B2 ARTICULISTAS Correio de Sergipe · Aracaju sábado · 28 de março de 2009 Foco Advogados e executivos da Camargo Corrêa questionam o fato de a empresa ser a única atingida pela operação da PF, que tem como mote denúncia de sobrepreço na refinaria Abreu e Lima, seela não comanda o consórcio contratado pela Petrobras para exe cutar a obra. A líder do grupo, integrado ainda pela Queiroz Galvão, é a Odebrecht. Currículo 1Guilherme Cunha Costa, lobista da Camargo Corrêa mencionado na decisão judicial que per mitiu deflagrar a Operação Castelode Areia, costuma promover jantares com deputados e senado res em seu apartamento em Brasília. Tem um ótimo trânsito nas comissões de Orçamento, Infraestrutura e Minas e Energia. Currículo 2 Citado numa das escutas daPolícia Federal como suposto des tinatário de repasses da Camargo Corrêa, o senador Flexa Ribeiro (PSDB) foi presidente da Federação das Indústrias do Pará e diretor da Confederação Nacional da Indústria. Porta-voz De Flexa Ribeiro, na tribuna, em2 de fevereiro de 2006, condenando a invasão de uma área da cons trutora pelo MST: 'É importante que o Brasil tome conhecimento de que o investimento da Camargo Corrêa Metais no Pará é da ordem de US$150 milhões egera, entre empregos diretos, ter ceirizados e indiretos, algo em torno de 5 mil postos de trabalho'. Areia A Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, não é a única obra tocada pela Camargo Corrêa na qual o Tribunal de Contas da União apontou indícios deirregularidades. No dia 13 passa do, o TCU voltou a identificar sinais de sobrepreço nas obras do metrô de Fortaleza, incluídas na lista do PAC. Intercâmbio Coordenador da transição parao governo Lula, em 2002, o depu tado e ex-ministro Antonio Palocci(PT-SP) irá a El Salvador colabo rar na transição do recém-eleito Mauricio Funes. A posse será em 1º de junho. Onde já se viu? De José Serra, em entrevista a Roberto D'Ávila que a TV Brasil exibirá amanhã: 'O Banco Central não tem que ser independente coisa nenhuma. Nem nos Estados Unidos o BC é assim tão independente'. Diagnóstico Serra, que ontem substituiu Maria Helena Castro por Paulo Renato Souza na Secretaria da Educação, avalia que a pasta não tinha problema de orientação,mas sim de gestão. E que o ex ministro tem uma contribuição a dar nesse quesito. Na mesa No dia em que a Ford anunciou um Plano de Demissão Voluntária em suas unidades, dirigentes das principais montadoras fecharam acordo com a CUT e a ForçaSindical para manter emprega dos temporários e não demitir nopróximo trimestre se for confir mada a prorrogação da redução de IPI para o setor. Vamos ver Os sindicalistas estão divididosno que diz respeito à participa ção, confirmada ontem, do MSTna manifestação contra demis sões na segunda. Enquanto algunsfestejam a 'encorpada' na marcha, outros avaliam que os sem terra poderão tumultuar além da conta. Outro ladoA Infraero diz que seu escri tório regional em Salvador não migrará para Recife, e sim será extinto, apesar dos esforços da bancada baiana no Congresso pela sua permanência no Estado. Os partidos ensaiam uma justificativa-padrão para os 'por dentro'' e os 'por fora' que aparecem nos grampos da Operação Castelo de Areia, em diálogos alusivos a financiamento de campanhas. 'Por dentro' seriam doações feitas aos comitêsdos candidatos. 'Por fora', aos partidos _contrariando o sen tido de 'caixa dois' desde sempre associado à expressão. Foi assim que o DEM explicou os R$ 300 mil recebidos porMendonça Filho da Camargo Corrêa, 'por fora', na campa nha de 2006 em Pernambuco: teriam chegado ao partido e sido repassados em duas parcelas ao candidato. O PSDB diráque o dinheiro da empreiteira abastecia o cofre dos diretó rios estaduais e nacional, os quais decidiam quanto dar e a quem. Discurso pronto Fuso horárioEm discurso na quarta-feira para anunciar os bônus por desempe nho para professores e funcionários da rede de ensino paulista, José Serra resolveu lembrar de seu tempo de estudante. _Cheguei a frequentar o turno das 11h, que anos depois veio a ser chamado de 'turno da fome'. Aliás, quero dizer que eu não achava tão ruim assim... A plateia pareceu não entender, e o governador tucano, conhecido notívago, explicou: _Pelo menos eu não tinha de acordar às 6h! Do ponto de vista externo, a frase deve ter soado apenas ridícula. Mas acho que ela tem um eco ideológico forte no Brasil, que visa acirrar conflitos étnicos e raciais. Do cientista político DENIS LERRER ROSENFIELD , da UFRGS, sobre Lula, segundo quem a culpa pela crise econômica internacional deve ser atribuída a 'loiros de olhos azuis''. CESAR MAIA escreve aos sábados nesta coluna. DREW WESTEN , DW, é consultor de psicologia social. Sessenta dias antes das eleições, escreveu longo artigo para Obama. O foco de DW é nunca baixara guarda nem deixar o outro lado con trolar a mensagem e as narrativas da campanha. Ele critica a estratégia usual do Partido Democrata (PD) de não ter posição firme. 'Se Obama não podedizer a verdade sobre o que há de erra do com o adversário, não está falandohonestamente ao eleitor, independen temente de sua motivação', afirma. Quando se tem uma escolha entreopções, diz DW, décadas de pesqui sas em psicologia social mostramdois princípios da persuasão: che gar à frente para contar o seu ladoda história e preparar-se para ata car o que o outro deve dizer. Lista as dez maneiras de evitar que o PD tenha mais um final triste. 