A6 GERAL Correio de Sergipe · Aracaju · domingo 29 e segunda-feira 30 de março 2009 Foto: Lindivaldo Ribeiro/CS habacuquearacaju@uol.com.br O assunto da semana, do mês e (talvez) do ano vai ser o reajuste de 1% para os servidores do município de Aracaju anunciado essa semana pelo prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB). Alguns servidores (não sei quantosespecificamente) devem se preparar para quando forem receber o con tracheque: o aumento em alguns rendimentos um pouco superior a R$ 4 é grotesco, irrisório, absurdo, insano, pífio...Confesso que se for para classificar este reajuste, vou ficar enumeran do sinônimos por um bom tempo. O servidor de Aracaju não merecia tamanho desdém de um prefeito que, há tão pouco tempo, se reelegeu no 1º turno. A cidade, que se orgulha em ser a "capital da qualidade devida", está sitiada, emperrada (diga-se de passagem), com greves e indi cativos espalhados por todos os lados. Na "capital da qualidade de vida" a população ficou sem ônibus, semprofessores, sem médicos e enfermeiros. Por pouco não ficou sem a guar da municipal e sem a polícia militar. Para piorar, ainda foi aprovada na Câmara outra aberração: férias de 45 dias para o prefeito. Ininterruptasou não, minha gente, isso é um grande contrassenso. O momento é inadequado! Edvaldo tem que assumir sua responsabilidade, reduzir as des pesas de fato. Tem que reconhecer que caiu no conto da "marolinha" ao "curtir" o seu Projeto Verão... Aracaju e qualidade de vida Habacuque Villacorte Cyborg Semana quente I A semana promete ser das mais quentes para a política sergipana. Na AssembleiaLegislativa, por exemplo, as sessões serão marcadas pelas pre senças dos sindicatos. Professores e policiais militares devem pressionar os deputados governistas na Casa. Semana quente IIJá na Câmara Municipal o rea juste de 1% dado por Edvaldo Nogueira ainda promete dar muito que falar. Sem contar que, pelo que fiquei sabendo, o vereador Nitinho (DEM) está prestes a anunciar uma "bomba"sobre a má aplicação de recur sos públicos... Minha Opinião São inúmeras as paralisações e muitas outras podem vir à tona. Diante deste quadro, asteorias da oposição aos gover nos, Estadual e Municipal, ganham força, ou seja, quemestá no poder sabia cobrar e fis calizar como ninguém, agora, para administrar... Record Diante de tantos problemas em Sergipe, ver o governador Marcelo Déda (PT) visitando e contracenando com atores da Record em São Paulo (SP) essa semana, levou uma parcela do povo sergipano a repensar muita coisa... GastosQuando denunciei o pagamen to de gratificações de 200%sobre os salários de comissio nados e com datas retroativas de até 1º de agosto de 2008 pelo prefeito Edvaldo Nogueira, o amigo Carlos Cauê soltou overbo. Algum servidor munici pal tem algo a dizer agora? Alô Samarone Bem que o superintendente da SMTT poderia destacar umagente do quadro para organi zar o trânsito no retorno em frente à Assembleia Legislativa, na Avenida Ivo do Prado. Quem vem no sentido Atalaia/Centro fica esperando a "sorte" no jogo dos sinais ou a "boa vontade"dos militares da AL. Quem tra balha na região agradece. Oposição O programa eleitoral do PP, veiculado na quinta-feira à noite, tem sido comentado em todas as rodas da política sergipana. Em cena, o deputado Venâncio Fonseca traz à tona "o outro lado da moeda" e sem receber o "cachê" pago ao global Marcos Palmeira. São Conrado Os deputados Gilmar Carvalho, Garibalde Mendonça, Venâncio Fonseca, Adelson Barreto, Tânia Soares, Mardoqueu Bodano e Zeca da Silva merecem os parabéns dacoluna por terem evitado o despejo de 12 mil pessoas, aproxi madamente, do São Conrado. Essa é a boa política. Inclusão Na última sexta-feira (27), o secretário do Esporte e Lazer, Maurício Pimentel, e o diretor de Inclusão Social, Max Prejuízo, doaram diversos materiais esportivos a Associação de Arte e Cultura Comunidade Pantanal, uma