A4 POLÍTICA GERAL A5 Notas É FOGO brayner@faxaju.com.br No horizonte adminitrativo do Estado e de Aracaju há nuvens carregadas.Daquelas que trazem muitos raios e trovões. A queda na arrecadação, nos royal ties, no ISS e a suspensão do IPI para evitar o caos nas montadoras prejudicaram sensivelmente os cofres das Prefeituras, a maioria delas impossibilitada de pagar o salário mínimo. Muito menos o Piso Nacional dos Professores. Um ano que se prenunciava promissor e de boas perspectivas. O prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) terá que administrar bem uma série de greves que tende a estourar por esses próximos meses. Edvaldo deu 1% de aumento para os servidores. Ninguém gostou. Seria melhor atender à sugestão do seu secretário de Finanças e não dá aumento nenhum. O que será 1% para quem ganha, por exemplo, R$ 800,00? Apenas R$ 8,00. É uma esmola para quem recebe, embora seja excessivo para quem paga, porque o município já atinge o limite prudencial, que acende a luz vermelha da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Ninguém tenha dúvida que os servidores vão fazermobilização em busca de melhor percentual, independente das condições financeiras do município. Os professores paralisaram, os médicos estão em negociação, mas sem trabalhar, e é possível que outras classes tentem conquistar melho res salários através da greve. Edvaldo Nogueira é egresso desses movimentos e,naturalmente, encontra hoje nos cofres que administra as razões das mobiliza ções que liderava. Evidente que vai encontrar uma forma (ou fórmula) para fazer brotar recursos oriundos da arrecadação e oferecer um aumento melhor - bem melhor - para os seus servidores e evitar uma paralisação que desgasta uma administração que deve sempre ter o tom de chegar o mais próximo possível dos anseios da classe trabalhadora. Lógico que dará dor de cabeça e há necessidade de se arregaçar as mangas e partir para a luta, como já estão fazendo dezenas de Prefeituras poreste Brasil afora, todas com sérios problemas de caixa, em razão da queda verti ginosa da arrecadação.A crise não é uma "marolinha", como disse o presidente Lula em seus momen tos de pouca lucidez. Ele próprio depois sentiu no desemprego, na queda do PIB(Produto Interno Bruto), na ameaça de inflação e, principalmente, numa rebaixa da de popularidade, que se tratava de um furacão que poderia desestabilizar uma economia forte, que promoveu o crescimento do país durante esses seis anos de mandato. É verdade que ainda se corre grande risco, mas pode-se respirar melhor, embora exista ameaça de demissões, inibição do setor produtivo e retração doconsumo. Com a inadimplência em alta, os bancos ficaram receosos de empres tar, porque não há forma para cobrir o calote. A situação carece de prudência, para quem compra ou vende, porque a situação não está para endividamentos. Um deputado da situação levantou uma dúvida: "como é que as Prefeituras deSergipe estão com a corda no pescoço e promovem tantas micaretas?" E conti nuou: "de onde vem tanto dinheiro para pagar a todas essas bandas famosas que levam à rua milhares de descamisados [olha o Collo aí de novo gente!]?". Segundo o parlamentar, "Chiclete com Banana já veio três vezes a Sergipe só nesses trêsmeses. E olha que se trata de uma das bandas mais caras do Brasil". Ele enume rou várias cidades que promovem micaretas - a maioria de pequeno porte - e emendam com os festejos juninos, colocando "pão e circo para a comunidade". Em tom crítico, jogou lenha na fogueira: "numa epoca que não podem ganhar com obras, o fazem com bandas". Será por aí? * v * PS - Não entendi bem essa história do presidente do Senado, José Sarney (PMDB), telefonar para dizer ao governador Marcelo Déda (PT) que não se envolveu noSTF para pedir sua cassação. Jamais pensei que alguem tivesse influência políti ca no tribunal de instância superior, onde deve prevalecer a justiça. Será que isso realmente existe? Será que algum ministro sentencia a pedido? Custa-me acreditar. Mas... é Brasil. Encarar