1. Na política não há criacionismo: use o conhecimento acumulado em comunicação de massa. O PD acha que responder a um ataque é realçar o ataque. Deve atentar à psicologia social sobre o que funciona ou não. 2. Pare de jogar damas se o outro lado joga xadrez. Os republicanos pensam seis lances à frente. O PD, um de cada vez.3. Não confundir mensagens positi vas/negativas com éticas/antiéticas: 'Eleitores votam com suas emoções, ese você se recusa a falar verdades negativas sobre o seu oponente, está enga nando o eleitorado e pondo em riscosua eleição. Emoções positivas e nega tivas estão independentes dentro docérebro. Se não bater logo, você cede rá metade do cérebro. E não se ganha eleições com meio cérebro'. 4. Se os ataques de seu adversáriorefletem um problema de caráter, ata que o caráter dele. 5. Focalize em 'nós' se o adversárioquer falar sobre 'eles'. Não deixe dividi rem os valores entre 'nós e eles'.6. Conte três histórias sobre o adver sário, nem mais, nem menos.7. Fortaleça a mensagem de mudan ça com dois ou três assuntos deimpacto. Acredite nas campanhas polí ticas emocionalmente evocativas, embasadas em valores. 8. Prepare-se. Seu publicitário pode não servir para os debates.9. Dirija-se ao olho do furacão, ao cen tro da tempestade. Não fuja. 10. A equipe de Obama, e ele mesmo, precisam olhar para dentro. Por anos, o PD fugiu da controvérsia, abandonou o conflito, preocupado com temas 'radioativos'. Fale claramente sobreos valores que o levaram a tomar a posi ção que tomou. DW lembra que, de uma perspectiva psicológica, poucas ações são determinadas por um único motivo.O PD sempre ofereceu razões eleva das para não responder atacando. Suas razões vêm com evasivas: 'Projetam covardia'. E finaliza dizendo que, napolítica, é possível tomar qualquer posi ção, exceto uma posição fetal. CESAR MAIA Olho Roxo Política e posição fetal Parece daquelas brincadeiras de mau gosto, mas não é. Trata-se de definição de uma delegacia da mulher fazendo referência à segunda-feira, dia de maiorincidencia de espancamento pelos com panheiros, maridos, amantes e namorados. Parece uma brincadeira, pois é colocada como se fosse uma coisa normal do cotidiano. Não é. Quem espanca qualquer pessoa comete crime, e quem comete crime é criminoso. Toda discussão correta tem que começar deste ponto. De outra forma é distorção. Quando a decantada lei Maria da Penha foi aprovada como solução da violência contra mulheres, discordei e mencionei em artigo a resalva de que se tratava de lei mais benéfica do queo Código Penal. E lei penal mais benéfica é obrigatória a aplicação. A lei espe cifica a pena mínima de três meses. O Código Penal prevê dois anos, quandoa agressão causa deformidade perma nente (art. 129, § 2º, IV). Mulheres compartes queimadas dos corpos, com pedaços arrancados ou com imensas cicatrizes são o que se vê todo dia na tele visão e nas delegacias. Alguém precisa explicar a diferença da deformidade da mulher espancada pelos companheiros de outra causada por um estranho. Além disso, vários outros artigos podem ser aplicados, No meio de tanta violencia há tipicidade de crimes comocárcere privado, extorsão de bens, abor tos provocados em decorrencia das agressões, abuso do pátrio poder e amaioria poderia ser tipificada como tentativa de homicídio, já que muitas mortes não se concretizam por interferên cia de terceiros. Essas agressões vem para fazer as mulheres calares sobre condutas reprováveis como traição, namoro, bebedeiras, jogos e outras incompatíveis com a vida conjugal. Também se deve ressaltar que osagressores se aproveitam de suas con dições de brucutus contra frágeismulheres. Em grande parte são covardes incapazes de levantar a voz contra outros de seu porte e descarre gam suas frustrações sobre aquelas a quem deveriam protege-las. Não podem ser amenizados pelarelação de parentesco. Caso arran cassem pedaço de um vizinho seriacrime. Aceitar que pode tirar peda ços da esposa, da companheira é dá um atestado de impunidade sobre um crime covarde e hediondo. E de ação pública, o que não permitiria direito de perdão pela vítima. Deixar a defesa por conta das própriasvítimas é não querer enfrentar o pro blema como se deve. É simplificardemais. É facilitar a ação desses brucu tus, toscos e torpes. As mulheres sofrem primeiro o domínio psíquico. Não tem forças para se defender sozinhas. Há algum tempo o ator Kadu Moliterno agrediu a esposa. A redeGlobo, ao menos, poderia ter expedido um manifesto de repúdio e não permitir trabalhar como ator. Essa permis são ajuda a passar a ideia de que alguns podem agredir sem punição. E não vale a máxima de que o pessoal é separado do profissional. Não é e não deve ser. Pois o comedimento vem em função de possíveis punições. Todo os órgãos públicos, o Ministério Público, a sociedade em geral, as instituições de voluntáriosprecisam se unir para criar meca nismos efetivos de defesa às vítimas.Já as mulheres precisam tomar a ini ciativa de sua própria defesa, já que são elas que sofrem as torturas. Generalizar o conceito de que agressão física jamais será aceita. Só colocar letras em papel,chame-se isso de lei, nada resolve, con forme comprovado pelo aumento de assassinatos de mulheres peloscompanheiros. Quem causa lesão cor poral ou agride é bandido e como tal deve ser severamente punido. Pedro Cardoso da Costa é bacharel em direito Pedro Cardoso da Costa RTIGOS