entidade sem fins lucrativos. Socorro Para não parecer que foi erro da coluna, no sábado passado (21), o amigo André Carvalho, após um súbito recuo, decidiuassumir a Comunicação do pre feito Fábio Henrique (PDT). Bomba I Almeida Lima estaria prestes a tomar o comando do PMDBsergipano. Soube que ele já teria, inclusive, o apoio de correli gionários como Renan Calheiros (AL) e do presidente do Congresso Nacional, José Sarney (AP). Com o apoio de todos os senadorespeemedebistas e de alguns deputados federais do partido, difi cilmente o senador não passará por cima de Jackson Barreto (PMDB). Bomba IIUma fonte já me informou outra coisa: Almeida será candida to a governador em 2010 e, para tanto, já teria reunido prefeitos, vereadores, deputados e outras lideranças em um jantar secreto na sua residência, quando trataram de alianças. A política em Sergipe vai fervilhar... Semana Santa: momento para relembrar o sacrifício de Cristo >> Período é especial para inúmeros religiosos, que mantém as tradições muito vivas Joatã Mathias A Semana Santa é umperíodo particular mente especial para muitos religiosos, ummomento único de relem brar o sacrifício de Jesus Cristo, que, para os cristãos, nasceu numa manjedoura,mostrou o caminho da salvação, morreu na cruz e res suscitou ao terceiro dia. Éhora de renovar o elo divi no e de se reaproximar aos princípios celestiais. Muitos fiéis separam a data pararealizar mostras de devo ção, como o jejum, a oração e a caridade. Os católicos,desde a quarta-feira de cin zas, estão na quaresma, tempo em que realizampenitências, de arrependi mento e, além disso, os mais tradicionais deixam de comer carne vermelha. Já os evangélicos, nessa época, realizam uma das maiores encenações da Paixão de Cristo no Estado, o Sermão do Monte, que remota à vida do ícone cristão.A Semana Santa não acon tece na mesma data todos os anos. Do mesmo modo que o Carnaval, este é um evento cuja realizaçãodepende do calendário litúr gico da Igreja Cristã. Assim,40 dias depois da Quarta feira de Cinzas se iniciam os dias Santos. Portanto, nesteano, as comemorações san tas começam no dia 05 deabril e seguem até o domin go de páscoa propriamente dito, no dia 12 de abril. Em 2009, para celebração da Semana Santa, a IgrejaCatólica estará promovendo uma programação exten sa, com várias atividades religiosas na capital aracajuana. Os eventos organizados na Catedral de Aracaju, por exemplo, começam no domingo de Ramos, no qual haverá a benção e a procissão de Ramos, a partir das 7h. Para o assessor de comunicação da Arquidiocese e padre Adeilson Carlos SantanaSantos, a abertura é sempre um momento de reco nhecimento da autoridade de Jesus Cristo. "No iníciobusca-se reviver o evange lho no qual Cristo entra triunfante em Jerusalém, onde todos aprovam e aí se dá início à Semana Santa"."Segunda, terça e quarta feira serão celebrações mais simples, geralmente com missas comuns, evangelho temático dentro da Semana Santa, mas sem grandesmanifestações. Na quintafeira, já de um modo espe cial, reunindo todos os sacerdotes da Arquidiocese de Aracaju, temos a missa do Santo Crisma, a dosSantos Óleos. Ali são con sagrados os óleos para os enfermos, para o batismo epara o crisma", diz o asses sor da cúria. Na ocasião serão renovados os votosdo corpo sacerdotal em relação aos princípios de fidelidade e obediência à igre ja e ao Bispo. A instituição da eucaristia e a missa dolava pés completam a pro gramação da quinta-feira."Cristo lava os pés dos após tolos, então acontece todo esse rito mostrando o Cristoque se despoja da sua posição de 'Deus' para realmen te ensinar a humanidade que devemos ser humildes e devemos estar a serviço do outro". Em toda a programaçãoda Semana Santa, a simbologia cristã está impregna da nas realizações católicas. No calendário santo, ainda de acordo com o padre Adeilson, a Sexta-feira da Paixão é o único dia no ano em que a Igreja