greves Diógenes Brayner Só Déda O governador Marcelo Déda (PT) foi o único a se manifestar publicamente contra a volta de Delúbio ao Partido dos Trabalhadores. "Não estou julgando ninguém, mas o partido não pode ficar a vida inteira parado para discutir sobre quem já foi expulso" - disse Déda.Para Marcelo Déda, o PT tem que ficar concentrado numa tarefa maior, que é o apoio ao gover no Lula, e na sucessão de 2010. Silogismo Após o lançamento do pacote habitacional, Marcelo Déda afirmou que o enfrentamento dosproblemas brasileiros não pode ser reduzido à rea lidade eleitoral. É que, no Brasil, "basta querer que se conseguefazer um silogismo para reduzir todo investimen to público a interesse eleitoral", criticou Déda. Machado O deputado federal José Carlos Machado (DEM)criticou severamente o Plano Habitacional lança do pelo Governo e aplaudido por governadores aliados. Segundo Machado, as casas são destinadas a cidades com mais de cem mil habitantes. Lembra que em Sergipe, apenas Aracaju e Socorro serão contempladas. AbsurdoMachado considera isso um verdadeiro absur do, porque o programa habitacional vai chegar a grandes municípios, enquanto os pequenos estão praticamente falidos.O deputado lembra que a retirada do IPI dos veículos barateia os produtos automotivos, mas liqui da com as Prefeituras, principalmente as pequenas. AlmoçoO deputado federal Albano Franco (PSDB) almo çou com o presidente nacional do seu partido, senador Sérgio Guerra (PE), no Rio de Janeiro. Trataram da questão do apoio a Serra em Sergipe.O ex-governador João Alves Filho (DEM) tam bém esteve com Guerra em Brasília e voltou a falar sobre a situação política em Sergipe. CassaçãoSegundo Ancelmo Góes (O Globo), o governa dor Marcelo Déda (PT) acusou o senador José Sarney (PSDB) de trabalhar no Tribunal Superior Eleitoral por sua cassação.Marcelo Déda integra a relação de governado res que enfrentam processo de cassação no Tribunal Superior eleitoral (TSE). Boatos Ontem à tarde, o senador José Sarney ligou paraMarcelo Déda e disse que não tem qualquer interesse em intervir no processo de cassação do gover nador junto ao TSE. Marcelo Déda estava em Glória, visitando obras. "Estão produzindo boatos. Conheço, respeito e admiro o político que hoje é governador de Sergipe. Não tenho interesse em prejudicá-lo", disse-lhe Sarney ao telefone. InverdadeDéda agradeceu o telefonema e disse: "tenho certeza de que não há qualquer verdade nas informações de que ele estaria interessado em me preju dicar junto ao TSE" . "Além disso, estou muito tranquilo em relação aeste processo. Não estou sendo acusado de com prar um só voto", complementou.Segundo ainda Marcelo Déda, "as atividades exe cutadas antes de me desligar da prefeitura foram ações normais de um prefeito", disse o governador. Prefeituras Centenas de Prefeituras municipais de todo o país estão fechando suas portas em razão da queda brusca de arrecadação e do Fundo de Participação Municipal (FPM). Em Sergipe é diferente. Algumas Prefeituras vivem em eterna festa, como a de Nossa Senhora do Socorro, que está fazendo o "Socorro Folia". ApreensãoNos bastidores da Assembléia Legislativa a dis cussão é sobre o retorno da deputada Ana Lúcia (PT) e de quem assume o lugar dela. Ana Lúcia não conversou com Marcelo Déda... Sugestão de um deputado: "na próxima viagem de Déda, reserva vaga no mesmo avião para AnaLúcia, que os dois conversam e define-se a ques tão". Militares Segunda-feira à tarde, os policiais militares farãoato na Assembleia Legislativa para cobrar a implan tação da Comissão de Segurança Pública. No próximo sábado haverá "Queima do Judas" [Vamos queimar o nosso soldo], na Passarela do Caranguejo, na orla de Atalaia. Carteado No gabinete de um auxiliar direto do Governo, às sextas-feiras, a partir das 17 horas, abre-se uma mesa de carteado, que vai até às 20 horas. As apostas chegam no máximo a R$ 200,00. Acontece entre diretores e a mesa sempre tem os mesmos jogadores. Rola um uisquinho discreto.Cuja garrafa - Johnnie Walker Red - fica