar aos trabalhadores, com o fornecimento de alimentação saudável, incentivando a utilização de produtos regionais ofertados pela agricultura familiar. Nossa meta é que outras empresas possam aderir a esse tipo de parceria. Queremos que os acordos voltados parageração de trabalho e renda se multi pliquem pelo país, acompanhando os investimentos crescentes em infraestrutura. Estamos superando a dicotomia entre econômico e social, construindo as possibilidades objetivasde promover o desenvolvimento inte gral e integrado. Ao mesmo tempo, éuma ação que potencializa nossas defesas contra os efeitos da crise interna cional que nos ronda. Parcerias como a firmada no município de Porto Velho, entre governo e iniciativa privada, podem ser consideradas como um importante instrumento para garantir melhores indicadores econômicos e sociais na região.Vamos construir um país mais democrático e socialmente justo e isso envol ve todos os sujeitos dessa história. Os empresários, que detêm os lucros e bensmateriais que podem gerar mais inves timentos, têm um papel especial, com a tarefa de dar a contrapartida aos ganhos que a própria sociedade lhes assegura.Juntos, podemos superar a fome, a des nutrição, a pobreza e a desigualdade no país, na perspectiva de alcançar umasociedade que assegure direitos e opor tunidades iguais para todos. Patrus Ananias, ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome Qualificação: desenvolvimento com justiça social RTIGOS