Católica não celebra missa, somente a profissão da mensagem do evangelho, a distribuição da eucaristia e a adoração da Santa Cruz. "Então todos oscristãos, paróquias e comu nidades fazem a celebração, na qual o público sente a dor de Cristo que morre pela humanidade", relata. A expectativa é de que mais de cinco mil pessoas visitem a Catedral de Aracaju na Sexta-feira da Paixão. Somente no Sábado de Aleluia é realizada a VigíliaPascal, celebração da res surreição de Cristo, que é avaliada pelo padre como "a mais importante do ano, em grau de relevância". Nesse contexto, a Páscoa representa, na concepção da Igreja Católica, a recordação daquilo que foi vivido por Jesus Cristo e o momento da renovação dos pactos sagrados."Tudo encontra seu verdadeiro sentido, a partir da morte e da res surreição de Cristo, tudo se encaixa. É a plenitude do desejo do Pai realizada no Filho, do Cristo que morre nacruz, salva a humani dade, mas ressuscita, nos dando uma vidanova, uma nova possibilidade de vida eter na", mostra Adeilson Carlos. Deixando como mensagem de páscoa,o pároco ainda comple mentou que "a Páscoa é o centro de vida e da fé dos cristãos, todos nós somos chamados a participar davida nova do Cristo ressus citado, morrendo para o pecado e a todas as suasmanifestações e consequên cias, vivendo desde já comouma comunidade de ressus citados". Convictamente católicadesde nascença, a funcio nária pública Ana Paula Ramos Sobral, de 31 anos,participa ativamente das atividades religiosas promo vidas pela Igreja Católica no Centro da capital. Para ela, a Páscoa representa ummomento de reflexão de ati tudes e de transformaçãodo comportamento indivi dual. "Não é a toa que temosesse período para melho rarmos enquanto cristãos esermos ainda mais pareci dos com Jesus", defende. Sermão do Monte - No período da Semana Santa, os evangélicos também fazem sua programação e,neste caso, estamos tra tando da encenação da Paixão de Cristo, que éuma das maiores represen tações realizadas no Estado de Sergipe: o Sermão do Monte. Este ano será a 12ª edição da peça teatral promovida pela Igreja Quadrangular. Há três anos, este evento vem acontecendo no Parque da Sementeira e conta com mais de 100 integrantes no elenco, sonoplastia e iluminação. A data da realização será 10 de abril, às 17h, com aparticipação de vários can tores gospel, como Nívea Soares e de ShirleyCarvalhaes, e da mensa gem do pastor Luís Antônio. O primeiro Sermão do Monte promovido pelosevangélicos em 1998 contou com um público estima do em 2,5 mil pessoas e ocorreu na Praça Maria Quitéria, no Bairro 18 doForte. A partir daí, a pro gramação foi tomandonovas proporções na capi tal aracajuana. Na últimaedição, o total de especta dores atingiu, segundo os organizadores, entre 30 e 40 mil cristãos. Neste ano, a peça está dividida em seismomentos - Santa Ceia, arti culação da prisão de Jesus, Jetsêmani, Jesus é levadoao Palácio do Sinédrio, cru cificação e ressurreição -, que se passam em quatrodiferentes cenários. A dura ção do espetáculo é de 50 minutos. Para o pastor JorgeGuimarães, um dos organizadores, o objetivo do evento é o evangelismo. "A função da igreja é levar a pala vra do Senhor, de Jesus Cristo, o evangelho das boas novas para todas as pessoas. A gente sabe que um evento como esse vaitrazer as pessoas que pre cisam ouvir", informa. Deacordo com o pastor evan gélico, o período da Páscoa simboliza a transformação do povo em relação ao pecado. "A palavra páscoa significa libertação, saídade um mundo de promis cuidade, desse mundo de erros, fora da vontade de Deus. Cada um precisa receber o Senhor Jesus como salvador e libertador",prega. Outro momento bas tante aguardado é também o corredor dos milagres no final do evento. Papel de Jesus CristoHá seis anos, o empresário Carlos de Góis está par ticipando do espetáculo, representando o papel mais importante da peça: o deJesus Cristo. Além