escondi da de lado de birô. Polêmica Promete polêmica o Projeto de Lei, do senador Sérgio Guerra (PSDB-PE),que pretende duplicar o horário polí tico gratuito, em rádio e TV, para os chamados grandes partidos - no caso, PMDB, PSDB, DEM e PT. Líderes do PCdoB, do PRB, do PSB e do PSol ameaçam dificultar a aprovação daproposta, que está pronta para ser vota da em plenário.Já Antonio Carlos Valadares (PSB SE) foi mais comedido ao comentar o projeto do senador tucano. Ele disse ter conversado com Sérgio Guerra sobre a matéria do Congresso em Focoe que o tucano lhe garantiu que o pro jeto "vai ser bom pra todos". Horário Câmara Federal analisa projeto delei que concede horário especial ao tra balhador que estuda. Pela proposta, o empregado que seja estudante dosensinos fundamental, médio, tecnoló gico ou superior poderá sair até uma hora mais cedo ou entrar até uma hora mais tarde durante o período de aulas.Para se beneficiar do horário espe cial, o estudante deverá apresentar ao empregador atestado de matrícula. Poroutro lado, terá de compensar o horá rio não cumprido, podendo fazê-lo em um único dia com jornada máxima de dez horas. Estudantes A União Nacional dos Estudantes (UNE) e União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) promovem entre os dias 30 de março e 3 de abril aJornada de Lutas 2009. Estão marca das diversas manifestações em todas as capitais do Brasil. A Jornada é uma tradição das entidades que acontece todos os anos, sempre no mês de março.Em 2009, a Jornada de Lutas acontece em conjunto com as centrais sin dicais, como CUT e Força Sindical, e movimentos sociais, como MST e Marcha Mundial de Mulheres, e tem como lema "Essa crise não é nossa. Queremos mais conquistas para a Educação". O ex-governador João Alves Filho (DEM) discursou ontem durante solenidade da Juventude do partido, em Aracaju. João lembrou que o próximo ano é de eleição e "estaremos na luta". O ex-governador não diz qual mandato pretende disputar. Os aliados do ex-governador João Alves Filho sabem queele será candidato majoritá rio e que a preferência é pelo Executivo. O governador Marcelo Déda (PT) avisa que não receberá os policiais militares. Quem faráisso é o comandante da corpo ração, coronel Magno.Na próxima terça-feira os poli ciais militares farão uma manifestação em frente ao Palácio dos Despachos.Aliás, dezenas de carros circulam em Aracaju com a inscri ção no vidro traseiro: "NossaFamília apóia a luta dos milita res". O presidente da UBES, Ismael Cardoso, destaca algumas questões importantes que estão em discussão, como o fim do vestibular. "É preciso um debate com a sociedade para a construção de um novo modelo, além demais investimentos na educa ção básica e de uma reforma do ensino médio", sugere Ismael. "Já não temos muito [tempo]. Eu lutarei com unhas e dentes para que os partidos menoresnão sejam prejudicados", avi sou o senador Valadares (PSB). O secretário do Esporte e Lazer ficou internado, ontem, com febre e forte dor de cabeça. Motivo: uma forte virose o levou à cama. Correio de Sergipe · Aracaju · domingo 29 e segunda 30 de março de 2009 Correio de Sergipe · Aracaju · domingo 29 e segunda 30 de março de 2009 A GRICULTORES DO A LTO S ERTÃO AINDA SOFREM COM A DESORGANIZAÇÃO POLÍTICA O BANGUÊ AJUDA A DEIXAR O GADO EM PÉ M UITO GADO JÁ MORREU COM FOME E SEDE J OSÉ A RAGÃO : " GRAVEI UM VÍDEO PARA PEDIR AJUDA AO GOVERNO " D ERNIVAL C ARDOSO L IMA : "O ÚNICO ALIMENTO QUE TENHO É O MANDACARU " O GADO FICA NA SOMBRA AGUARDANDO O QUE COMER O S TANQUES NÃO TÊM MAIS ÁGUA PARA O GADO Jaime Neto "Esta é a pior seca desde a década de 70", a frase dita com brabeza e o tom de quem sofre na pele, diariamente, pelafalta de necessidades básicas, não poderia ter melhor representante: o sertane jo sergipano. Não adianta rezar para Deus, pois a chuva que cai do céu não molha há oito meses o solo árido do Alto Sertão do Estado. Formado por sete municípios (Canindé de São Francisco, Gararu, Monte Alegre de Sergipe, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora de Lourdes, Poço Redondo e Porto da Folha), o AltoSertão é um complexo de areia escal dante que abrange uma área de4.908,20 Km². A vegetação acinzenta da dá um tom de lugar abandonado, salvo pelos poucos mandacarus que teimam em sobreviver. Estima-se que 137.331 habitantes vivem na região, onde destes, 76.478 moram na área rural, o que corresponde a55,69% do total. No último índice ofi cial, divulgado no Portal da Cidadania, existem 11.275 agricultores familiares, sendo 3.138 famílias assentadas, duascomunidades quilombolas e um aglo merado indígena. É muita gente para sobreviver do que já está morto. O solo, sem um trabalho de escavação para construção de barragens, não possui serventia nenhuma.Percorrendo povoados e pistas de acesso entre uma cidade e outra, é percep tível algo semelhante à desertificação do Saara, vista em imagens na tevê ou emrevistas. Não é uma observação exage rada e qualquer pessoa que necessite circular pela área, seja fazendo turismo ou estudo, vai concordar com esse julgamento. Tudo é muito isolado, quase não se encontram pessoas circulando. Os poucos que se atrevem a desafiar o clima mostram na pele o resultado da exposição: Rostos e corpos avermelhados. A tão alarmada proteção solar contra o câncer de pele não significa nada, paraquem não tem dinheiro nem para com prar o próprio alimento. É fome demais. Sede demais. Tudo é demais no Alto Sertão, com exceção da qualidade de vida que é zero, não existe. Enquanto os grandes agricultores dãosinal de desespero, os pequenos demons tram não ter nem força para falar sobrea causa nada nobre que é não poder ali mentar filhos e gado - ambos, possíveis símbolos de um futuro melhor sempre aguardado, quase nunca encontrado. A seca desesperadora que começou em 2008 possui um agravante ainda mais problemático: a falta de água para o gadoe consequentemente para fazer germinar alimento. Para os criadores que pos suem condições de comprar alimentopara suas criações ainda resta o conso lo de manter os bichos vivos. Mas, a grande maioria não se pode dar esseluxo, quando tem vários filhos queren do um prato de feijão com farinha. Ojeito é assistir o pequeno rebanho mor rer silenciosamente. A cena é triste, não apenas pela morte em si, mas pelo fim do "possível futuro melhor" de centenas de homens e mulheres. Cada animal quemorre representará uma baixa signifi cativa na renda familiar. "Já perdi 15 cabeças e sobrevivemos do leite. Antes eu conseguia 100 litros e revendia, hoje não consigo tirar o leite para dar aos meus três filhos e um neto. As vacas nãotêm força para comer o pouco que con seguimos encontrar, as que comem só ficam em pé por causa do giral", diz o agricultor José Francisco de Almeida. "Bangüê" ou "giral", são nomes dadosa um tipo de esteira usada para levan tar o gado fraco e quase morto, é umaestrutura artesanal que compõe o cená rio atual da seca. AGRAVANTESNão bastassem tantas desgraças, os agri cultores do Alto Sertão ainda sofrem com a desorganização política de seus representantes públicos. Na cidade de Nossa Senhora da Glória, por exemplo, existe um suspense no ar. De acordo com o secretário do Sindicato dos Trabalhadores Rurais Ildefonso de Santana, o ex-prefeito de Glória (José Israel de Andrade), não cumpriu com opagamento de R$ 48 mil referentes à par ticipação do Município no Garantia Safra- iniciativa do Governo Federal que via biliza uma ajuda ao agricultor, duranteo período de estiagem. Sem esse dinhei ro, estima-se que aproximadamente três mil agricultores, que tiveram uma perda de mais de 60% de sua produção, não receberão nenhuma ajuda pública emabril deste ano, o que já vem aumentan do o desespero local. "Não somos partidários, apenas somos a favor de quem defende o trabalhadorrural. Atualmente, cerca de 80% dos agri cultores trabalham em roças de grandes empresários. Os pequenos são sempre os mais prejudicados, o litro do leite ao invés de aumentar, já que estamos nomomento de escassez, acabou abaixan do ainda mais o preço, chega a custar R$ 