da capa cidade interpretativa, os cabelos longos, a pele e osolhos claros foram caracte rísticas bastante decisivas para a escolha do rapaz. Eletambém demonstra preo cupação com a mensagem e os resultados do circuitoevangelístico. "É gratifican te porque, sabendo que no final de cada apresentação, vidas são renovadas, outrassão salvas e famílias são res tauradas", acredita. Por este motivo, o ator dedica muito de seu tempo para estudar sua participação. Os preparativos para aapresentação da peça come çaram no mês de novembro. "Começamos os ensaioscom quatro meses de ante cedência, com um mês de ensaio, a gente entra naparte de figurino, a confec ção de roupas e, faltandodois meses para a encena ção, gravamos as vozes dos personagens", avisa Carlos. No dia do evento, os atores somente fazem as mímicas dos atos, a gesticulação dos acontecimentos da Paixão de Cristo. Muitos fiéis separam a data para realizar mostras de devoção, como o jejum, oração e caridade POLÍTICA A3 Correio de Sergipe · Aracaju · domingo 29 e segunda-feira 30 de março 2009 CORREIO DE SERGIPE: Em primeiro lugar, você foi reconhecidamente a grande "revelação" da disputa eleitoral em Aracaju, no ano passado. Quem votou em Anderson Góis para prefeito de Aracaju ou quem tem simpatia por seu nome, pode esperar por uma candidatura sua para o governo do Estado em 2010? ANDERSON GÓIS: Quem me confiou um voto,quem me é simpático e acredita que posso contri buir para uma sociedade melhor, certamente podeesperar a minha participação no processo eleitoral em 2010. E aquele que fez outra opção, segura mente se sentirá impelido a dar um voto ao meu projeto. Não posso definir posto a ser disputado,pois dependo de conversas com o meu grupo polí tico, com amigos que me acompanham, com a minhafamília, mas certamente não posso mais me afas tar da política eletiva, pois o recado do povo de Aracaju foi bem claro na última eleição. Posso ainda não participar como candidato e sim apoiando um grande e comum projeto para o nosso querido e carente Estado. Sem dinheiro, sem visibilidade nasruas da cidade, com apenas sete candidatos a verea dor obtivemos 5,46% dos votos válidos. Chegamos a um quarto dos votos do deputado federal Mendonça Prado que foi apoiado por seu sogro e ex-governador João Alves Filho. O candidato do DEM teve seis minutos de tempo de TV e uma boa campanha de rua. Conseguimos um terço dos votos do senador Almeida Lima (PMDB) que levou umgrande bloco para as ruas de nossa Aracaju e apa recia por sete minutos na telinha. E para mim, agrande vitória política que consegui é na compa ração com Edvaldo Nogueira. Ele foi apoiado portodos os grandes grupos políticos do estado, estava prefeito em exercício, podendo assim manipular a máquina pública, tinha o apoio do governa dor Marcelo Déda, do presidente Lula, tinha 12 minutos de TV e uma campanha milionária. Ainda assim a minha candidatura, sozinha, chegou a 10% dos seus votos. Ele ganhou eleitoralmente e eupoliticamente. Será que ele sozinho teria a cora gem que tive? Será que chegaria aonde cheguei? É por isso que acredito não poder negar ao povoa minha participação no próximo pleito. E aproveitar o espaço dado para agradecer aos 14.886 ara cajuanos que depositaram o seu voto de confiança no professor Anderson Góis. CS: Você poderá entrar na disputa filiado em outro partido? Você foi convidado para migrar para outra agremiação? AG: Acredito nos ideais políticos, acredito que um indivíduo que sonha com dias melhores deve procurar ser um agente para a transformação social.Ingressei na vida pública por acreditar que bandei ras devem ser levantadas em nome do povo e para o povo. Caso eu seja candidato a algum cargo na próxima eleição, terei que estudar com as pessoaspróximas o que será melhor para efetivar um pro jeto capaz de derrotar essa "marola falida" que está no comando do Estado nos levando para o caos. Não houve nenhum convite para ingresso em outra sigla partidária, o que houve foram convites para que me conhecessem, e, discutíssemos política. Quero também deixar bem claro que não tenho nada contra nenhum grupo político do Estado. Reconheço os governos de Valadares (PSB), JoãoAlves (DEM) e Albano Franco (PSDB) como importantes depois da redemocratização. Foram momen tos difíceis e de incertezas econômicas. Valorizo a força de Ulices Andrade (PDT), Pastor Heleno (PRB), Jackson Barreto (PMDB), Almeida Lima (PMDB) e dos Amorins (PSC e PR). Política é a construção do diálogo em prol de melhores condições para asociedade. O que não pode na política é você cres cer pisando nos outros, desgraçando a imagem dos adversários e depois dizer que eles são de extrema importância para a sua administração. Quem não lembra de como Déda se destacou na política sergipana. O Governo de Albano Franco sofreu "opão que o diabo amassou". Para Déda, o governa dor Albano Franco era a pior espécie de político e significava o atraso. Hoje, segundo o governadorem uma entrevista, está muito feliz com a aproximação com o PSBD e Albano é uma peça importante para o progresso de Sergipe. Eu valorizo políticos que têm serviços prestados e sento para dia logar, menos claro com o governador atual, por considerar o maior engano da história política do nosso Estado. CS: O que tem feito o professor Anderson Góispara transformar-se realmente em uma alternativa no próximo ano? Tem visitado bases elei torais no interior? O senhor acredita que teria chances numa disputa direta com o governador Marcelo Déda? Isso não assusta? AG: Quando aceitei o desafio de ser candidato ao cargo de prefeito, estudei bastante. Não sou técnico em administração, sou professor de literatura e comunicador. Quis então ir além do que já conheciasobre gestão pública. Fui aos livros e pesquisei bastante, estudei tudo sobre administração pública muni cipal e, principalmente, sobre Aracaju. Eu construí o meu projeto de governo, sabendo que era quase impossível chegar lá, mas fiz um projeto de quem tinha convicção que iria assumir a prefeitura. Estou fazendo o mesmo sobre gestão pública estadual. Quero estar preparado caso seja desafiado a umadisputa para o governo do Estado. Sobre bases eleitorais eu tenho tentado, dentro do possível, conhe cer todo o estado de Sergipe. Volto a lembrar a mesma ladainha da campanha passada: sou trabalhador e leciono hoje 54 aulas por semana, o que me dá poucotempo para fazer política. Mas todas as segundas feiras, à tarde e à noite, visito bairros em Aracaju e a região metropolitana; às quintas-feiras, tenho idoao interior do estado. Estou muito feliz com a recep tividade dos populares, que mesmo do interior me conhecem e elogiam a forma como encarei a eleiçãopassada. Marcelo Déda é o grande favorito ao pleito de 2010, é governador em exercício, é do ciclo pes soal do presidente Lula e lidera um grande grupo político. Mas acho que ele ficaria temeroso em me enfrentar, eu o tiraria do sério como já o fiz no final do debate da TV Cidade e ele partiu para a agressão verbal contra mim. Tenho certeza que ele espera queeu não tenha coragem de ir para a disputa do pró ximo ano, pois ele vai encontrar alguém capaz dedebater no mesmo nível de retórica. Não me assus to com a possibilidade, eu me estimulo a aprender mais e estar pronto para o enfrentamento e livrar Sergipe da inapetência da atual gestão. CS: Como Anderson Góis enxerga o governo de Marcelo Déda, no geral? Como a juventude do nosso Estado está analisando o comportamento da gestão petista? O que foi prometido em 2006 está realmente sendo posto na prática? AG: Déda rasgou o seu passado de lutas, se é que isso não tenha sido apenas artifício para chegar ao poder. É um governo parado, lento, quase morto. Realmente a propaganda do governo está certa, 'Agoraa história é outra', mais lenta que antes. O governador não cumpriu nada do que prometeu