0,58. O pagamento do Garantia Safra aconteceu assim que o vereador Jairo Santana organizou as finanças daPrefeitura e pagou, mas já tínhamos ultra passado a data limite do pagamento em três dias. Agora, resta esperar que não sejamos responsabilizados pelos errosdos outros e que o Governo tenha mise ricórdia do povo de Glória", diz Ildefonso.Outro problema, já apontado por especialista em meio ambiente, e que refle tirá no futuro da região, corresponde à utilização do mandacaru como forma de alimento para os animais. Planta típica do nordeste, da família das cactáceas, o Cereus jamacaru (nome científico) só é usado como mantimento em casos de emergência. Tradicionalmente, a palma forrageira tinha essa finalidade, mas no Alto Sertão, a produção da mesma tem caído consideravelmente e o valor do caminhão chega a custar em média R$ 2 mil, o que se torna inviável para quem não tem nada. "Para conseguir água teríamos que caminhar mais de dez léguas, mas o gado não aguenta, então como não temos dinheiro para comprar a palma, estamos dando o mandacaru", justifica o produtor Dernival Cardoso Lima. Na cidade de Monte Alegre de Sergipe, a situação é menos caótica,porém nada fácil. Mesmo com toda burocracia do Garantia Safra em dia, a espera pelos recursos não tem sido ameni zada pelo calor escaldante. O local jádecretou duas vezes situação de emergência à Defesa Civil, que envia diaria mente com a colaboração do Exército, cerca de 10 caminhões-pipas, mas sem grandes vitórias. No dia anterior à nossa visita, o prefeito do Município, João Vieira de Aragão tinha feito uma espécie de escaneamento na área. Conversando com os agricultores e sabendo suas necessidades, um vídeo-documentáriofoi gravado para ser enviado à impren sa sergipana e também ao GovernoEstadual, como forma de S.O.S. Essa ini ciativa já vem sendo tomada também por outros prefeitos mais engajados em amenizar, (porque resolver parece ser algo divino), o sofrimento da população. "Já ampliamos 23 barragens, o que já foi uma grande ajuda. Sabemos que o Governador de Sergipe já mobilizou sua equipe, por isso queremos contribuir com esse relatório para que consigamos trazer efetivamente ações favoráveis aossertanejos. Já estamos entrando em esta do de calamidade e travando lutas muitograndes para que se construam barragens comunitárias. Precisaríamos urgen temente de 1000 horas de trator paraisso. A prefeitura entrará com a manu tenção e projetos de piscicultura, hortascomunitárias. Só assim poderíamos conviver com a seca, pois acabar não é pos sível", enfatiza o prefeito que sonha em 2010 já ter implantado as referidas novas barragens. Segundo informou Cícero Aristides Sobrinho, que coordena a Defesa Civil em Monte Alegre de Sergipe, o Exército não fornece água para os moradores que possuem água encanada. As açõessão direcionadas aos que não têm estru tura básica de saneamento. De acordo com ele, a distribuição de água na regiãoé irregular. "Reivindicamos ajuda urgente, porque o Alto Sertão é a mais impor tante bacia leiteira de Sergipe. Muitos agricultores estão perdendo seus gados e quando o inverno chegar eles estarão destruídos porque não possuem maisnenhum gado para gerar leite e conse quentemente fazer renda para sobreviver. Já sabemos que na região, a produçãocaiu mais de 50%. A batalha dos prefei tos será reivindicar a recuperação do solo e sementes para o plantio (milho e feijão são as bases da agricultura no Alto Sertão). O futuro já nos preocupa tanto quanto o presente", atenta Cícero.Enquanto decisões aguardam o parecer das autoridades, aos 137.331 habi tantes, só resta mesmo esperar que algo aconteça o mais breve possível, mesmo que sejam medidas superficiais, que amenizem apenas um dia que seja. Nãoseria alarme confirmar que se a situação continuar do jeito que se apresenta, no máximo em um mês, o sertane jo descrito como "um forte", por Euclides da Cunha, entregará suasarmas e não sobreviverá para enfren tar a próxima seca. Drama da seca em Sergipe Sertão sergipano padece com a falta de chuva