em sua campanha em 2006. Para atestar o que digo é só observar o estado de sítio que vive o serviço público esta dual, os trabalhadores inconformados, a população abandonada na saúde, educação, segurança e todos os outros serviços. A única sobrevida que vejo para a carreira política de Déda é renunciar ao cargo de governador e voltar na próxima eleição disputando uma vaga na Câmara Federal. E, claro, torcendo para que o povo esqueça esses dois péssimos anos vividosem sua gestão. Agora executa um projeto assisten cialista no interior (Sergipe de Todos) ao estilo dos programas feitos nos governos de João Alves e Albano Franco, porém com menos eficiência. A população parece não botar muita fé e não comparece em massa.CS: Como professor e conhecedor da rede escolar, de que forma você avalia as unidades de ensino do Estado e do município de Aracaju, analisando o aspecto da infraestrutura? E quanto à polí tica educacional implantada pelos dois governos?Os professores de Sergipe e de Aracaju, especifi camente, estão sendo respeitados pelos poderes? AG: O que temos é uma educação sucateada, em péssimas condições prediais e estruturais. O colégio Castelo Branco, onde inclusive estudei, está um caos e o governo autorizou o reingresso do ano letivo num ato irresponsável e demonstração de que ou não se conhece a máquina educacional do estado ou nãoestão nem aí para estudantes de periferia. A educa ção é tão precária que lanço um desafio à equipe do governador: mostrar onde os seus filhos estudam.Será que é em rede pública de ensino? Não se respeita o profissional do magistério, nega-se o piso sala rial nacional, humilha-se o servidor da educação coma falta de negociação, e foi necessário a justiça chamá lo para a mesa de negociação e obrigar o secretário a apresentar uma proposta para a categoria, além das denúncias de irregularidades feitas pelo Sintese na atual gestão. Ouvir o governador dizer que cortariao ponto dos grevistas e que os professores eram irres ponsáveis foi ver a verdadeira face de Marcelo Déda.Autoritário e contra o diálogo, como eram os ditado res militares do nosso passado. CS: A violência chegou de vez e o crack é uma realidade lamentável no cotidiano dos jovens sergipanos. O consumo de drogas nas escolas doEstado e do município de Aracaju continua cres cendo? É verdade que por ineficiência do poderpúblico, os conflitos entre as torcidas organiza das do futebol ocorrem com frequência dentro das escolas e, até, nas salas de aula? AG: Onde está a polícia comunitária e a companhiaescolar? Os professores muitas vezes vão para o tra balho com medo pela falta de segurança nos bairros periféricos. Essa semana, o secretário de Segurança recebeu vereadores do município de Poço Redondoque lhe falaram sobre o fechamento de um posto poli cial em um dos povoados da cidade e o senhor Kércio Pinto disse não ter conhecimento. Estamos com níveis alarmantes de assaltos a ônibus, roubos de carro eassassinatos. A grande marca do atual governo quanto à Segurança é a insegurança da população e a imen sa insatisfação da polícia militar que já chegou a fazer passeata em Aracaju. CS: Como Anderson Góis enxerga o reajuste de 1% anunciado pelo prefeito Edvaldo Nogueirapara os servidores municipais? E qual a expecta tiva para o reajuste dos servidores Estaduais? Todas estas greves estão dentro da legalidade? Sergipe está à beira do caos social? AG: Para mim, o reajuste soou como uma piada. Organismos estatísticos, como o DIEESE, deixaram bem claro que a prefeitura teria condição de efetuar um reajuste maior, bem maior. Já estão em greve os professores e os médicos; estudam a possibilidadetambém de greve os agentes de endemias, os enfermeiros, os guardas municipais, trabalhadores do trans porte e agora, com o aumento dado, o SEPUMA entrouna história. Aracaju está vivendo o seu melhor momento, segundo os dados do prefeito que foram alardeados na última eleição e ainda hoje, Aracaju é a "cidade da qualidade de vida". Isso porque ele não é servidor público assalariado e não mora em logradouros da periferia da cidade. O cidadão com esse aumen to não pode nem pagar a passagem do coletivo: vaia pé para o centro. Já o prefeito, diante dos proble mas, pede licença e vai para a Europa. CS: Os problemas financeiros apresentados pelo governo do Estado e pela Prefeitura de Aracaju são justificados com a crise econômica mundialou se resultam da falta de competência adminis trativa dos gestores? AG: Muitas foram as empresas privadas de grande porte, que movimentavam recursos milionários quevieram a falir. E por quais motivos? Falta de uma ges tão equilibrada capaz de sustentar o mercado. Faltade capacidade sim. Não adianta forçar a barra e que rer ser Executivo quando não há aptidão para o cargo.Agora é bem engraçado ver os governantes que che garam ao poder, pregando mudança para melhor, não conseguirem driblar a crise. Se olharmos pelos olhos do presidente Lula (PT) não veremos crise alguma. Segundo ele, é só uma "marolinha". Se ele diz que não há crise então não há. Por que não se gasta menoscom publicidade? Por que não se reduz o orçamen to da Comunicação e o reverte para setores mais carentes, como o social, por exemplo? Gastou-se uma fortuna com o Projeto Verão 2009. Já não se sabia dacrise? Mas era uma festa popular e ambos os gesto res precisavam aparecer...CS: A eleição municipal de 2008 em Aracaju levan tou uma grande polêmica: a credibilidade das urnas eletrônicas. O senhor, como candidato que foi, sentiu-se prejudicado? AG: Não sou técnico em informática, não obtive acesso ao processo impetrado pelo senador Almeida Lima, mas acho que a Justiça deveria pelo menos teraveriguado as denúncias que foram sérias e coloca ram em dúvida a lisura do processo eleitoral. CS: O governo do presidente Lula anuncia um plano para construir 1 milhão de casas no Brasil. Dá para apresentar metas sem estipular um prazo? Por que esse programa não foi anunciado antes? Tem um cunho eleitoral por trás dele? Por que Dilma Rousseff (Casa Civil) e não Márcio Fortes (Cidades) fala sobre o plano?AG: O Brasil todo está vendo o que Lula está fazen do para dar popularidade a sua candidata à presidência. O que é uma vergonha para políticos que sempre condenaram essas práticas. Dilma até fez cirurgia plástica para ficar mais apresentável à população. Hoje em dia se fala mais em Dilma do queem Lula. Ela já é presidente adjunto. O plano nacional de habitação é um grande projeto, principalmen te por atender famílias de baixa renda. É uma pena que o governo o esteja usando de forma eleitoreira ao não delimitar um âmbito cronológico, deixando livre a execução até o ano que vem bem perto do processo eleitoral. "Estarei no processo eleitoral de 2010" >> Anderson Góis não revela cargo, mas confirma que participará efetivamente da campanha como candidato ENTREVISTA ANDERSON GÓIS Habacuque Villacorte O entrevistado deste domingo pela reportagem do Correio de Sergipe é uma grata "revelação" da política sergipana: o professor Anderson Góis (PCB). Logo de cara, o socialista revela que não há como não participar efetivamente da eleição do próximo ano. Entretanto, Anderson Góis age já como um político experiente, fazendo mistério sobre qual cargo eletivo irá pleitear em 2010. Anderson Góis também confirmou que não terá receios, caso seja candidato ao governo, em enfrentar Marcelo Déda (PT), que deverá tentar a reeleição. O professor diz que respeita e que se abre para dialogar com quase todas as correntes políticas do Estado, menos com a do governador petista, cuja gestão àfrente do Estado é muito criticada por Anderson Góis. Confira a seguir, e na íntegra, mais uma entre vista exclusiva: " Anderson Góis, professor "O cidadão com esse aumento não pode nem pagar a passagem do coletivo: vai a pé para o centro". Fernando Silva/CS